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planetamarcia

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Janeiro 01, 2013

O Anti-balanço

Volto a publicar um texto que foi escrito para meu blogue Fugir para Ler. Por ser adequado à data de hoje, ao final de um ano e começo de outro, decidi partilhá-lo aqui também.

Feliz 2013, com muitos e bons livros para ler!

Todos os anos, pelo final do ano, são divulgados inúmeros balanços, relatórios, pontuações e demais listas acerca de quase tudo o que de relevante se passou no ano que finda.

No meu caso estou mais atenta ao que se diz e escreve sobre livros. E muita coisa se relata. Nos blogues de livros é comum o balanço do número de livros lidos e as expetativas do número de livros a ler no ano prestes a começar. Depois há o ranking dos livros melhores, o favorito do ano e os que se lhe seguem.

Não é que ache mal e não pretendo opinar sobre tais descrições, eu própria já as fiz em anos anteriores. Mas este ano estou farta dessas contagens, pura e simplesmente não me apetece contar ou medir o número de palavras que li. Na verdade, este ano foram muitas as que deixei de ler, pelos vários livros que não concluí. Eliminei a culpa do livro inacabado, o peso na consciência de não ter levado uma leitura até ao fim. Se não me interessa deixo de lado, se não me emociona desisto. Há tantos livros bons à espera de serem lidos, que o tempo me ensinou a evitar torturas desnecessárias. O tempo que já passou e também o tempo que há-de vir, que não quero encurtar com leituras perdidas.

Gosto de poder dizer que li 52 livros num ano. Dá uma média de 1 livro por semana, o que me parece muito bom para quem, como eu, tem uma atividade profissional exigente e completamente descontextualizada dos livros. Sinto-me feliz por, mais um ano passado ter ultrapassado essa marca. Li pouco mais de 52 mas para mim é muito bom, não vale a pena empreender projetos megalómanos que só iriam acabar por me enlouquecer de frustração. Certamente iria acabar por ler à pressa esquecendo que o objetivo da leitura é enriquecimento interior, e não uma maratona ou competição com números de que acabaria por me tornar escrava.

Assim, em 2013, quero ler. Apenas ler com prazer e gosto livros que me marquem e façam feliz, livros que me ensinem e façam questionar. Quero ignorar rótulos e ler o que der vontade, de livros premiados a romances da treta, desde que cada virar de página me faça feliz.

Quero poder ler livros mais antigos, alguns que tenho na estante há anos e ainda não peguei porque se calhar cedo com facilidade a novidades, e me deixo levar por campanhas de marketing, capas bonitas e opiniões “exageradamente” boas. Fraquezas…afinal sou um ser humano.

Quero conhecer mais pessoas que gostem de livros, falar com elas e opinar, discutir e aprender. Descobrir novos autores. Ir a Feiras do Livro. Poder continuar a comprar livros, pelo menos de vez em quando, que só quem conhece este amor aos livros sabe a sensação de sair de uma livraria de mãos a abanar…

Quero ler melhor, em voz alta e em público, perdendo a vergonha e adquirindo técnica. E, acima de tudo, divertir-me ao fazê-lo. Por isso faço parte deste fantástico Clube de Leitura e desejo continuar.

E escrever. Escrever sobre livros, encher uma folha em branco de tudo o que senti ao ler um livro. O meu pequeno tributo escrito a esse objeto que me preenche enquanto leio, e que povoa a minha mente e os meus pensamentos mesmo nas horas que não estou a ler.

Quero ler sempre mais mesmo que o número de livros lidos seja cada ano menos. O que importa é o que fica, o que passa a fazer parte de mim.

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