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planetamarcia

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Dezembro 11, 2016

Sete Anos Bons - Etgar Keret - Opinião

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Há livros que nos levam a outros livros. E há amigos que seguem essas pistas e nos contam, com a pompa que uma grande descoberta merece, que não podemos deixar de ler Etgar Keret.

Obrigada, Renata, por teres partilhado a descoberta. Apesar disso, só peguei na tradução brasileira de “Sete Anos Bons”, que já tinha, quando soube que a tradução portuguesa estava prestes a sair pela Editora Sextante. Foi uma leitura surpreendente e muito compensadora. Que, apesar de dar ares de superficialidade pela forma como aborda alguns temas, comove pela força com que arranca alguns ais.

Com uma ironia e um sentido de humor surpreendentes, Etgar Keret, levou-me em reflexões profundas sobre temas polémicos, com a velocidade e incisão dos seus contos curtos.

Adoro contos. Adoro a capacidade de síntese e o poder de exprimir um mundo de coisas num texto curto. Acho que é uma forma inteligente de deixar uma marca profunda. Keret coloca o dedo na ferida com meia dúzia de palavras e ainda deixa em quem lê um sorriso nos lábios. Citando o autor, o sentido de humor é a única arma dos mais fracos. A capacidade de comover, fazer pensar e, ao mesmo tempo, arrancar umas gargalhadas, não está ao alcance de todos.

São sete anos em que o autor partilha experiências pessoais. Sete anos que medeiam o nascimento do filho e a morte do pai. Sete anos bons por ter sido pai e filho ao mesmo tempo. Mesmo num país (Israel) constantemente debaixo de fogo. Como é que se convive com o medo constante e se remetem os receios para debaixo do tapete, vivendo o dia a dia profissional e familiar de modo “normal”? Como é que se escreve (tão bem), viaja pelo mundo, passa por cima das dificuldades e, acima de tudo, nunca se desiste de ser feliz? Há condicionantes que a maioria de nós, por não saber o que é viver toda a vida num país em guerra, pode sequer imaginar.

Não sei se o sentido de humor de Keret é genético ou se existe à venda em farmácias. Mas é uma forma admirável de abrir os olhos para o mundo todos os dias.

Espero que continue a ser traduzido em Portugal. Caso não seja, não será por isso que não lerei tudo o que estiver publicado.

Procurem-no e leiam. Em qualquer língua. Volto a referir que Sete Anos Bons já tem tradução portuguesa.

Sinopse (da tradução brasileira)

“Para sobreviver no olho do furacão, Keret, um "Judeu estressado", filho de poloneses sobreviventes do Holocausto, construiu um mundo de palavras, imaginação e inteligência. Sob sua pena afiada, a vida se desenrola como num teatro, entre seu pequeno filho Lev, um esperto manipulador, sua esposa, uma mulher, "imoral"; sua irmã ultraortodoxa; ou Uzi, o melhor amigo, idealizador de atividades imobiliárias um pouco suspeitas. Tudo de torna uma desculpa para sorrir: as longas viagens para apresentar leituras diante de cadeiras vazias, passeios de táxi assustadores, a emoção de ter o passaporte carimbado na Polônia e até o suposto arsenal nuclear iraniano. Que anos bons!”

Rocco

Tradução de Maira Parula

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