Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

planetamarcia

planetamarcia

Setembro 16, 2009

Os Homens que Odeiam as Mulheres - Stieg Larsson

 

Cá está um livro que facilmente se poderia ter tornado uma desilusão dadas as elevadas expectativas que criei. Sim, confesso que me deixei levar pelas inúmeras opiniões positivas que recolhi, pela mística envolvida nos livros inacabados e na morte prematura do autor.

O que é certo é que adorei este “Os Homens que Odeiam as Mulheres”. Surpreendeu-me muito a forma como me manteve entusiasmada da primeira à última página.
Para mim não foi um livro muito compulsivo, confesso que tive algumas dificuldades que me obrigaram a ler algumas partes com muita calma. Como não queria deixar escapar nenhum pormenor cheguei a marcar algumas páginas que me iam parecendo mais importantes e onde fui voltando frequentes vezes. Tenho de admitir a minha dificuldade em memorizar os nomes das personagens, os nomes Suecos não fazem parte dos utilizados no meu dia-a-dia nem dos filmes ou séries que habitualmente vejo. Esta foi uma grande dificuldade, pois o livro tem dezenas de personagens, ao início todas ou quase todas suspeitas, com nomes francamente difíceis de memorizar.
Bom, mas estas situações obrigaram-me a uma atenção redobrada e uma concentração na leitura, o que foi francamente positivo.
Uma história bem construída, repleta de pormenores sórdidos e até por vezes doentios, muito abrangente ao nível social, histórico e humano. Adorei a personagem de Lisbeth Salander, penso que qualquer mulher que leia este livro terá forçosamente de a admirar pela sua coragem e determinação; num livro que fala de Homens que Odeiam as Mulheres, Lisbeth é destemida, determinada, fria e não admite injustiças; tem formas muito próprias de atingir os seus objectivos.
É sempre difícil comentar um policial pois tudo o que se possa dizer sobre a história ou sobre as personagens pode ser demais e, no caso deste livro, tudo são pistas, nada acontece sem um propósito.
Este livro é um desafio, são mais de 500 páginas de uma corrente condutora de adrenalina e de satisfação para os leitores mais exigentes.
Já tenho os volumes seguintes desta trilogia à espera para serem lidos e estou bastante expectante. Estou certa que não me vão desiludir.
Sinopse
 
“O jornalista de economia MIKAEL BLOMKVIST precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro HANS-ERIK WENNERSTÖM e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. HENRIK VANGER, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem LISBETH SALANDER. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.”
 
Críticas de imprensa

«Millennium não é um livro policial no sentido habitual do termo. O estilo de Stieg Larson é minucioso, detalhado, lento. Como se dispusera de todo o tempo do mundo para apresentar aos leitores as personagens e tudo o que as rodeia. Detalhes, pequenas histórias, situações paralelas, descrições exaustivas. Minúcia no detalhe, em suma. (...) O que resulta de toda esta minúcia são personagens (...) com uma profundidade inabitual que se movem num cenário opressivo, dominado por uma inquietação latente que vem do passado. E de repente, (...) não havendo uma percepção imediata de tal, a trama desenrola-se a uma velocidade manifestamente superior e demonstra que o detalhe, afinal, não foi demais: o que se tinha por difuso revela-se abominável, o que se tinha por suspeito surge como demoníaco. Nada era o que parecia. Era pior. É quando se descobre que o pormenor conta, que Stieg Larson sabia exactamente quando e como encaixar todas as peças de um imenso puzzle (...) Escrito e descrito com mestria, este primeiro volume de uma trilogia promete.»
Luís C. Marinha
 
«[Larsson cria] um retrato poderoso e fiel deste tempo conflituoso e inquietante em que as mulheres são abusadas e as crianças e animais sujeitas a violência e maus tratos. [...] apesar deste policial ser duro e feroz com os ingredientes que são próprios do género, a verdade é que o autor não negou a sua cultura, mostrando uma preocupação saudável em relação aos problemas de consciência social e política com um olhar extremamente perspicaz no que diz respeito às várias patologias da mente do homem e da mulher contemporâneos.»
Helena Vasconcelos, Público

 

4 comentários

Comentar post