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planetamarcia

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Outubro 26, 2012

Dali e Eu, uma História Surreal- Stan Lauryssens - Opinião

Absolutamente surreal e estranho, este livro só não constituiu para mim uma surpresa na medida em que já tinha lido algumas opiniões que me “prepararam” para o seu conteúdo.

A vontade de o ler nesta altura surgiu no seguimento de uma recente viagem a Madrid; fui a algumas exposições e os quadros de Salvador Dali “lembraram-me” que este exemplar aguardava na minha estante.

Li relativamente rápido pois o livro é pequeno e o seu conteúdo algo chocante proporciona uma leitura a bom ritmo.

A vida de Dali foi excesso. Mas a não sei até que ponto os excessos descritos correspondem à verdade. Não só por em algumas situações me parecer mesmo demais, mas também porque todas as descrições são baseadas em conversas que o autor teve com outras pessoas que, supostamente, privaram com Salvador Dali. E já se sabe que “Quem conta um conto acrescenta um ponto”.

Mas isto no que refere à vida “privada” de Dali pois o objetivo principal deste livro, desta possível biografia de Stan Laureyssens é descrever a experiência do autor como negociante de arte, em exclusivo da arte de Dali.

Seja como for tudo me parece excessivo. As descrições das depravações sexuais de Dali e Gala são absolutamente surreais; Salvador Dali vivia, comia e dormia surrealismo. Achava-se um génio e agia com a excentricidade que achava dever atribuir-se aos seres especiais. Sedento de dinheiro foi o maior trapaceiro da sua própria obra, criando falsificações/cópias com a sua assinatura, levando a uma especulação monetária absolutamente irreal.

A mentira foi a maior arma utilizada por Stan Lauryssens, que se tornou negociante de arte por acaso e “especialista” em Dali sem saber nada de arte ou sequer conhecer a sua obra. Apenas sabia que Dali vendia e rendia. Descrições de como extorquir milhões a clientes a vender algo que não existe com promessas de rentabilidade inventadas, leva-me a concluir que há muitos ignorantes dispostos a aplicar o seu dinheiro em algo que esperam que lhes traga estatuto. Uma sucessão de futilidades que, com o tempo, se concretizaram em ameaças e mesmo na prisão de Stan.

Hábil na fuga e nas suas técnicas de vendas muito próprias, demonstra que um vigarista o é para sempre, e a sede de ganhar (muito) dinheiro merece que se corram grandes riscos.

Reforço a ideia de que questiono a veracidade de algumas descrições, pela perplexidade e espanto em que me deixaram. Mas a verdade é que este pequeno livro não está de todo mal escrito, apesar de não estar muito bem organizado cronologicamente, e vale pela forma como surpreende. Surrealismo em todas as páginas!

Sinopse

“Durante mais de uma década, Stan Lauryssens amealhou uma fortuna na qualidade de negociante de obras de Salvador Dalí. Os quadros que vendia eram de proveniência duvidosa, mas em breve Stan descobriria que a mais duvidosa de todas era o próprio Dali. À medida que os anos passavam e ele se aproximava do círculo íntimo do pintor, os bastidores de um mundo onde comércio e conspiração andam lado a lado eram-lhe revelados - assim como os segredos que permitiam a Dalí manter o seu extravagante estilo de vida muito depois de a sua criatividade ter começado a esmorecer…”

Presença, 2010