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planetamarcia

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Maio 12, 2013

1937 O Atentado a Salazar. A frente popular em Portugal de João Madeira

 

O historiador João Madeira conta-nos, ao longo destas páginas, a extraordinária história, quase cinematográfica, do único atentado contra a vida de António de Oliveira Salazar. O atentado frustrado, a que Salazar escapou ileso, por pura sorte ou por milagre, acaba por favorecer o regime, com campanhas de propaganda, manifestações e artigos de jornais. Montou-se uma verdadeira caça ao homem, porque era preciso encontrar culpados, a todo o custo.

 

Domingo, 4 de julho de 1937, 10h20. Rua Barbosa du Bocage. António de Oliveira Salazar preparava-se para sair da sua viatura oficial, um Buick, frente à casa do seu amigo pessoal Josué Trocado, em cuja capela privativa costumava assistir à missa dominical. De repente, uma enorme explosão atroa os ares e esventra a rua. Fumo, pedras, lajes e placas voam pelos ares. Abre-se uma cratera larga e funda na rua. A perplexidade é total. Ouve-se gritos, gente que foge, pessoas que acorrem a ver o sucedido. Trocado precipita-se para a viatura. Ileso, sacudindo a poeira que o cobrira, o ditador sai da viatura pelo seu próprio pé, olha para os lados e aparentemente indiferente, frio, diz: «Vamos assistir à missa.» Esta é a extraordinária história, quase cinematográfica, do único atentado contra a vida de António de Oliveira Salazar, que o historiador João Madeira nos conta ao longo destas páginas. Reconstituindo factos, segue a investigação policial que imediatamente foi montada com exames, inspeções, denúncias e teses contraditórias e se torna numa verdadeira caça ao homem. É preciso encontrar culpados, a todo o custo. Surge então o fantástico «grupo terrorista» do Alto do Pina. Mas a trama é mais complexa do que parece. Este é um acontecimento que se enquadra no contexto da guerra civil de Espanha e das ações de solidariedade desenvolvidas pela Frente Popular Portuguesa em convergência com os anarquistas.

Os jornais da época, as conversas de boca em boca à saída das igrejas, todos falavam em milagre. Mas na realidade, uma sucessão de episódios de circunstâncias inesperadas e de erros, nomeadamente no fabrico do tubo metálico, demasiado curto, que serviria de bomba, fez com que esta detonasse em sentido contrário do local preciso onde o carro estacionara. Por pura sorte, António de Oliveira Salazar escaparia sem um arranhão deste atentado. No final, enquanto uns lhe pediam repouso, mantendo a pose bem afivelada, sorriu e respondeu «Como fiquei vivo terei de continuar a trabalhar».                                                                                        

João Madeira nasceu em Lisboa em 1955. Doutorado em História Institucional e Política Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa. Investigador do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Autor de Os Engenheiros de Almas. O Partido Comunista e os Intelectuais, Estampa, 1996; de Vítimas de Salazar (coordenação), Esfera dos Livros, 2007; Tribunais Políticos (em coautoria), Temas e Debates, 2009. Tem apresentado comunicações a colóquios, conferências e encontros no país e no estrangeiro; comissariado exposições e sido consultor em documentários para televisão. O Partido Comunista, as oposições ao Estado Novo e a violência política têm constituído temas de investigação a que se dedica.

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