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planetamarcia

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Janeiro 06, 2013

No Silêncio de Deus - Patrícia Reis - Opinião

Nada. Não escrevo nada. Não me lembro de tal me acontecer. De um livro me deixar sem palavras.

A minha opinião é muito positiva mas não sai. Acho que por ser tão abrangente como este livro não encontro forma de começar. Um pouco como Deus, se existe e é infinito por onde se começa a ter fé? Durante anos tenho acumulado dúvidas a respeito de Deus e tenho tanta dificuldade em falar sobre Ele como em escrever sobre este livro.

Fé e morte. Procura e busca. As palavras que estavam constantemente na minha cabeça durante esta leitura.

Não sei falar sobre este livro mas sei o que senti. Senti que pertencia, que entendia, que todos os mistérios, apesar de inexplicáveis, batiam certo. Que todas as procuras, mesmo viagens cujo sentido só se entende depois do regresso, tinham um propósito.

Que mesmo a morte nos pode levar a percorrer um caminho que, apesar de não ter volta, vale pelo percurso.

Tudo isto senti e vivi, explorei e meditei. Continuo descrente. Talvez menos descrente. Ou mais crente? Não sei explicar. Não sei nada. Será isto a fé?

Patrícia Reis tem “No Silêncio de Deus” uma escrita sublime. Desenvolve de uma forma colossal o talento de escrever pequenas frases com um mundo de ideias, uma imensidão de possibilidades, brinca entre o passado e o presente, coloca ideias profundas e dissertações metafísicas de forma hábil em simples conversas de café. Usa as personagens como um veículo de pensamentos e ideias de modo extraordinário.

Não há muito a dizer sobre as personagens ou as suas histórias de vida.

Vida, dor e morte. Comuns a qualquer existência.

O que conta é a forma como chega a nós, leitores. Muito bom.

Sinopse

“Um escritor descobre que está a morrer. Uma jornalista tenta desvendá-lo. Ambos procuram a redenção. Encenam uma fuga à realidade. Três cidades: Lisboa, Jerusalém, Amesterdão. E ainda uma prostituta, um barman, um médico homeopata. A possibilidade da salvação e a procura da humanidade. As falhas de cada um. O passado como identidade. Um fado. Vários livros. Dor e consternação. No fim, sem medo, uma ideia melhor.”

Dom Quixote, 2008