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planetamarcia

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Agosto 18, 2014

E a noite roda - Alexandra Lucas Coelho - Opinião

 

Ando aqui há semanas a tentar alinhavar algo para escrever sobre este livro. Não que não tenha gostado, mas porque se calhar há livros assim. Que basta serem lidos e não é preciso que se diga ou escreva mais nada.

A verdade é que não me encheu as medidas. Mas agradou-me. O tema. O palco. A envolvência histórico-política. Um amor fortuito que aceitei, defendi e quis que durasse. Contra a razoabilidade, sem pensar na lógica, e alimentando expectativas fundamentadas em sonhos.

O amor. A guerra. Dois tipos de guerra.

“Parece-me sempre prodigioso entrar em Jerusalém, que tudo aquilo realmente exista, e eu tenha direito a estar lá.” (Pág. 21);

“Fazemos as perguntas dos estranhos sem nunca termos sido estranhos. Há dois diálogos a acontecer ao mesmo tempo. As palavras são as de quem não sabe o suficiente, o silêncio é o de quem sabe demasiado. A nossa intimidade fica a pairar, como se não soubesse para onde ir.” (Pág. 46);

Sinopse

“Ana e Léon conhecem-se em Jerusalém na véspera da morte de Yasser Arafat. Aí começa uma história que atravessa várias cidades e paisagens, da Faixa de Gaza à Mancha de Quixote, enquanto o mundo exterior se vai fechando num quarto sem saída.
«Toda a praça roda à minha volta e tu és um buraco negro. Então o sol dá-te em cheio. Estás encostado à fonte, depois da estátua de Giordano Bruno, que há 400 anos foi queimado por dizer que nós é que rodamos à volta do sol. Fumas uma cigarrilha, chamas-te Léon. És um desconhecido e és tu. Qual deles vais ser?»”

Tinta da China, 2012