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planetamarcia

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Agosto 23, 2015

A Louca da Casa - Rosa Montero - Opinião

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A necessidade de escrever. A experiência de escrever. Viver intensamente o que se escreve como se escrever um romance fosse habitar uma vida paralela que se afunila na vida real consumindo tudo.

Ler “A Louca da Casa” é entrar na espiral de loucura de escrever um romance, ou pelo menos, ter uma visão bastante real da necessidade de entrega à escrita. Mas, acima de tudo, da necessidade da necessidade de entrega, da constante sede de imaginar e criar. De, mesmo quando se está a ler, deixar a imaginação, a louca da casa, à solta, e reescrever linhas que se soltam sozinhas dos livros.

Disseram-me que não há nada que se compare ao tempo em que se está a escrever um romance. Nada como os anos que se dedicam a um projecto que permite uma fuga tão intensa. Nada como as saudades de voltar a esse lugar e começar tudo de novo. É isso que alimenta a fonte que seca no fim da viagem. A vontade de voltar. A necessidade de quem não pode viver sem querer cair mais uma vez nesse abismo.

“Tenho saudades de estar a escrever. De viver a pensar que saio do trabalho e vou escrever. De dedicar todos os minutos do meu dia, acordado ou a dormir, a imaginar o que vai acontecer.” Isto também me disseram.

Neste livro Rosa Montero convenceu-me definitivamente que é tudo verdade.

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O que mais gosto em ler livros emprestados é passar pelas linhas que foram do leitor anterior. Tentar perceber onde demorou mais tempo, comparar passagens favoritas através das marcas ou sublinhados. É descobrir, não só o livro, mas também os sentimentos que o livro provocou. O que menos gosto é a separação. É deixar ir um livro que já guardo num lugar especial. Que enchi de marcas daquilo que me encheu cá dentro.

Uma leitura Roda dos Livros – Livros em Movimento

Sinopse

“Um romance? Um ensaio? Uma autobiografia? A Louca da Casa é, em qualquer dos casos, a obra mais pessoal de Rosa Montero: uma viagem através do misterioso universo da fantasia, da criação artística e das recordações mais secretas da própria autora.
Rosa Montero empreende uma viagem ao mais profundo do seu ser através de um jogo narrativo pleno de surpresas, onde literatura e vida se misturam num cocktail afrodisíaco de biografias alheias e de autobiografia romanceada. E assim descobrimos, por exemplo, que Goethe adulava os poderosos, que Tolstoi era um energúmeno, que Rosa, ela própria, em criança, se julgava anã, e que, com vinte e três anos, manteve um extravagante e arrebatador romance com um actor famoso. Todavia, não devemos fiar-nos por completo em tudo o que a autora conta sobre si mesma: as recordações não são sempre o que parecem. Um livro sobre a fantasia e os sonhos, a loucura e a paixão, os medos e as dúvidas dos escritores – mas, também, de cada um de nós –, A Louca da Casa é, sobretudo, a tórrida história de amor que existe entre Rosa Montero e a sua própria imaginação.”

Asa, 2004

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