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planetamarcia

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Maio 10, 2016

Vamos Comprar um Poeta - Afonso Cruz - Opinião

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Tenho dois problemas quando quero escrever sobre livros do Afonso Cruz. Faltam-me adjectivos e tendo a repetir-me.

Já li vários livros do autor e acho que não sei dizer coisas boas de maneiras novas. Pondero sempre em não escrever nada, primeiro porque qualquer texto ficará aquém daquilo que o livro merece, e depois porque, inevitavelmente, vai ser mais ou menos igual ao que já escrevi antes. O Afonso é genial e único. O Afonso não consegue escrever mal.

E cá venho eu outra vez para vos dizer que, sim, têm de ler Vamos Comprar um Poeta.

Um livro pequeno, talvez escrito para jovens, mas é aos adultos que vai tocar mais fundo. Falo por mim que me surpreendi (mais uma vez) com uma história que, aparentemente, não oferece nada de novo. Pessoas que são números, que vivem dos números e para os números. Um cenário distópico em que a arte entretém de forma extremista, ou seja, leva-se um poeta para casa como quem adopta um animal de estimação.

O cenário distópico não está assim tão distante dos números-pessoas que já somos, esta é a parte que não surpreende e, confesso, até me entristeceu um pouco saber que o Afonso pegou num tema já tão trabalhado. No entanto, a verdade é que já não há muito para inventar, e saber reinventar tão bem não é para todos (lá vamos ter ao mesmo sítio, é inevitável).

Claramente não me consigo reinventar para escrever sobre o Afonso Cruz. Talvez precise de alguns exercícios…

“É que antes de adormecer faço abdominais e flexões e alongamentos com a imaginação, para aquecer as articulações e os músculos da fantasia.” (Pág. 65)

Leiam-no. Todo. Principalmente o Posfácio.

“Tenho milhas a percorrer antes de dormir.” (Pág. 88)

Temos muito a aprender com este poeta. Ou talvez não. Talvez seja só recordar o que tendemos a esquecer. A deixar guardado para podermos ser números. Francamente…

Sinopse

“Numa sociedade imaginada, o materialismo controla todos os aspetos das vidas dos seus habitantes. Todas as pessoas têm números em vez de nomes, todos os alimentos são medidos com total exatidão e até os afetos são contabilizados ao grama. E, nesta sociedade, as famílias têm artistas em vez de animais de estimação. A protagonista desta história escolheu ter um poeta e um poeta não sai caro nem suja muito - como acontece com os pintores ou os escultores - mas pode transformar muita coisa. A vida desta menina nunca mais será igual…
Uma história sobre a importância da Poesia, da Criatividade e da Cultura nas nossas vidas, celebrando a beleza das ideias e das ações desinteressadas.”

Caminho, 2016

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