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planetamarcia

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Outubro 13, 2019

O que leio: Lá fora, de Pedro Mexia

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Lá fora.

Fui sempre lá para fora enquanto li este livro. Uma crónica, um passo para lá das paredes, o vento no rosto, os pés na areia, à espera do mar. Um passo para dentro de outros livros, de filmes, de conversas.

Lido muitas vezes na hora do almoço, altura propícia a fugas, mas também a dolorosos regressos.

Muito bom para a digestão.

"Lá Fora não é um livro sobre viagens demoradas a lugares exóticos, sobre passeios venturosos a altas montanhas ou selvas escuras, ou sequer sobre grandes temporadas em metrópoles sofisticadas do mundo ocidental: aqui, Pedro Mexia, uma das grandes personalidades da cultura portuguesa contemporânea, revela, mais do que lugares físicos onde tenha estado, lugares mentais acerca dos quais pensou. Há os teatros e as livrarias de Londres, mas também a Paris, Texas, de Wim Wenders. Há a Lisboa das Avenidas Novas e do Chiado, mas também as viagens de liteira de Camilo Castelo Branco.
Há os verões da infância na Figueira da Foz, mas também a ilha grega de Leonard Cohen. Deambulando por geografias de espécie diferente, Pedro Mexia — cronista, poeta, crítico literário, tradutor e editor — revela neste livro algumas das suas ideias mais interessantes sobre cinema, música, literatura, filosofia, política e religião, ao mesmo tempo que descreve lugares por onde passou e que, de alguma forma, não esqueceu."

Edição Tinta da China

Setembro 30, 2019

O que leio: Reflexos num Olho Dourado, de Carson McCullers

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Se eu tivesse um tipo de livro preferido, coisa em que me evito focar, apenas por receio de, inevitavelmente, deixar hipóteses fora do meu radar, seria um livro de Carson McCullers. Qualquer um, acho eu, mesmo ainda não tendo lido todos.

A escrita agrada-me, princialmente por tudo o que a autora consegue "esconder" em frases aparentemente lineares.

Há tanto numa história McCullers, mesmo nas mais curtas, tanta simplicidade nos textos lapidados, que enganam, fazendo crer que o resultado é obtido à primeira tentativa.

Neste caso, a história de um homícidio, o enredo exposto na primeira página, sabemos o que vai acontecer. E, mesmo  assim, ou talvez por isso, atacamos a leitura para saber "quem?", "como?", "onde?". Vamos encaixando personagens na premissa inicial, com interesse aguçado para o desfecho. McCullers não desilude.

SINOPSE

A ação decorre em 1930, numa base militar no sul dos EUA. Reflexos num Olho Dourado conta-nos a história de Penderton, um capitão bissexual. Este fica profundamente transtornado com a chegada do major Langdon, que tem um caso amoroso com Leonora, a sua esposa.Em 1941, ano em que o romance foi publicado, os críticos reagiram com perplexidade ao tema do livro. Mas um crítico da revista Time escreveu: «Em mãos comuns, este tema daria um livro melodramático. Mas Carson McCullers conta a história com simplicidade, elegância e discernimento.»O romance forneceu o argumento para o filme homónimo (de 1967), que contou com a interpretação de Elizabeth Taylor e Marlon Brando e com a realização de John Huston.

Edição Relógio D'Água

Tradução Marta Mendonça

Setembro 22, 2019

O que leio: Enigma, de Jan Morris

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Não é ficção, não é livro de viagens, é a história de Jan, que nasceu James. A escrita é admírável, várias passagens com a qualidade das descrições dos seus livros de viagens, comovente sem apelar ao sentimentalismo gratuito, uma leitura de grande qualidade que obriga a reflectir. Recomendadíssimo.

SINOPSE

"A VIDA EXTRAORDINÁRIA DE JAN MORRIS, CONTADA NA PRIMEIRA PESSOA.
Jan Morris está entre os 15 mais importantes escritores britânicos do século XX. Autora de livros de viagens e de ficção, talvez a sua obra mais notável seja este Enigma: História de Uma Mudança de Sexo. Um relato desassombrado, frontal e temerário da sua transição de homem para mulher: um processo que demorou dez anos, e que trouxe dor e alegria, frustrações e descobertas. Uma viagem sem volta, considerada pelo Times um dos «100 Livros Mais Importantes do Nosso Tempo». 1926 - Nasce James Humphrey Morris, em Clevedon, pequena cidade inglesa. 1949 - James Morris casa-se com Elizabeth Tuckiness, com quem viria a ter cinco filhos. 1972 - Após uma operação de mudança de sexo em Marrocos, James Morris, formado em Oxford, ex-oficial do exército britânico, passa a chamar-se Jan Morris. 2017 - Jan e Elizabeth continuam a viver juntas numa povoação do País de Gales."

Edição: Tinta da China

Tradução: Paulo Faria

Setembro 08, 2019

O que leio: Turbulência, de David Szalay

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Desde que está disponível nas livrarias que este "Turbulência" chamou a minha atenção. O título, a capa, o livro anterior do autor publicado cá, que já tinha saltado para a lista, e (talvez principalmente) a ideia de ser um livro de contos, mas sem o ser.

Na verdade, cada capítulo é uma espécie de história com princípio e fim, mas cada um dá a mão ao seguinte, ou seja, poderá apresentar o local, uma situação, uma personagem (ou tudo ao mesmo tempo) para a história seguinte. É uma espécie de volta ao mundo de avião, dado que cada capítulo (ou história, ou conto) representa uma partida e uma chegada, e o título de cada um é composto pelos códigos dos aeroportos.

É uma estrutura que me agrada muito e está a ser delicioso lê-lo, não só pela construção, mas também pelas situações criadas pelo autor. A escrita é clara e incisiva, sem excessos. Recomendo.

SINOPSE

Depois de um momento de turbulência, uma mulher mete conversa com o homem que se senta a seu lado no avião, revelando-lhe a sua intimidade. Ao chegar a casa, após outro voo, esse homem recebe notícias trágicas que implicam profundamente a vida de outra pessoa, um piloto de aviões, o qual, transtornado, acaba por procurar conforto nos braços de uma jornalista que conhece essa mesma noite, e cuja vida também se transformará antes de conseguir seguir para o aeroporto e terminar uma reportagem que, por sua vez, terá consequências no destino de outras pessoas.
De Londres a Madrid, de Dakar a São Paulo, de Toronto a Deli, em viagem para reencontrar amantes, irmãos afastados, parentes idosos ou ninguém, as histórias dos doze desconhecidos que compõem Turbulência são o retrato de um mundo global, e uma exploração corajosa e delicada dos efeitos que o nosso percurso, aparentemente tão pessoal, tem na vida dos outros - por vezes, de modo devastador.

Edição Elsinore

Tradução Joana Neves

Ilustração de capa Lord Mantraste

Agosto 20, 2019

O que leio: Pessoas Normais, de Sally Rooney

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Talvez "Pessoas Complicadas" fosse um título mais adequado a este romance. Mas, por outro lado, não será normal ser complicado?

A certa altura das vidas de Marianne e Connell, simplificar é difícil (complicado). Um cobertor felpudo é uma camisa de forças.

Complica-se o simples (de novo estas duas palavras).

Voar em círculos ou medo da entrega?

Gostei muito. Achei-o algo negro, o que me deixa surpresa por se ter tornado tão comercial.

(Bolsa para livro "Corujas Leitoras")

Tradução de Ana Falcão Bastos

Edição Relógio D'Água

Julho 21, 2019

O que leio: O Pianista de Hotel, de Rodrigo Guedes de Carvalho

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Talvez este post devesse chamar-se "o que não leio", pois a verdade é que pouco ou nada tenho lido. E é uma pena, porque este livro merece atenção e, parece-me, uma constância de leitura que, neste momento, não consigo cumprir. Não será a ler um capítulo hoje e outro amanhã que isto lá vai, os capítulos são curtos, mas com bastante informação a ser solidificada com o meu ritmo de leitura de outros tempos.

Por outro lado, o meu próprio livro já li várias vezes: ler, rever, re-escrever, ler, cortar, ler, mudar, apagar, pôr como estava, ler, rever, rever a revisão...

Um trabalho de malucos? Às vezes concordo. Mas vê-lo ganhar forma...

Siga a dança: ler, rever, re-escrever, ler, cortar, ler, mudar, apagar, pôr como estava, ler, rever, rever a revisão...

Quanto ao pianista, penso que nos voltamos a ver na primeira página. Em breve (suspiro).

Julho 07, 2019

O que leio: A Carne, de Rosa Montero

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Sim, comecei nova leitura sem terminar a anterior, assim se constrói uma pilha gigante na mesa de cabeceira. E entretanto "A Carne" já está lido. Se gostei? É Rosa Montero, pessoas! Gostei muito, claro.

"Numa noite, Soledad contrata um gigolô para que a acompanhe a um espetáculo de ópera, um ardil, na verdade, que não é mais do que uma tentativa de provocação a um ex-amante.
No entanto, um violento e imprevisível incidente alterará por completo o curso daquela noite e marcará o início, entre ambos, de uma relação vulcânica, inquietante, e talvez perigosa. Ela tem sessenta anos; o gigolô, trinta e dois. Começa o jogo…
A narração desta aventura irá mesclar-se com as histórias dos escritores malditos da exposição que Soledad se encontra a preparar para a Biblioteca Nacional - e ser maldito é «desejarmos ser como os outros mas não conseguirmos, querer que nos amem mas só causarmos medo, talvez riso, não suportarmos a vida e, sobretudo, não nos suportarmos a nós próprios».
Como a própria Soledad, talvez?
Devorar ou ser devorado: A Carne é um romance audaz e surpreendente, o mais livre e pessoal de todos os que Rosa Montero já escreveu, que nos fala do passar dos anos, do medo da morte, da necessidade de amar e da gloriosa tirania do sexo. Tudo através da voz de uma eterna sedutora, apanhada de surpresa pelo seu próprio envelhecimento."

Porto Editora

Tradução de Helena Pitta

Junho 24, 2019

O que leio: Uma Conjura de Saltimbancos, de Albert Cossery

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"A leitura de Uma Conjura de Saltimbancos ajuda-nos a preservar a sanidade mental. São histórias de jovens que conspiram para se divertir, contrariando a roda infatigável do hábito e da rotina no quadro de uma cidade de província onde aparentemente não se passa nada mas, no fundo, fervilham mistérios e maravilhas."

A verdade é que dificilmente teria ouvido falar deste livro se não me tivesse inscrito, este ano, no Clube de Leitura de Autor, com o Afonso Cruz. "Uma Conjura de Saltimbancos" é o livro escolhido para a discussão no mês de Julho, e para já, atesto que a descrição acima é verdadeira. Há histórias que não lembram a (quase) ninguém e é óptimo descobri-las.

Antígona, 2001

Tradução de Ernesto Sampaio