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planetamarcia

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Julho 19, 2009

O Caso das Mangas Explosivas - Mohamed Hanif

 

 Depois de já tanto se ter falado acerca deste livro, graças à sua excelente campanha de divulgação e promoção, iniciei a sua leitura com grande expectativa. Já tinha uma ideia formada do que esperar, o que nem sempre é positivo, mas confesso que “O Caso das Mangas Explosivas” é diferente de tudo o que li até agora.

Fruto de uma criatividade impressionante e muito bem escrito, transporta o leitor para uma sucessão de cenários que poderiam ter sido os últimos tempos da vida do General Zia. Uma sátira mordaz construída com pormenores da vida pessoal e pensamentos deste ditador que o colocam a ridículo, dadas as vezes que é “apanhado” nas redes de um sistema que ele próprio criou.
A escrita de Mohamed Hanif é simples mas cativante, acessível e bem construída. Personagens ricas cujas vidas nos vão sendo descritas a pouco e pouco sem receios de misturar épocas, a história vive muito de súbitos “regressos ao passado” que explicam algumas atitudes e factos.
Dos factos históricos reais apenas temos a morte do presidente paquistanês Zia ul-Haq num acidente aéreo em 17 de Agosto de 1988. Ou não? O que é verdade e o que é ficção? Até onde nos pode levar a teia da conspiração? Pelo autor não há limites. Para o leitor tudo é possível, é pegar neste livro e deixar-se levar pelo que foi escrito… e também para onde a imaginação quiser.
Adorei as descrições do modo de pensar de Zia, os seus medos e devaneios. As suas preocupações com a sua saúde e como seu casamento, a forma como olha para as mulheres e como vê os seus subordinados, o exército e o seu próprio país.
Tudo nos é relatado por Ali Shigri, cadete da Força Aérea, que passa por vários tormentos ao longo da história. De suspeito a prisioneiro mas ao mesmo tempo filho de um dos “mitos” do sistema, até que ponto Ali Shigri está envolvido nesta trama fatídica e poderá ser responsável na conspiração das mangas?
Leiam!
Sinopse
“No dia 17 de Agosto de 1988, o presidente paquistanês Zia ul-Haq morreu num acidente aéreo. No avião presidencial viajavam igualmente o chefe dos serviços secretos e o embaixador dos Estados Unidos. Não houve sobreviventes e, ainda hoje, a razão que levou à queda do avião continua envolta em mistério. O acidente ficou a dever-se a:
Falha mecânica?
Falha humana?
Impaciência da CIA?
Maldição de uma cega?
Generais descontentes com as suas pensões de reforma?
A estação das mangas?
Ou o responsável terá sido o próprio narrador, Ali Shigri, um jovem cadete da Força Aérea, que nos relata a sua participação nos acontecimentos?

Com um humor ácido e um ritmo trepidante, digno dos melhores thrillers políticos, Mohammed Hanif retrata sem contemplações os aspectos mais absurdos da vida militar durante os últimos dias de vida do cruel ditador Zia ul-Haq, expondo as manipulações de todos os implicados que, com a sua miopia política, contribuíram para o auge do fanatismo radical.

Um primeiro romance brilhante e audaz, que valeu ao autor ser nomeado para o Booker Prize e para o Guardian First Book Award e vencer, mais recentemente, o Commonwealth Writers Prize para a primeira obra.”
 
Porto Editora, 2009