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planetamarcia

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Julho 13, 2014

O Tempo entre Costuras - Maria Dueñas - Opinião

 

Por vezes apetece um romance maravilhoso e arrebatador, cuja escrita permite uma leitura ávida, com muitas páginas, centenas, que se percorrem rápido e que, no final, nos fazem desejar ter outras tantas pela frente.

Quem tiver “O Tempo entre Costuras” na estante, não espere, como eu, mais de dois anos para o ler. Sinto que devia ter sido submetida a uma pena qualquer por não lhe ter pegado assim que me entrou em casa.

Um livro que tem tudo aquilo que muito me agrada. Não é uma história verídica mas até podia ser, dado que decorre num palco histórico real da História Mundial recente. É um romance mas não é lamechas; mais do que uma historiazinha de amor é uma grande narração de encontros, desencontros, azares e sortes, credível e plausível, como a vida.

Espanha, Guerra Civil. Mundo, II Grande Guerra.

Uma mulher, Sira Quiroga, costureira. De Madrid para Marrocos cega por um grande amor. Depois, o reerguer de uma mulher abandonada, enganada e na miséria, sozinha longe de casa, e sem poder regressar a uma Espanha assolada pela Guerra Civil. É uma Sira endividada que renasce da miséria, e luta com as armas que tem para se afirmar e superar. Nesta caso, as linhas e as agulhas, e a sua arte de criar. E claro, o instinto de sobrevivência que as épocas duras fazem sobressair naqueles que têm a força de não se deixar abater.

São alguns os livros que li sobre esta época. E a verdade é que não me farto, não me canso de aprender sempre algo mais e, acima de tudo, ler relatos sobre tempos tão glamorosos. Sim, o mundo estava em guerra, havia morte, fome e miséria. Havia quem estivesse na frente de combate. E havia quem lutasse de outras formas. Ninguém era quem parecia ser, todos podiam ser potenciais espiões, a qualquer momento se podia alinhar com o inimigo.

Sira lutou por ela própria. Sira lutou também pelos seus ideais e pelo seu país da forma que a sua posição de modista de alta-costura lhe permitiu. Alinhou em esquemas perigosos, aprendeu por si própria a ser espia numa Europa dividida por interesses e ódios. Uma Cidadã do Mundo, uma mulher que deixou de ser quem era por não ter muito a perder, depois, uma mulher que prosseguiu num caminho que não escolheu para não perder o que encontrou.

“O Tempo entre Costuras” encantou-me pela história e pela escrita fluída, que faz percorrer centenas de páginas de uma assentada. Renovou-me o desejo de me entregar a um bom romance mais vezes, e levou-me directamente para aquele grupo de pessoas que esperam a edição do novo romance de Maria Dueñas em Portugal.

Recomendo muito!

Sinopse

“«O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e políticas, de espias.
Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.”

Porto Editora, 2010