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planetamarcia

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Outubro 20, 2015

A Confissão da Leoa - Mia couto - Opinião

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Há leituras que permitem viagens especiais. Como se abrir o livro fosse abrir uma porta com dupla função, a de mostrar um novo caminho, e a de, ao mesmo tempo, se fechar para todo o resto que existe.

Assim me esqueci do que existe, e fui levada pelas palavras mágicas que me abriram o caminho para Kulumani, para um poço sem fundo de estórias guardadas em camadas. A cada revelação outra camada, outra surpresa, por vezes com dor, mas mesmo a crueldade é palavrosa. Palavras dentro de caixas fechadas, enfeitadas com pontos de exclamação. Caixas difíceis de abrir, chaves perdidas, pistas omissas.

Não posso, por incapacidade, descrever ou explicar “A Confissão da Leoa”. Deixo alguns excertos. Curtos mas completos. E perfeitos.

“Desde que te amo, o mundo inteiro te pertence. Por isso, nunca cheguei a dar-te nada. Apenas devolvi.” (Pág. 43);

“O silêncio dela faz coro com a paisagem em redor: o mundo parece ainda por estrear.” (Pág. 76);

“No fundo, o que ele ambicionava era não ter obrigação nenhuma. A felicidade, costumava ele dizer, consiste num fazer nada: ser-se feliz é apenas deixar Deus acontecer.” (Pág.101);

“- Estar perdido é bom. Significa que há caminhos. O grave é quando deixa de haver caminhos.” (Pág.164);

Agora é recuperar o tempo perdido em que não li livros de Mia Couto.

Sinopse

“Um acontecimento real - as sucessivas mortes de pessoas provocadas por ataques de leões numa remota região do norte de Moçambique - é pretexto para Mia Couto escrever um surpreendente romance. Não tanto sobre leões e caçadas, mas sobre homens e mulheres vivendo em condições extremas.”

Caminho, 2015