Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

planetamarcia

planetamarcia

Junho 08, 2016

Pena Capital - Robert Wilson - Opinião

penacapital.jpg

Já eram muitas as saudades de ler um bom policial. Pena Capital foi-me muito recomendado e esperava na estante há demasiado tempo.

Correspondeu exactamente às minhas expectativas, encontrei o esperado estilo sofisticado de Robert Wilson, a sua escrita cheia de classe que eleva o policial para outro patamar. Ler este livro foi um duplo reencontro, por um lado com um género que aprecio e que, por força de outras escolhas de leitura, tenho deixado para trás, por outro com um autor que admiro pela sua escrita envolvente e pela estrutura estudada dos seus romances.

Este não é um daqueles livros que escorre sangue, por isso talvez não seja o mais adequado para os fãs de histórias de psicopatas e serial killers, que procuram aquela adrenalina da leitura no limite. Pena Capital não é um page turner, não consome o leitor enquanto este não o termina. É antes um livro-companheiro a que desejamos voltar para seguir a história com atenção e aproveitar bons momentos de leitura.

Não se pode comparar ao fabuloso O Último Acto em Lisboa, do mesmo autor, que guardo como um dos meus policiais favoritos, nem o pretende ser, a meu ver. São tramas completamente diferentes, igualmente (e extraordinariamente) bem estruturadas. Contudo com propósitos distintos.

Em Pena Capital o leitor entra numa conspiração internacional a que vai puxando os fios a partir do rapto da filha de Frank D’Cruz, um actor/magnata/empresário indiano, e por onde se vai desenrolando um novelo de ligações a terrorismo, fraude e crime, descendo, por vezes, a locais muito negros da alma humana. Charles Boxer é um herói que mantém os leitores com os pés na terra, não tem atitudes de desenho animado e possui tantos defeitos como qualquer ser humano. Com um passado que merece ser descoberto, Boxer tem uma vida familiar desastrosa e profissionalmente é especialista em gestão e resolução raptos e resgates. Cabe-lhe a tarefa de garantir o regresso de Alyshia (a filha raptada) a casa, de preferência viva.

Logo no início Wilson oferece ao leitor português uma passagem (considerável e entusiasmante) numa zona conhecida de Lisboa, dando destaque e talvez uma pequena homenagem ao país que escolheu para viver (pelo menos da última vez que soube ele vivia em Portugal).

Este é o primeiro livro de uma trilogia, a que se segue Nunca me Encontrarão. No fim das quase quinhentas páginas de Pena Capital, e devido ao seu final habilmente suspenso, a vontade de passar ao livro seguinte é enorme. O meu está à espera na estante!

Sinopse

“Alyshia D’Cruz, filha do magnata indiano Francisco «Frank» D’Cruz, cresceu entre Londres e Mumbai, num meio privilegiado. Mas uma noite, depois de uma festa com muito álcool, Alyshia entra no táxi errado...
Charles Boxer, ex-militar e ex-polícia, encontrou a sua vocação na segurança privada. A sua especialidade: raptos e resgates. Mas é uma vida sem raízes, que não impressiona a filha adolescente, Amy, nem a mãe desta, a sargento-detetive Mercy Danquah.
Quando D’Cruz contrata Boxer para encontrar Alyshia, este percebe que o complicado império empresarial de Frank lhe valeu muitos inimigos. Apesar da imensa fortuna de D’Cruz, os raptores não querem dinheiro - preferem um jogo cruel e letal. Mas o governo do Reino Unido não quer que o seu novo grande investidor perca a filha no centro da capital. Agentes do MI6 na Índia seguem as pistas de Boxer e, quando o rasto se cruza com uma conspiração terrorista em Londres, depressa se torna aparente que não é apenas a vida de Alyshia que está em causa.
Para salvar Alyshia, Boxer tem de fintar fanáticos religiosos, mafiosos indianos e senhores do crime londrinos. Pena Capital é uma viagem arrepiante ao lado negro de pessoas e lugares que estão escondidos, à espera do momento certo para destruir uma vida.

D. Quixote, 2012

Tradução de Isabel Veríssimo

1 comentário

Comentar post