Domingo, 10 de Março de 2013

Histórias do fim da rua - Mário Zambujal - opinião

 

Mais um livro de Mário Zambujal, autor que descobri recentemente, o que não deixa de ser estranho dado que a sua carreira já é longa.

Ao terceiro livro posso dizer que considero que a escrita é muito própria, com um estilo característico, uma linguagem que por vezes parece inventada e cujas personagens me fazem sempre lembrar a série “Duarte & Companhia”. Alguma nostalgia de uma geração a que não sei bem se pertenço, na medida em que o salto geracional é cada vez mais curto. Mas a memória permanece e estes livros levam-me sempre numa viagem no tempo, quando era miúda e brincava na rua, quando me ria com o Duarte & Companhia muitas vezes sem perceber nada.

Boa disposição garantida, sátira de qualidade e, o que quanto a mim é um ex-libris do autor: o aportuguesamento de termos estrangeiros, escrevendo tal como soam. Por exemplo aftarshaive. Muito bom!

A Rua de Trás é o palco desta aventura. Com descrições absolutamente deliciosas dos seus moradores, o português típico dos bairros de Lisboa. As relações entre a vizinhança, algo completamente perdido com a proliferação dos prédios e das casas tipo “caixas de fósforos”. Situações caricatas que fazem rir, descritas de forma que parece que vamos a passar lá na Rua.

E claro, uma história de amor, Nídia e Sérgio nas ruas da amargura, num casamento à beira do fim.

Recordações de uma rua condenada, em que desabam prédios e se perdem tradições. A evolução que aniquila a História. Gostei muito.

Sinopse

“Histórias do Fim da Rua, uma novela que decorre numa velha rua de Lisboa, condenada a desaparecer devido aos planos urbanísticos. O mesmo destino parece aguardar o casamento de Sérgio e Nídia, moradores recentes na casa nobre da artéria humilde. Os passos do romance ameaçado cruzam-se com os alvoroços e memórias dos habitantes de sempre, numa narrativa plena de sensibilidade e humor. Mais uma obra onde Mário Zambujal conduz o leitor ao riso, ao sorriso e à reflexão.”

Clube do Autor, 2012

 

Esta e outras opiniões em Roda dos Livros - Livros em Movimento.

publicado por marcia às 23:41
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013

Crónica dos Bons Malandros - Mário Zambujal - Opinião

Um livro que dispensa apresentações. Publicado pela primeira vez há mais de 30 anos, há muito que estava na minha lista de livros a ler.

Não desiludiu e cumpriu as minhas expetativas e objetivos; um livro de leitura rápida, interessante e divertido.

É o segundo livro que leio do autor. Apesar de ter começado por um dos mais recentes (Dama de Espadas), pude comprovar o que já imaginava ser o “estilo Mário Zambujal”. Uma escrita simples, de linguagem (muito) adequada ao meio e às personagens, com alguma ironia e bastante sátira.

Um livro que continua atual. Talvez, se fosse escrito agora, estes malandros estivessem dotados de equipamentos eletrónicos todos sofisticados. Mas malandros são malandros, seja em que época for.

Descrições dos malandros ao pormenor, desde a infância ao seu encontro e formação da quadrilha. Percursos tristes e desequilibrados, mas que de alguma maneira acabam por nos fazer rir. Assim segue a narrativa até ao desenlace final, quem é afinal o mais malandro de todos?

Recomendo e tenho mesmo de ler mais livros do Mário Zambujal.

Sinopse desta edição

“Sinto-me sequestrado por estes bons malandros". Aos livros que fui escrevendo, e outros que venha a escrever, não lhes valem possíveis méritos. Mais de trinta anos depois de saltarem à cena, sem outra pretensão do que fazer sorrir circunstanciais leitores, os bons malandros não arredam pé e ganharam a afeição de gerações sucessivas. Nada mais surpreendente, para quem lhes deu vida, esta longevidade que permite divertir jovens de hoje, tal como acontecera com seus pais e mesmo avós. Aqui se apresenta uma nova (e esmerada) edição de um livro que já galgou pelo cinema e pelo teatro e ameaça novos estrondosos cometimentos. Entretanto, o que o autor ambiciona é o mesmo de sempre: proporcionar prazer de leitura a quem se dispõe à descoberta das singulares aventuras destes bons malandros. Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino."”

Clube do Autor, 2011

publicado por marcia às 00:52
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Domingo, 4 de Novembro de 2012

Dama de Espadas, Cónica dos Loucos Amantes - Mário Zambujal - Opinião

Um dia de chuva e um bom livro acabadinho de comprar. Primeira vez que leio Mário Zambujal e o balanço é muito positivo, um dia perfeito de leitura. Chuva lá fora e um livro interessante, divertido, espirituoso até, e muito bem escrito. Fica a enorme vontade de conhecer toda a obra do autor.

“Dama de Espadas” é uma intriga romântica cheia de desencontros, um policial inspirado, uma comédia de costumes, uma narrativa agradavelmente previsível mas com um final inesperado. Surpreendeu-me até na forma como facilmente previ o que iria acontecer a seguir, pelo humor inteligente e pela habilidade em manter o interesse na leitura. O final, completamente imprevisível, para surpreender o leitor que, como eu, se convence que já sabe a história toda.

No centro do enredo está Filipe, jovem de paixões avassaladoras que passa anos a suspirar por Eva Teresa. Namorou com a irmã desta, Rosália, deixou que Eva casasse com outro, teve ele próprio uma relação duradoura com Graziela, mas sempre a suspirar por Eva; sempre a sonhar e a preparar o dia que finalmente ficariam juntos. Persistente e resiliente, Filipe tem o dom de se meter nas mais estranhas confusões. Determinado mas azarado, os acontecimentos da sua vida conspiram no sentido contrário aos seus desejos. De um modo surreal a sua vida profissional vai-se transformando de uma forma que o aproxima do objeto do seu desejo: Eva.

Escrito de forma inspirada e inspiradora, desde a utilização de palavras próprias à construção geral na narrativa, Mário Zambujal surpreendeu-me pela descrição de uma história simples enriquecida pela maneira como é contada. E claro, com um sentido de humor muito particular.

No mínimo genial! Altamente recomendado!

“A cama é a mais amável das peças de mobiliário, mesmo quando serve apenas para dormir. Todavia, o que torna as camas famosas é um historial de gente acordada."
“As paixões arrebatadoras são como o vinho das melhores castas: primeiro alegram, depois embriagam, um dia azedam.”

Sinopse

“Com o seu admirável ritmo narrativo e clareza de escrita salpicada de humor, Mário Zambujal apresenta-nos Eva Teresa, garota de onze anos, e Filipe, rapaz de dezoito, que namora com a irmã, Rosália. Há uma grande empatia entre a pequena e o futuro cunhado, mas a vida afasta-os com a viagem da família para o Brasil. Eva torna-se mulher e Filipe acaba por se apaixonar por ela, levando-o a viajar ao seu encontro. Entre episódios imprevisíveis que enlaçam mistério e comicidade, ambos só se reencontram em Sintra onde iniciam um romance atribulado. 
No seu estilo inconfundível, Mário Zambujal traz-nos uma obra em que se aliam a vontade de saborear cada passo da trama e o prazer da leitura.”

Clube do Autor, 2010

publicado por marcia às 01:38
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