Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

planetamarcia

planetamarcia

Dezembro 20, 2014

Quatro Amigos - David Trueba - Opinião

Quatro Amigos.jpg

Gosto muito de David Trueba mas “Quatro Amigos” ficou aquém das minhas expectativas. Depois do grande favorito “Aberto Toda a Noite”, sobre a família, depois de “Saber Perder”, sobre a perda, segui para “Quatro Amigos”, sobre a amizade. Amizade entre quatro tipos imaturos e parvos que vão de férias juntos, sem destino definido, numa carrinha a cheirar a queijo, com propósito de se envolverem sexualmente com o número máximo de mulheres que conseguirem.

A habilidade humorística do Trueba de “Aberto toda a Noite” não teve uma concretização positiva neste livro. Ou então a minha veia humorística estava morta durante esta leitura. Esta quadrilha de parolos Madrilenos foge das suas vidas desgraçadas para uma viagem em que o poder da amizade os envolve em bebedeiras e figuras tristes. Humor fácil e pouco refinado, muito distante, volto a referir, do humor inteligente a cair para o negro de “Aberto toda a Noite”, o meu livro favorito do autor que, depois disto ascendeu a super-favorito.

Fui avançando na leitura apenas devido à excelente qualidade da escrita do autor, sem me interessar particularmente pelo enredo, que achei maçador, e nem mesmo as ocasionais reflexões sérias e mais profundas me trouxeram à superfície, nesta leitura assim-assim, que me fez sentir sempre debaixo de água.

Trueba escreve bem e sabe fazer melhor.

Sinopse

“Quatro amigos, decididos a queimar os últimos cartuchos de uma juventude que terminou, deixam para trás os seus trabalhos, famílias e problemas e improvisam uma viagem de férias por Espanha, sem destino. Quatro Amigos é o relato agridoce do final de uma era, de uma idade. David Trueba recupera, neste segundo romance, os temas e o tom que o caracterizam: as frustrações de uma geração e as amarguras do crescimento num tom contrastante entre a comédia e o romantismo, a ternura e o rancor. Um talento narrativo sem rival na nova literatura espanhola.”

Alfaguara, 2014

Tradução de Maria do Carmo Abreu