Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

planetamarcia

planetamarcia

Maio 30, 2013

O Físico - Noah Gordon - Opinião

 

“O Físico” é um livro bastante conhecido, já foi lido por grande parte das pessoas que conheço, e por várias vezes tive oportunidade de o adquirir. Contudo, sem que saiba explicar porquê, fui protelando esta leitura.

A primeira impressão acerca da edição que me chegou às mãos foi péssima, letras demasiado juntas dificultam a leitura e provocam cansaço a quem vê mal. Mais de quinhentas páginas nestas condições fez-me sinceramente ponderar recuar nesta ideia.

Decidi-me tentar. Sem grande compromisso nem expetativa.

Terminada a leitura só posso afirmar que se trata de um livro fabuloso; mesmo com dificuldade e amaldiçoando tais letrinhas, não pude parar. Um livro que nunca mais vou esquecer, pela odisseia que para mim foi lê-lo e também pela resistência e determinação que, a cada página, ma fazia superar tais dificuldades.

Esta é uma introdução (demasiado) egocêntrica, afinal devo escrever sobre o livro e não sobre mim. Mas a verdade é que o facto de o ter lido até ao fim, dadas as circunstâncias, e sempre com crescente interesse, coloca este livro num patamar elevado, é possivelmente um dos livros da minha vida.

Não me vou perder a contar a história de Rob Cole, a sua infância triste e dolorosa e a perda de toda a sua família próxima. Noah Gordon conta tudo de forma brilhante. Quero apenas que conste, para mim e para quem me quiser ler, que este livro é um ensinamento, uma aprendizagem constante de como pode ser a vida se dela quisermos sugar todas as oportunidades que nos oferece.

Rob tem um dom. Tem uma vocação. Mais do que a vontade de ser Físico, o que hoje equivaleria a ser médico, tem uma necessidade de aprender, uma sede de conhecimento constante que o consome e obriga a seguir em frente. Desde ajudante de um Barbeiro-Cirurgião ainda criança, até à concretização dos seus objetivos já adulto, Rob passa por muitas provações, supera dificuldades, abdica do amor e até da sua própria identidade para aprender.

Aprender. Algo tão simples que funciona como um motor de uma vida. Que me fez pensar que, atualmente há tanta gente que não quer aprender nada e se questiona por se sentir sem objetivos e orientação.

Rob não perde tempo com frustrações profissionais. Avança. A sua vontade inesgotável absorve as dificuldades. O medo não é suficientemente forte para o impedir de “pecar” de ir contra os temores religiosos da época, querer descobrir todos os mistérios do corpo humano no século XI é um desafio muito arriscado.

Rob viaja por meio mundo para aprender com quem já sabe. O conhecimento existente não o satisfaz e então pesquisa em segredo, indo contra os homens de fé e correndo riscos de ser acusado de bruxaria e sofrer de uma morte horrível.

Não há medo que o faça parar, a sua determinação é verdadeiramente inspiradora.

Altamente recomendado.

Uma leitura Roda dos Livros – Livros em Movimento.

Sinopse

No século XI, Rob Cole abandona com apenas onze anos a pobre e doente cidade de Londres para vaguear pela Inglaterra. Durante as suas deambulações, fazendo malabarismos e vendendo curas para os doentes, vai descobrindo a dimensão mística da sanação. E é através dessa peregrinação que descobre o seu verdadeiro dom, que o levará a converter-se em médico num mundo violento, cheio de superstições e preconceitos.

Tão forte é o seu sonho que decide empreender uma insólita e perigosa viagem à Pérsia, onde estudara na prestigiada escola de Avicena. Aí dar-se-á uma transformação que modificará para sempre a sua história e o seu destino…

Biblioteca Sábado, 2010

3 comentários

  • Imagem de perfil

    marcia

    29.12.15

    Olá Manuel,
    Obrigada pelo seu comentário. São estas coisas que, por vezes, arruínam uma leitura.
    Mesmo assim, e admito o meu desconhecimento desse facto, adorei este livro. É fascinante.
    Boas leituras!
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    17.01.16

    Vou a meio do livro e deparo com outro anacronismo grave. O texto refere a existência de bombons. Até onde eu consegui investigar o bombom é feito de chocolate, coisa que viria da América de que nem a existência se suspeitava. A referência a milho é perdoável porque havia um outro milho, não o que conhecemos agora e que também veio da América.
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.