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planetamarcia

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Dezembro 16, 2012

O Filho de Ninguém - Olivia Darko - Opinião

 

“O Filho de Ninguém” chegou até mim de forma peculiar. Confesso o meu desconhecimento total em relação ao livro, bem como do trabalho de Olivia Darko. O Facebook, essa fantástica ferramenta que prova o poder do boca-a-boca, trouxe até mim, de certa forma, este livro.

Agradeço desde já a Olivia, pseudónimo de Débora Afonso, a cortesia de me oferecer um exemplar. O livro não é extenso e li-o em pouco mais de uma hora. Confesso que a trama despertou o meu interesse, o que acelerou a leitura e a vontade de chegar ao fim.

Tenho particular prazer em apoiar os autores nacionais, divulgando o seu trabalho, principalmente os que estão em início de carreira e nem sempre (infelizmente) obtêm o reconhecimento merecido.

Fiquei agradavelmente surpreendida com esta leitura, cujo mistério é construído principalmente pelo perfil psicológico de Justino. Uma análise das suas ações diárias vai dando pistas ao leitor acerca do seu passado e da sua estranha relação com a mãe. Penso que neste ponto, o que eu possa avançar a explicar a história se pode tornar demasiado revelador. Pelo que prefiro recomendar que leiam este livro e tirem as vossas próprias conclusões. Contudo, não resisto a deixar aqui uma amostra do que está para vir; quanto a mim este início desperta o interesse de qualquer um:

“Mais cinco minutos e estaria acabado.
“No fundo, é uma pena…” – pensou, serpenteando as mãos pelos longos cabelos dourados da mulher deitada a seu lado. E enquanto ela sufocava lentamente, os seus dedos iam fazendo pequenos desenhos na poça de sangue que se tinha formado no chão. Aquilo seria complicado de limpar, mas desta vez não teria de se preocupar com isso. Por enquanto, ainda tinha alguns minutos com ela. Já quase não lhe ouvia a respiração, mas os olhos ainda tinham aquele brilho que o enervava!
Apertou mais o arame, o corpo dela arqueou-se momentaneamente e soltou um som gutural. Levantou-se, devagar, e olhou uma última vez para aquela massa inerte. De repente já não a achava tão bonita.”

Olivia tem talento, acho que não temos por cá muita gente a escrever policiais, o que espicaçou o meu interesse. A história, apesar de simples, está bem pensada e o facto de o livro ser pequeno ajuda a que não haja lugar a erros ou contradições; com o tempo e a experiência espero ler policiais de Olivia Darko mais longos, com mistérios mais densos e doentios, com polícia e ciência forense, mais pesquisa, mais sangue, mortes inexplicáveis e muito suspense. A imaginação e talento estão comprovados. O resto é trabalho.  

Cá fico à espera do próximo livro, expectante por acompanhar um percurso literário que prevejo de sucesso.

Sinopse

“Justino viveu isolado do mundo os primeiros 26 anos da sua vida, tendo apenas a mãe por companhia.
Quando faz a transição para a vida em sociedade, os lapsos de memória que sempre o tinham acompanhado recomeçam, mais fortes e menos espaçados, e assaltam-no memórias de vivências que não tem a certeza de serem reais, mas que se tornam cada vez mais vívidas e perturbadoras.
A aproximação de uma mulher, Sofia, provoca um turbilhão de emoções contraditórias que o conduzem a um caminho sem retorno, e o único fim possível acaba por ser a descoberta da terrível verdade que estava enterrada no seu subconsciente.”

Chiado Editora, Março 2012

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