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planetamarcia

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Maio 18, 2014

Mal Nascer - Carlos Campaniço - Opinião

 

Depois de “Os Demónios de Álvaro Cobra” as expectativas eram muito altas com o novo romance de Carlos Campaniço. Por ter sido tão positivamente surpreendida pelo livro anterior, por me ter envolvido na narrativa de forma única, por o considerar um livro especial talvez mesmo genial, por tudo isto, não consegui ter a ligação com “Mal Nascer” que tanto desejava.

Gostei da história, gostei da forma como está contada, plena de realismo, com linguagem cuidada e adequada à época, mas senti falta dos rasgos delirantes de criatividade do autor. Campaniço é versátil, o que certamente lhe trará géneros diferentes de leitores, mas, quanto a mim, um livro marca por ser diferente, por me lembrar dele nas mais variadas horas do dia, por chegar a casa com vontade de regressar a esse local maravilhoso que me puxa pela imaginação, me provoca e me faz criar outros mundos.

Em “Mal Nascer” voltamos ao Alentejo com uma história triste e verdadeira, uma história de sofrimento e vingança, e com uma arrebatada história de amor. Bonito, muito bonito, mas com descrições duras sobre o trabalho infantil e as condições de vida da mulher, sempre sujeita à vontade dos homens, sem direito de falar, opinar ou ser. A violência doméstica como uma componente natural do casamento e da vida familiar. Vamos virando os séculos e a sensação que tenho é que as coisas não mudam tanto como deveriam.

Um livro por vezes duro, que poderá impressionar os mais sensíveis, mas que se socorre de uma lindíssima história de amor para acalmar (ou acicatar) os mais apaixonados.

Gostava de me ter envolvido de outra forma, se calhar histórias de amor arrebatado não são para mim.

Sinopse

“Santiago Barcelos - nascido Bento - regressa como médico à vila que deixou ainda menino. Não vem, porém, ao aconchego dos velhos rostos conhecidos. Na verdade, foge dos miguelistas que o perseguiam em Lisboa, escapa-se à teimosia da mulher do padrinho que o queria como amante e conta vingar-se de Albano Chagas, o homem que lhe arruinou a infância tomando-o como cúmplice na morte do seu primogénito. Os planos acabam, contudo, por gorar-se quando se apercebe de que não há vivalma que o reconheça e de que toda a vila subitamente o venera e se quer chegada ao seu convívio. Até a mulher de Albano Chagas acaba por pôr uma afilhada a ajudá-lo no consultório e a mão da própria filha à disposição.
Decidindo então adiar a revelação da sua identidade, o jovem médico terá mais tempo para chorar os seus mortos, tratar dos doentes e ajustar contas com os vivos; mas nem por isso cessará de se enredar em complicadas teias, não escapando a uma paixão proibida e avassaladora.
Alternando as memórias da infância com o presente agitado do protagonista, Mal Nascer é um romance magistral que combina uma história aliciante com um esmero de linguagem invulgar. Guardando surpresas até à última linha, a obra foi finalista do Prémio LeYa em 2013.”

Casa das Letras, 2014