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planetamarcia

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Junho 20, 2016

Uma Escuridão Bonita - Ondjaki e António Jorge Gonçalves - Opinião

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Há livros que parecem ter poucas palavras. Mas depois de lidos sentimos que têm as palavras suficientes. Na verdade, quando as palavras são perfeitas parece que incham, engordando as páginas e obrigando o leitor a equilibrar as palavras dentro do livro, relendo.

Quando as palavras perfeitas se acomodam em ilustrações perfeitas, que as vestem no tamanho certo, tanta beleza parece querer sair para fora das páginas. E sai. É o leitor que a leva consigo. Pelo menos uma parte. A outra guarda dentro do livro para se maravilhar muitas mais vezes.

“Quando somos crianças o mundo fica bonito de repente. E simples. Parece um céu aberto com estrelas possíveis de serem apanhadas e guardadas numa gaiola sem paredes de fechar ninguém.” (Pág. 93)

No escuro da noite a luz do que se diz. E como ilumina o que fica por dizer.

Uma Escuridão Bonita, quando nos chega às mãos, tem menos palavras do que aquelas que julgamos ser necessárias. Mas não precisa de mais para ser eterno. Ficará comigo para sempre.

Sinopse

“Numa das muitas noites em que falta a luz em Luanda, dois adolescentes ensaiam o seu primeiro beijo, mas este primeiro beijo precisa de muitos ensaios, de muitos momentos de aproximação e afastamento, de certezas e de inseguranças... O ambiente ajuda e o pretexto surge: estão os dois na varanda da avó Dezanove, às escuras, à espera do cinema bu: um cinema que só acontece quando um carro passa com a velocidade e os faróis certos para projetar sombras/imagens nas paredes brancas das casas da rua escura. Esta é uma das mais comoventes estórias do narrador infantil do Ondjaki. Uma Escuridão Bonita integrou a seleção dos melhores livros de 2013 da revista Visão.”

Caminho, 2015