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planetamarcia

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Maio 26, 2015

A Rapariga no Comboio - Paula Hawkins - Opinião

ARC A Rapariga no Comboio.JPG

A promessa de “leitura compulsiva” e “thriller absorvente, perturbador e arrepiante” não se cumpriu para mim. Fiz uma leitura diferente deste livro, pelo menos diferente do que estava à espera.

Na minha opinião os pontos fortes não são os de um comum policial, que faz o leitor salivar até ao fim na busca de pistas para encontrar um culpado. Neste livro as pistas estão lá, dadas, para quem as quiser seguir. O culpado revelou-se-me na página cento e trinta, como certamente se terá passado com outros leitores. Para mim, esse não é o ponto forte de “A Rapariga do Comboio”, nem sei se terá sido esse o principal propósito da autora ao escrevê-lo. Encaro-o como um livro que vai ao âmago das relações humanas, e coloca em cima da mesa temas como a confiança, e o seu abuso na manipulação das fraquezas dos outros.

Rachel, que viaja de comboio duas vezes por dia, de manhã e à noite, olha o mesmo mundo todos os dias. Sentada à janela observa o que os olhos lhe mostram e cria cenários de vidas perfeitas, de casais felizes que habitam nas moradias familiares que acompanham a linha. Felizes como ela já foi. Um passado de recordações coladas à memória como fumo. A memória de Rachel atormenta-a, abandona-a, esconde-lhe a verdade por lhe apagar momentos, por lhe trazer o passado a espaços, com falhas que vão sendo preenchidas à medida das suas inseguranças.

O que recorda pode enganá-la. A sua vida pode ser o que a queiram convencer que seja. Assim como a mentira, dita tantas vezes, passa a ser verdade, Rachel é o que acredita ser verdade. Deprimida, refugia-se na bebida e no apagão que esta lhe provoca. Quando a sensação de fuga da realidade acaba fica o vazio, a tentativa vã de preencher momentos, de saber como chegou a casa naquela noite, em acha que esteve no local onde possivelmente tudo aconteceu.

Um livro que não descobri de imediato mas que me desafiou a continuar. E, chegada ao final, é muito mais do que me parecia ser.

Agradeço à Topseller por me ter incluído no grupo de bloggers que recebeu um exemplar de avanço para opinar antes do livro chegar às livrarias. Parabéns pela coragem e por não terem medo de arriscar.

Aos que me lêem, recomendo que procurem “A Rapariga no Comboio” a partir de 8 de Junho.

Sinopse

“Todos os dias, Rachel apanha o comboio... No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.
Até que um dia... 
Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. 
Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.”

Topseller, 2015

Tradução de José João Leiria

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