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planetamarcia

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Setembro 07, 2015

Todos Devemos ser Feministas Chimamanda Ngozi Adichie - Opinião

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“Eu tinha catorze anos. Estávamos em casa dele, a discutir, ambos a fervilhar de opiniões imaturas, baseadas nas nossas leituras. Não me lembro exactamente do teor da conversa, mas recordo que estava a meio de uma argumentação quando Okolomo olhou para mim e disse: “Sabes uma coisa? És uma feminista!” Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele. Era como se dissesse: “És uma apoiante do terrorismo!” (Pág. 11/12);

“Naquele dia, quando cheguei a casa e procurei a palavra no dicionário, foi este o significado que encontrei: Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e económica entre os sexos.” (Pág. 47)

“O melhor exemplo de feminista que conheço é o meu irmão Kene, que também é um jovem amável, bonito e muito masculino. A meu ver, feminista é o homem ou a mulher que diz: “Sim, existe um problema de género ainda hoje e temos de o resolver, temos de melhorar.” Todos nós, mulheres e homens, temos de melhorar. “ (Pág. 48)

Não há muito a dizer acerca deste pequeno livro em género de ensaio. Dada a sua objectividade e clareza de ideias, apenas posso recomendar que o leiam, que lhe dediquem um pouco do vosso tempo para enriquecimento, para apurar um ponto de vista que deverá ser óbvio, mas não é. Ainda não é. Trata-se de uma versão da palestra que a autora deu em Dezembro de 2012, da qual deixo o vídeo.

De forma a ilustrar tudo o que foi dito e escrito, este livro inclui o conto “Casamenteiros”, um pedaço de narrativa espectacular, dentro do estilo que Chimamanda me tem vindo a habituar.

Desafio-vos a descobrir “Todos Devemos ser Feministas”, um livro que está mesmo a pedir que o ofereçam a toda a gente.

Sinopse

“"Peço-vos que sonhem e planeiem um mundo diferente. 
Um mundo mais justo. Um mundo de homens e mulheres mais felizes, mais fiéis a si mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos de criar as nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos de criar os nossos filhos de uma maneira diferente."
O que é que o feminismo significa hoje em dia?
Neste ensaio pessoal - adaptado de uma conferência TED - Chimamanda Ngozi Adichie apresenta uma definição única do feminismo no século XXI. A escritora parte da sua experiência pessoal para defender a inclusão e a consciência nesta admirável exploração sobre o que significa ser mulher nos dias de hoje. Um desafio lançado a mulheres e homens, porque todos devemos ser feministas.”

D. Quixote, 2015

Traduções de Simão Sampaio e Ana Saldanha

Março 31, 2013

A cor do hibisco - Chimamanda Ngozi Adichie - Opinião

 

A vida pelos olhos de Kambili. Observadora mas pouco conhecedora da realidade além da casa da família. Vive com os pais e o irmão. O mundo é o que o pai lhes diz que é. Regras rígidas baseadas num fundamentalismo religioso violento, que educa pelo medo e pela opressão.

Gosto de aprender com os livros, de conhecer outras culturas e realidades, de enquadrar a vida das personagens e comparar o que se passava, na mesma época, em outros locais do mundo.

A cor do hibisco é um livro poderoso, muito bem escrito, sobre a família, sobre a essência do que é ser uma família. Mas se é muito completo no que toca uma história bem contada, é francamente pobre no enquadramento cronológico e histórico. Confesso a minha ignorância sobre a História da Nigéria, desconheço as razões dos conflitos políticos na origem dos golpes de estado, assim como a sequência de datas e quais os acontecimentos mundiais contemporâneos da ação desta história.

Apesar de só depender de mim procurar informação e atualizar os meus conhecimentos, gosto quando um livro desempenha essa função. Senti que este livro foi escrito para os Nigerianos, para quem está familiarizado com hábitos religiosos e condicionantes políticas do país.

Mas este é o único ponto negativo que encontrei num livro que explora emoções e sentimentos que uma forma extremamente real. A família de Kambili é abastada. O pai é um importante membro da sociedade, admirado por muitos e sempre disposto a ajudar os mais necessitados. No entanto é um homem completamente entregue à religião. Aqui também verifiquei os meus parcos conhecimentos acerca deste país, da forma como me surpreendi por se tratar de uma família Cristã.

Nos bastidores de uma vida exemplar habita um homem que, apesar de ser reconhecido e apreciado pela comunidade, cria um ambiente de constante terror dentro da sua própria casa. Os padrões de exigência que estipula em relação aos filhos implicam castigos extremamente violentos se os seus planos não são cumpridos. Mãe e os dois filhos são escravos das vontades do pai mesmo vivendo rodeados de luxo e abastança. Inevitavelmente, quando Kambili se apercebe da realidade da vida dos primos que, apesar de enfrentarem duras provações financeiras, vivem num ambiente de alegria e verdadeiros laços de amizade, começa a colocar em causa a sua suposta vida ideal. 

Uma reflexão sobre o que realmente importa. Um tema já amplamente abordado mas que faz sempre pensar no que são (ou deveriam ser) as prioridades de todo e qualquer ser humano. Percorrer o caminho para ser livre e feliz.

A cor do hibisco é um relato sobre esse percurso de descoberta, sobre o alargar de horizontes, sobre colocar em causa o que até então se considerou suficiente, e querer acreditar que há toda uma realidade a descobrir para lá das limitações impostas.

Uma oportunidade de leitura que surgiu de forma inesperada para um livro que estava na minha lista há algum tempo. Gostei pela sua leitura empolgante e repleta de interesse. Recomendo e gostaria de “discutir” a autora e a sua obra com quem o leu ou vier a ler.

Sinopse

“Os limites do mundo da jovem Kambili são definidos pelos muros da luxuosa propriedade da família e pelas regras de um pai repressivo. O dia-a-dia é regulado por horários: rezar, dormir, estudar e rezar ainda mais. A sua vida é privilegiada mas o ambiente familiar é tudo menos harmonioso. O pai tem expectativas irreais para a mulher e os filhos, e pune-os severamente quando se mostram menos que perfeitos. Quando um golpe militar ameaça fazer desmoronar a Nigéria, o pai de Kambili envia-a, juntamente com o irmão, para casa da tia. É aí, nessa casa cheia de energia e riso, que ela descobre todo um novo mundo onde os livros não são proibidos, os aromas a caril e a noz-moscada impregnam o ar, e a alegria dos primos ecoa. Esta visita vai despertá-la para a vida e o amor e acabar de vez com o silêncio sufocante que a amordaçava. Mas a sua desobediência vai ter consequências inesperadas... Uma obra sobre a ânsia pela liberdade, o amor e o ódio, e a linha ténue que separa a infância da idade adulta, que marcou a estreia de uma escritora extraordinária.”

Asa, 2010