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planetamarcia

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Fevereiro 25, 2012

Dias Tranquilos em Clichy - Henry Miller - Opinião

 

Movida mais pela curiosidade do que pelo verdadeiro interesse, dediquei-me à leitura deste pequeno livro (79 páginas), considerado um “Clássico da Literatura Erótica”.

Começo por colocar em causa o título, pois estes dias de tranquilos têm muito pouco, tal a constante sede de boémia, liberdade e, principalmente sexo, muito sexo.

Não achei particularmente erótico, na verdade não tem ponta de sensualidade, é uma descrição crua em que se chamam as coisas pelos nomes sem qualquer pudor. Confesso que me surpreendeu um pouco, mas na maioria das vezes me deu mais para rir do que para ficar enfim… com certos desejos…. O que eu acho que é suposto um livro erótico provocar, não vale a pena estar aqui com vergonhas.

Miller escreve bem. A nível literário as descrições excelentes e a narrativa fluida, fácil de acompanhar. Claro que a componente do sexo constante mantém o leitor curioso a cada virar de página. Dos encontros casuais às orgias, as personagens aproveitam todas as oportunidades para um “banquete” sexual sem qualquer preocupação. É um viver intenso, no limite, sem receio de experimentar seja o que for.

Mas por muito que eu escreva sobre este livro, nada se compara ao que a sua leitura proporciona, pelo que decidi transcrever um trecho que considero ser uma boa amostra do conteúdo do livro. Aconselho as pessoas mais sensíveis a terminar a leitura por aqui…

“Despi-me completamente, lavei a picha, para ser bem-educado, e deitei-me, tapando-me. O bidé era mesmo ao lado da cama. Quando acabou de se lavar, secou-se com a toalha fina e puída. Estiquei o braço e agarrei-lhe a gadelha desgrenhada, que ainda estava húmida. Ela empurrou-me, fazendo-me deitar e, inclinando-se, mergulhou com a boca quente e vermelha para o meu caralho. Enfiei-lhe um dedo, para a humedecer. Depois, pondo-a em cima de mim, enfiei-o todo. Tinha uma daquelas conas que nos servem como uma luva.” (pág. 14)

Uma pequeníssima amostra do que pode ser uma interessante leitura para este fim-de-semana!

Sinopse

“Dias Tranquilos em Clichyé a evocação nostálgica e poderosa dos anos em que Henry Miller viveu em Paris, uma época que viria a ter uma influência determinante na sua vida e em toda a sua obra. São os anos em que Miller é ainda um escritor jovem e obscuro, que celebra o amor, a arte e a vida boémia na cidade que, mais do que qualquer outra, o inspira. Os anos do início da sua longa amizade com Alfred Perles e das visitas ao bordel Club Melody. Um grande clássico da literatura erótica, que exalta o deleite inocente na sexualidade e o desejo de liberdade pessoal e artística.”

Editorial Presença, 2009