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planetamarcia

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Junho 26, 2011

O Dia que Faltava - Fabio Volo - Opinião

 

“Muito entusiasmada” era o meu estado ao iniciar “O Dia que Faltava”. Todas as referências que tenho deste livro são fantásticas, a crítica é muito positiva e os números das vendas em Itália são avassaladores. Confesso que a escrita me cativou, mas esperava deixar-me envolver mais no decorrer da leitura.

Fabio Volo é brilhante a “jogar” com as palavras. Utiliza uma linguagem corrente mas muito bem estruturada, com que nos identificamos logo. Tem rasgos de humor muito particulares que me agradaram. É como se estivéssemos a ler uma carta que um amigo nos escreveu: límpida, simples, mas nem por isso banal.

Conhecemos Giacomo, o seu dia-a-dia, os seus amigos. O seu passado vai sendo ocasionalmente revisitado de forma a dar a conhecer a quem lê esta personagem um tanto complexa, com crises, problemas, amores, desamores, reflexões e dúvidas. Se o amor pode surgir num eléctrico, sem palavras nem contactos para além de uma troca de olhares e sorrisos diários? É o que descobrimos com esta leitura, que explora a possível história de amor de Giacomo e Michela, companheiros diários de viagem no percurso para o emprego. Nela Giacomo revê diariamente a sua vida, os seus amores passados, sonha com o futuro… até que um dia Michela o aborda e lança a semente da dúvida em Giacomo do que poderá ser…ou não…

A partir deste ponto senti-me regressar a um filme que me diz muito e que durante muito tempo considerei um dos meus favoritos. “Antes de Amanhecer” ("Before Sunrise" no original) passou ao lado da maioria das pessoas mas é, para mim, um símbolo de que a vida é uma constante surpresa que nos oferece diariamente presentes que está nas nossas mãos viver e aproveitar.

Michela muda de país e Giacomo não deixa de pensar nela. Sabe onde ela está mas terá a coragem de a seguir? De a tentar conhecer de uma forma que nunca concretizou no eléctrico, onde todos os dias a vida lhe deu ocasião de se aproximar?

Este é um livro sobre a vida. Sobre a forma como a aproveitamos para ser felizes, como procuramos ou não o caminho que nos preenche e realiza. A forma como o amor pode ser um salto no vazio e também como, o que parece uma loucura, possa ser o passo a dar e revelar-se uma aposta certeira.

Só se vive uma vez e o nosso campo de manobra é limitado. Por vezes esquecemos que não vamos viver para sempre, que o tempo não é infinito e que o perdemos com dúvidas. Giacomo e Michela vivem intensamente porque sabem o dia e a hora em que tudo acaba. Será que acaba? Ou podemos desafiar a distância? Seja como for, um dia pode fazer a diferença. “O Dia que Faltava” pode fazer toda a diferença nas vidas de Michela e Giacomo.

Confesso que algumas passagens deste livro são para mim dispensáveis, apesar de servirem para o leitor “juntar as peças” na construção da personagem de Giacomo. Mas tenho de admitir, que uma vez concluída a leitura, este livro se revelou brilhante. Gostei muito.

Sinopse

“Durante cerca de dois meses, Giacomo e Michela encontram-se todos os dias de manhã no eléctrico, a caminho do trabalho. Não se falam, apenas trocam olhares, mas para Giacomo esse momento transforma-se rapidamente no mais importante do dia. Até que uma manhã, sem que nada o previsse, Michela aborda-o e convida-o para tomar café, somente para lhe dizer que vai partir para Nova Iorque e não se vão voltar a ver. Mas quanto tempo resistirá Giacomo a correr atrás de um sonho? Um romance que reflecte sobre os desafios do amor, da amizade e dos sonhos, e que se tornou um bestseller em Itália.”

Presença, 2011