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planetamarcia

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Agosto 30, 2009

A Solidão dos Números Primos - Paolo Giordano

 

Desde que este livro foi editado que tinha uma enorme curiosidade para o ler. Acho que tanto a história como o autor tiveram uma excelente promoção e uma campanha de divulgação extraordinária. Talvez por isso tanta gente tenha ficado interessada em conhecer a fundo esta história.

Confesso que achei o livro muito bem escrito. De facto, Paolo Giordano revela uma capacidade e desenvoltura literárias invulgares, principalmente sendo tão jovem, construindo uma história coerente e interessante.
Ficamos a conhecer profundamente as personagens principais, Alice e Mattia, os dois números primos, com histórias de vida de uma profundidade impressionantes. Bastante melancólico e real, “A solidão dos Números Primos”, deixou-me com uma sensação de tristeza e impotência perante alguns dramas bem reais da nossa sociedade actual.
Não posso esconder também alguma estranheza em relação a este livro, principalmente por achar que se limita a descrições de situações. Penso que livros deste género, que descrevem situações de vida que originam doenças de foro psiquiátrico/psicológico, deveriam/poderiam acrescentar algo que nos faça acreditar num caminho de recuperação. Esta história crua não nos dá grandes hipóteses, não que o ache errado ou certo, até porque nos dá uma visão muito real do problema, mas se calhar por ser uma pessoa que acredita em soluções, fiquei com esta sensação de vazio e tristeza.
Sem dúvida um livro que nos acorda os sentimentos, nos prende e, acima de tudo, alerta para dramas sociais muito actuais, que podem desenrolar-se mesmo ao nosso lado, ou até bater à nossa porta.
Recomendo a leitura mas com reservas aos mais emotivos/sensíveis.
Sinopse
“Alice é obrigada pelo pai a frequentar um curso de esqui para ser forte e competitiva, mas um acidente terrível deixará marcas no seu corpo para sempre. Mattia é um menino muito inteligente cuja irmã gémea é deficiente. Quando são convidados para uma festa de anos, ele deixa-a sozinha num banco de jardim e nunca mais torna a vê-la. Estes dois episódios irreversíveis marcarão a vida de ambos para sempre. Quando estes "números primos" se encontram são como gémeos, que partilham uma dor muda que mais ninguém pode compreender.”

«Este romance não deixará o leitor indiferente, pois aborda temas tão diversos como a crise de crescimento na adolescência, “a idade cruel”, o medo de viver e amar, o deserto vermelho das emoções, a sensação de culpa e remorso e a procura de redenção, num tom de melancólica empatia, rude e suave, nada sentimental.»

José Guardado Moreira, Expresso

«É um romance que se lê de um fôlego, todo ele cheio de silêncios que fazem avançar a história. Apesar de ser uma primeira obra, nada tem de defeituosa ou assimétrica.»
Isabel Coutinho, Público
 
Paolo Giordano nasceu em Turim em 1982, filho de um ginecologista e de uma professora de Inglês. Tem uma uma irmã, Cecilia, mais velha do que ele três anos. Licenciou-se em Física na Universidade de Turim, onde ganhou uma bolsa de doutoramento em Física de Partículas. Vive em San Mauro.
 
Bertrand, 2009

 

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