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planetamarcia

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Dezembro 08, 2014

Vou Emigrar para o Meu País - Nuno Costa Santos - Opinião

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Além das leituras que vou iniciando e mantenho em casa, há sempre um livro que me acompanha para todo o lado, pois nunca se sabe quando surge a oportunidade de ler umas linhas. Este livro “portátil”, quando não é um e-book, é escolhido tendo em conta a dimensão e o peso, e também a temática.

Os livros de Crónicas são óptimos para esta função. Qualquer momento ou local é bom para cronicar. “Vou Emigrar para o Meu País” reúne textos sobre situações e pessoas com os quais nos identificamos. É o nosso Portugal como uma casinha onde todos moramos. Dia-a-dia de situações com que nos identificamos, da família aos amigos, do bairro onde vivemos aos colegas de trabalho, da vida profissional, ao casamento, aos filhos, ao trânsito, enfim, textos fáceis de ler e de gostar. Um livro a ler de sorriso nos lábios, que mesmo nos assuntos mais sérios nos deixa de bem com a vida.

Pessoalmente aprecio opiniões mais duras e acutilantes, Nuno Costa Santos é, como avisa no início, o “marginal ameno”. Por vezes soube-me a pouco, mas aprendi que é possível referir e denunciar situações de forma suave e amena, o que não é para todos. Gostei muito da companhia deste livro.

Sinopse

“"Apetecer" é um verbo demasiado leviano nestes tempos em que tudo tem de ser justificado, cada decisão deve ser fundamentada por uma data de estudos e previsões. Apetece-me uma coisa qualquer e vem logo um especialista com as suas opiniões sustentadas. Veja lá bem, pense duas, três, quatro vezes. Pior do que tudo, por me apetecer entro na categoria dos Tipos a Quem Apetece Esse Tipo de Coisa. Chegou a altura de ir para as janelas gritar que há estudos a mais. Ou por outra: os estudos são mais do que as mães e, tal como as mães, às vezes podem ser muito chatos.
Quero acreditar que Gaudi desenhou a Sagrada Família porque lhe apeteceu. Que Fernando Pessoa escreveu o poema Tabacaria porque lhe apeteceu. Que Deus, se existir (se calhar não lhe apetece existir, está no seu direito), criou o mundo e o Homem porque lhe apeteceu. Porque lhe deu na telha. E nada nem ninguém - nenhum estudo e nenhum especialista - tem alguma coisa a ver com isso.”

Escritório Editora, 2014

Dezembro 08, 2014

Coleção Vício dos Livros

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A Civilização Editora acaba de lançar uma nova coleção: Vício dos Livros.

A nova coleção reúne um conjunto selecionado de obras de alguns dos autores mais consagrados da literatura mundial, de Tolstoi a Twain e Jack London.

São obras intemporais que marcaram inúmeras gerações de leitores, seja pelos altos valores humanos nelas veiculados seja pelas aventuras que permitiram viver em prazentosas e infinitas horas de leitura. Muitas chegariam ao cinema e à televisão, caso de Robin dos Bosques, Mulherzinhas ou As Aventuras de Tom Sawyer.

São obras precursoras. Um livro como a Ilha do Tesouro, por exemplo, determinaria o arquétipo do pirata que ainda hoje povoa o nosso imaginário, o da perna de pau e papagaio ao ombro, bem como a imagem clássica que guardamos de um mapa do tesouro, sempre com um grande X a assinalar a localização de um baú cheio de ouro enterrado algures numa remota ilha tropical.

E é também entre estes clássicos que poderemos descobrir e apreciar a faceta de tradutor de um autor consagradíssimo como Eça de Queirós, que traduziu e adaptou superiormente As Minas de Salomão. Em suma, grandes livros para infinitas horas de leitura.

Dezembro 06, 2014

Marcador - O Cavalheiro Inglês, de Carla M. Soares

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PORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia.

Os ingleses que ainda permanecem em Portugal não são amados. O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.

Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa narrativa recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família portuguesa.

NO SEIO DE UMA FAMÍLIA, HÁ CORAÇÕES QUE SE AGITAM ENTRE O CURSO DA HISTÓRIA E O IRRESISTÍVEL PERFUME DOS LIVROS.

Carla M. Soares nasceu em Moçâmedes em 1971. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras de Lisboa e tornou-se professora. Tem um mestrado em Estudos Americanos. A tese de doutoramento em História da Arte, começada na Faculdade onde se formou, aguarda dias mais tranquilos para uma conclusão cuidada. Publicou em 2012 o romance de época Alma Rebelde, com a Porto Editora, e embarcou em 2014 na aventura digital, publicando o romance A Chama ao Vento, com a Coolbooks.

Dezembro 01, 2014

Passatempo de Natal - As Estrelas Brilham na Cidade + 1000 Corações Autocolantes, com Atividades e Jogos

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O planetamarcia apresenta mais um passatempo.

Em época Natalícia e com o apoio da Editorial Presença, que desde já agradeço, podem ganhar 1 pack de 2 livros para aquecer o Natal de um adulto e de uma criança:

As Estrelas Brilham na Cidade, de Laura Moriarty + 1000 Corações Autocolantes, com Atividades e Jogos, de Ellie Fahy.

Só têm de dizer qual a nacionalidade da autora, Laura Moriarty.

E se forem o/a vencedor(a)? Partilhem qual a criança sortuda a quem vão oferecer o livro infantil. Posso garantir que o livro é um doce. O meu exemplar vai para a minha sobrinha Francisca!

O Passatempo decorre até às 23h59 do próximo dia 21 de Dezembro.

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As respostas deverão ser enviadas para o e-mail marciafb@net.sapo.pt , sempre com informação de nome e morada. O nome do premiado será anunciado aqui no blogue; o vencedor será também informado por e-mail.

Serão apenas aceites participações de residentes em Portugal, e uma por participante e residência.

Podem pesquisar aqui e aqui.

O envio do prémio é da responsabilidade da Editorial Presença.

Boa sorte a todos! Participem!

Para mais informações consultem o site da Editorial Presença aqui.

Dezembro 01, 2014

O Tempo Morto é um Bom Lugar - Manuel Jorge Marmelo - Opinião

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É-me difícil explicar porque gostei tanto deste livro. Uma espécie de policial com uma enorme componente de mistério em redor da morte de Soraya Évora, celebridade instantânea de um programa de televisão.

Está mais que visto que há uma análise crítica muito interessante a tais programas de entretenimento, aos participantes, e a toda uma produção de fogo-de-artifício em redor de pessoas completamente desinteressantes. Gostei desta parte mas não me encheu as medidas. Não tanto como Herculano Vermelho que verdadeiramente alimentou o meu interesse neste livro. Jornalista desempregado, descontente, zangado e revoltado com a vida, vai para a prisão acusado de assassinar Soraya Évora, a tal celebridade, com quem se envolveu durante o processo de escrever a sua autobiografia. Herculano, escritor-fantasma da autobiografia de Soraya (que mal sabe ler, quanto mais escrever), dá com ela morta na sua cama.

Não se lembra de a matar, acha que não o fez, mas não se importa de ficar com as culpas. Gosta de estar preso, e sente-se menos preso na prisão do que se sentia cá fora. O conceito de liberdade é muito interessante e, se começarmos a pensar que a maioria de nós está fora da prisão mas tem os passos todos controlados, no trabalho fazemos o que nos mandam, contrariados, muitas vezes sabendo que é errado, mas fazemos. Ordens, regras, horários, despesas, impostos, conviver com pessoas que não gostamos, não escolhemos e nos são impostas todos os dias.

Facilmente a face negra da vida toma uma proporção assustadora se não houver equilíbrio com as coisas que nos fazem felizes. E todos sabemos como há dias em que tudo é tão mau que nem nos lembramos que há coisas que nos fazem felizes.

Atraem-me as teorias de Herculano, encarcerado e feliz, sentindo-se livre longe de tudo e de todos. Transforma o tempo morto num tempo positivo de reflexão e escrita. Se o resultado lhe é benéfico? Não posso revelar o final do livro. No entanto o importante aqui não é chegar ao fim para saber o que aconteceu, quem morreu, quem viveu ou quem matou. Aqui importa o percurso. A escrita é deliciosa e marcante; implacável com uma actualidade que nos mata todos os dias um bocadinho mais. A nós que somos livres.

E assim fiquei agarrada ao Herculano, aos seus pensamentos e delírios distópicos, no lugar do tempo morto onde finalmente escreve como se estivesse vivo.

Genial. Um autor a seguir.

“Deixei há muito tempo de gostar de gente. Existe um ou outro indivíduo notável, mas, em conjunto, as pessoas são uma massa lamentável. (…) Não gostando de gente, é natural que termine os meus dias amargo – como deviam ser todas as pessoas desiludidas com a espécie que lhes calhou pertencer. Se puder ficar no estabelecimento prisional, tanto melhor. Estou protegido da carneirada e ser-me-á muito menos penoso estar preso do que ter de voltar a comportar-me como os outros indivíduos do mundo, cumprindo as mesma regras cínicas, vivendo de acordo com os mesmos preceitos hipócritas. Não preciso, aqui de ser cortês, educado, polido ou simpático com sujeitos que me repugnam, e posso muito bem ignorar que existem. É como se tivessem sido apagados do mundo. Não os vejo, logo não perco tempo a execrá-los, nem estrago o meu humor com isso.” (Pág.76 e 77);

“A consciência não é, afinal, mais do que uma invenção moral, um puro conceito abstracto que qualquer indivíduo habituado a prejudicar o seu semelhante pode perfeitamente dispensar.” (Pág. 124)

Sinopse

“Depois de acordar ao lado do cadáver de Soraya - a mestiça belíssima, estrela televisiva, com quem mantinha uma relação íntima a pretexto de lhe escrever a autobiografia -, o jornalista desempregado Herculano Vermelho entrega-se à polícia e é preso. Não tem memória de nada, nem de que possa ter sido ele a matar a jovem mulher, mas a prisão parece-lhe ser o lugar ideal, o espaço de sossego e de liberdade (sem contas para pagar, sem apresentações regulares no centro de emprego, sem pressões de qualquer espécie), para passar a sua vida em revista, a relação com as mulheres, e escrever a autobiografia da rapariga morta.”

Quetzal, 2014

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