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planetamarcia

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Setembro 12, 2014

No Céu não há Limões - Sandro William Junqueira - Opinião

 

Seria mais fácil escrever sobre “No Céu não há Limões” se a leitura me tivesse desagradado. Há semanas que virei a última página e sinto dificuldade em expressar qualquer opinião.

É difícil dizer que se gosta do que não se entende por inteiro, e que se imagina que o que não se entende podem ser coisas nossas, só para entender, para fazer sentido.

Tudo neste livro pode ser estranho e fazer toda a lógica. Depende da forma como se olha. Mas não é assim sempre? Em tudo? Uma escolha?

Profundamente reflexivo e pessoal, o início e o fim são secundarizados pelo conteúdo, como uma viagem que não quis terminar, um percurso que quero repetir, e sei que de cada vez irei a lugares novos.

Possivelmente distópico. Extraordinariamente especulativo. O grotesco que, ao invés de repelir, atrai. É-me mais fácil sentir atracção pelas descrições feias, duras, levadas a extremos pela habilidade de quem escreve, do que por contos felizes que não magoam nem arranham no sítio onde sentimos as coisas. Porque quando nos dói faz pensar, relacionar, observar cada dia um pouco mais, de várias perspectivas, até entender que mais importante do que chegar é viver a caminhada.

Personagens únicas mas que na verdade podem ser tantas pessoas, mais fortes esmagam os mais fracos, poder levado a extremos de controlo e manipulação, traição e outros meios para atingir fins. Um laboratório de estudo da natureza humana no limite, que se converte numa natureza ilimitada, num assustador tudo é possível, descendo ao banal “salve-se quem puder”.

Um livro que me ofereceu liberdade para pensar.

Extraordinariamente bem escrito. Cru. Limpo. Sem artifícios desnecessários. Sem dor suavizada.

E termino. Sentindo que quem me lê não entenderá nada mas que disse quase tudo.

Sinopse

“No Céu não Há Limões descreve um mundo em guerra entre o Norte rico e o Sul pobre, em que os pobres do Sul tentam por todos os meios ter acesso ao bem-estar do Norte, e os do Norte usam de todos os meios para conservar a sua riqueza só para si.
Sandro William Junqueira não apresenta soluções, mas à medida que o livro se aproxima do final uma personagem se destaca - o padre -, procurando uma saída. Será esta uma saída?
O autor não dá a resposta. A resposta fica com cada um de nós, porque este é o nosso mundo.”

Caminho, 2014