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planetamarcia

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Setembro 17, 2014

TOPSELLER: "O Segredo dos Tudor" - Mistério, intrigas, perseguições, assassínios e... corrupção

 

No verão de 1553, Brendan Prescott é chamado à corte inglesa dos Tudor para se tornar escudeiro de Robert Dudley. Na mesma noite em que chega à corte, Lorde Robert encarrega-o de entregar secretamente um anel à princesa Isabel.

Frente a frente com a emblemática princesa, e depois de ela se recusar a aceitar a joia, o jovem escudeiro percebe que se encontra no meio de uma trama de conspirações e mentiras. Os Dudley planeiam uma traição mortal contra o rei Eduardo VI e as suas duas irmãs — Maria e Isabel — com um único fim: chegar ao trono.

Destemido e convicto de que o que vai fazer é o melhor para Inglaterra, Brendan Prescott alia-se a Isabel e aos seus protetores. Torna-se assim um agente duplo em defesa da coroa, contra a ambição desmedida dos Dudley.

O Segredo dos Tudor (352 pp, 20,99€) é uma obra com um enredo misterioso envolto em intrigas, perseguições, assassínios e corrupção. Uma história que esconde um segredo muito mais perigoso e mortal do que ele alguma vez poderia imaginar.

C. W. Gortner possui um mestrado em Escrita na especialidade de Estudos Renascentistas, pelo New College of California. Os seus romances históricos, sempre fruto de intenso trabalho de pesquisa, têm-lhe granjeado elogios por parte da crítica internacional. Já foram traduzidos para 21 línguas com mais de 400 mil exemplares vendidos. De ascendência espanhola, C. W. Gortner vive atualmente na Califórnia. 

Setembro 15, 2014

A Improvável Viagem de Harold Fry - Rachel Joyce - Opinião

 

Harold sai um dia de casa para levar uma carta ao correio e faz uma caminhada de mil quilómetros. Decidiu entregar a carta pessoalmente, caminhando até ao destino.

Surpreendente? Foi o que achei. Pelo menos no início do livro. Quer dizer, continuei sempre a achar surpreendente, irreal e um bocado louco. É altamente improvável que Harold, sexagenário, pudesse atravessar a Inglaterra a pé, com calçado e roupa do dia-a-dia, e sem qualquer preparação física.

Mas, nesta sucessão de absurdos, a leitura vai prosseguindo, devagar como a caminhada de Harold, sem fé e ao acaso de início, mas acreditando nos seus propósitos a cada passo.

Entendi esta viagem como um percurso interior. Uma viagem ao passado pela terapia da caminhada e da solidão. Harold partilha pensamentos com o leitor, logo me apercebi de uma grande necessidade de superar e fazer pazes com o passado. A viagem para visitar e “salvar” uma amiga da morte é uma desculpa para fugir da tristeza em que vive. Saberemos o que atormenta Harold há tantos anos. Um passo de cada vez.

Esta análise do passado e busca de redenção é uma ideia óbvia, a cair no lugar-comum. A ideia de expiação associada às dificuldades do percurso, quer seja por enfrentar a intempérie, por aguentar as bolhas dos pés sem tratamento, por dormir ao relento ou onde calhar, é pouco original. Mas o certo é que resulta. Li o livro até ao fim respeitando o ritmo de Harold. Senti a paz do desenvolvimento lento da narrativa, a certeza de revelações futuras deu-me temperança de ler com calma.

Um livro que tem o propósito de trazer fé. De aliviar e apaziguar. Como que nos sussurra “vai ficar tudo bem”. O sucesso deste propósito depende, contudo, da disposição que quem lê tem de se deixar levar.

Uma reflexão sobre o efeito que a força de acreditar pode ter.

Gostei. Mas esperava mais.

“ Eu não sou melhor do que qualquer outra pessoa. A sério que não. Qualquer pessoa pode fazer o que eu estou a fazer. Mas temos de nos libertar das coisas. Eu não sabia no início, mas agora sei. Temos de nos libertar das coisas de que julgamos precisar, como os cartões de crédito e os telemóveis e os mapas e montes de outras coisas. – Os olhos dele brilhavam e o seu sorriso mantinha-se imenso.” (Pág. 238)

Sinopse

“Para Harold Fry os dias são todos iguais. Nada acontece na pequena aldeia onde vive com a mulher Maureen, que se irrita com quase tudo o que ele faz. Até que uma carta vem mudar tudo: Queenie Hennessy, uma amiga de longa data que não vê há vinte anos, e que está agora doente numa casa de saúde, decide dar notícias. Harold responde-lhe rapidamente e sai para colocar a carta no marco do correio. No entanto, está longe de imaginar que este curto percurso terminará mil quilómetros e 87 dias depois. E assim começa esta improvável viagem de Harold Fry. Uma viagem que vai alterar a sua vida, que o fará descobrir os seus verdadeiros anseios há tanto adormecidos e sobretudo vai ajudá-lo a exorcizar os seus fantasmas.”

Porto Editora, 2014

Setembro 12, 2014

No Céu não há Limões - Sandro William Junqueira - Opinião

 

Seria mais fácil escrever sobre “No Céu não há Limões” se a leitura me tivesse desagradado. Há semanas que virei a última página e sinto dificuldade em expressar qualquer opinião.

É difícil dizer que se gosta do que não se entende por inteiro, e que se imagina que o que não se entende podem ser coisas nossas, só para entender, para fazer sentido.

Tudo neste livro pode ser estranho e fazer toda a lógica. Depende da forma como se olha. Mas não é assim sempre? Em tudo? Uma escolha?

Profundamente reflexivo e pessoal, o início e o fim são secundarizados pelo conteúdo, como uma viagem que não quis terminar, um percurso que quero repetir, e sei que de cada vez irei a lugares novos.

Possivelmente distópico. Extraordinariamente especulativo. O grotesco que, ao invés de repelir, atrai. É-me mais fácil sentir atracção pelas descrições feias, duras, levadas a extremos pela habilidade de quem escreve, do que por contos felizes que não magoam nem arranham no sítio onde sentimos as coisas. Porque quando nos dói faz pensar, relacionar, observar cada dia um pouco mais, de várias perspectivas, até entender que mais importante do que chegar é viver a caminhada.

Personagens únicas mas que na verdade podem ser tantas pessoas, mais fortes esmagam os mais fracos, poder levado a extremos de controlo e manipulação, traição e outros meios para atingir fins. Um laboratório de estudo da natureza humana no limite, que se converte numa natureza ilimitada, num assustador tudo é possível, descendo ao banal “salve-se quem puder”.

Um livro que me ofereceu liberdade para pensar.

Extraordinariamente bem escrito. Cru. Limpo. Sem artifícios desnecessários. Sem dor suavizada.

E termino. Sentindo que quem me lê não entenderá nada mas que disse quase tudo.

Sinopse

“No Céu não Há Limões descreve um mundo em guerra entre o Norte rico e o Sul pobre, em que os pobres do Sul tentam por todos os meios ter acesso ao bem-estar do Norte, e os do Norte usam de todos os meios para conservar a sua riqueza só para si.
Sandro William Junqueira não apresenta soluções, mas à medida que o livro se aproxima do final uma personagem se destaca - o padre -, procurando uma saída. Será esta uma saída?
O autor não dá a resposta. A resposta fica com cada um de nós, porque este é o nosso mundo.”

Caminho, 2014

Setembro 12, 2014

D. Quixote - O Anjo Negro, de Antonio Tabucchi

 

Um admirável conjunto de seis contos, que de algum modo retratam o lado negro da alma humana: a cobardia, a traição, a prepotência, a vaidade.

Um dos contos, «Noite, mar ou distância» passa-se em Lisboa, em 1969, e remete, sem o dizer, para um célebre poema de Alexandre O’Neill «Sigamos o Cherne» e para uma Lisboa sombria nos anos finais da ditadura.

Na sua nota introdutória, Antonio Tabucchi define assim os anjos que lhe inspiraram estes contos: «Os anjos são seres difíceis, principalmente os da espécie de que se fala neste livro. Não têm penas macias, têm um pelame ralo, que pica.»

Nas livrarias a 16 de Setembro

Setembro 11, 2014

D. Quixote - O Que Nos Separa dos Outros Por Causa de Um Copo de Whisky, de Patrícia Reis

 

Um homem está sozinho num bar, em Macau. Longe da pátria, mas afogado no whisky e nas memórias – pequenos momentos, frases, acontecimentos que vão derretendo como o gelo no fundo do copo. A sua interlocutora imaginária é a mulher estranha que está do outro lado do balcão. Uma mulher que lhe parece ser uma potencial salvação, mas que se torna apenas o eco do seu monólogo interior. Ela não sabe quem ele é e tão-pouco falam o mesmo idioma. Raramente o encara. Ele continua a contar-lhe a sua história de vida. Por pedaços. De forma não-linear. Ao mesmo tempo, inventa-lhe diversos cenários. Será ela alguém que, como o personagem principal, é um acumular de histórias ou de banalidades?

Esta novela, vencedora do Prémio Nacional de Literatura Lions Portugal 2013-2014, é uma nova forma de trabalhar o discurso interno, as memórias, sempre com a indicação de uma certa polifonia, já habitual nos livros de Patrícia Reis.

Nas livrarias a 16 de Setembro

Setembro 09, 2014

Em breve nas livrarias, já disponível online: «Os Meus Sentimentos», de Dulce Maria Cardoso, em nova edição

 

«Um romance admirável de observação da decadência, das regras, venenos inocentes, escapismos, pequenas maldades de uma família moldada pelos hábitos do regime deposto no 25 de Abril.» — Urbano Tavares Rodrigues

É uma noite de temporal. A noite do acidente. Há uma gota de água suspensa num estilhaço de vidro que teima em não cair. Há um instante que se eterniza.
Reflectida na gota, Violeta mergulha nessa eternidade e recorda aquele que pode ter sido o último dia da sua vida. Na verdade, as memórias desse dia contam toda a sua história: os pais, a filha, a criada, o bastardo, e em todos a urgência da vida, que prossegue indiferente, como a estrada de onde ainda agora se despistou. Nessa posição instável, de cabeça para baixo, presa pelo cinto de segurança, parece que tudo se desamarra.
O presente perde a opacidade com que o quotidiano o resguarda e Violeta afunda-se nos passados de que é feita, uma espiral alucinada de transparências e ecos.

Dulce Maria Cardoso publicou em 2001 o seu romance de estreia, Campo de Sangue, Grande Prémio Acontece. Desde então publicou os romances Os Meus Sentimentos, Prémio da União Europeia para a Literatura, O Chão dos Pardais, Prémio Pen Club, e O Retorno. É autora de duas antologias de contos, Até Nós e Tudo São Histórias de Amor, e de dois livros infantis, na colecção A Bíblia de Lôá. A sua obra está publicada em dezenas de países. Alguns dos seus contos e romances foram adaptados ou encontram-se em fase de adaptação para cinema e teatro. 

pvp: 18 euros
pvp online: 16.2 euros

Setembro 07, 2014

Diário de um Quiosque - Pedro Xavier Silva - Opinião

 

Há vários motivos que fazem com que um livro leve muito tempo a ser lido. Mas podem resumir-se a dois: ser uma seca monumental ou porque o leitor não quer que o livro termine.

“Diário de um Quiosque” lê-se num dia. Eu demorei quase um mês. Estive literalmente a “fazer render”. Demorei pela razão certa portanto.

Sendo um livro de pequenas crónicas pode ler-se em qualquer lugar. Li vários livros durante a leitura das aventuras do quiosque, ri bastante, foi uma viagem muito boa não só a um quiosque que até conheço, mas também à minha cidade, Figueira da Foz.

Os livros fazem-nos criar cenários. Aqui a coisa funcionou ao contrário. Não consigo imaginar um cenário que sei que existe, e ainda por cima conheço. Então foi mais uma sucessão de acontecimentos que consegui imaginar perfeitamente, pelo menos a nível do espaço. Foi muito fácil imaginar o taxista a entrar pela porta de trás do quiosque, pela localização da praça dos táxis. Por outro lado, saber que o quiosque tem um porão, foi uma completa surpresa.

Mas tudo isto é secundário perante o desfilar dos acontecimentos. Escrito com um sentido de humor que apreciei, por não ser demasiado fácil, com uma ironia subtil, mas na medida certa, este diário é um milagre para os dias que custam a passar e um presente para todos os outros.

Desconfio sempre dos livros da Chiado Editora. Se calhar ando a perder grandes leituras por causa deste preconceito, mas a ideia que tenho é de que são livros sem qualidade, por grande parte das vezes se tratarem de edições de autor, com revisões pouco cuidadas, ou sem revisão sequer. Daí me ter surpreendido com as poucas gralhas que encontrei neste livro. São poucas e pouco graves. A revisão foi feita pelo autor. Perante isto só posso dizer: Bom trabalho Pedro!

E escrita é simples e objectiva, sem floreados nem invenções. Agrada-me. Não há cá pretensões. É humor de qualidade, bem conseguido e, acima de tudo, bem apanhado em situações do dia-a-dia. E convenhamos que situações caricatas não devem faltar neste tipo de negócio, foi inteligente a divulgação no blogue e no facebook, e agora no melhor veículo de leitura jamais inventado: o livro.

Este diário começa em 2007 e termina em 2013. Seis anos em que se nota um apuramento do sentido crítico, melhoria do sentido de humor e refinamento da ironia. Esta evolução é francamente notória a partir do meio do livro. Um percurso de aperfeiçoamento e aprendizagem de um escritor que penso estar em forma para continuar a analisar e a divagar, de modo peculiar, acerca do quotidiano.

Sinopse

“Do interior da grandeza dos seus escassos 6 metros quadrados, há um quiosque que não se limita a vender jornais e revistas. Soltando-se do rótulo de típico elemento urbanístico, ultrapassando o seu complexo de inferioridade, conquistando vida própria e adquirindo a personalidade que só os pequenos-grandes quiosques ousam almejar, há um quiosque que retrata em palavras o que vive à sua volta. Um quiosque pequeno, é certo, mas com sentimentos. A provar o que todos sabiam mas que ninguém ousara ainda afirmar: os quiosques também têm diários. "Por vezes sinto-me obrigado a desconfiar que tudo isto não passa de um super big brother, uma mega produção de apanhados que irá para o ar dentro em breve. De facto, as peças começam a encaixar. A forma entusiástica como literalmente me empurraram para o negócio, numa altura em que duvidava da sua viabilidade, mas que mesmo assim me fizeram avançar. O senhor que na falta do Expresso, levou o Jornal do Sexo. A velhinha que à força me queria comprar um saco de milho. O puto que se barricou dentro do quiosque, numa tentativa desesperada e fracassada de escapar a uns tabefes do pai. O dia em que a M., nos poucos minutos que me substituiu, despachou toda a remessa do jornal Ocasião, pensando tratar-se de um jornal de anúncios gratuito. O contingente da EDP que procurava luz e descobriu um porão. Enfim, há aqui material mais que suficiente para um pack de 12 episódios de apanhados, em que o apanhado sou eu. Agora é tarde. Assim de repente, relembro as vezes em que levei o dedo ao nariz (por vezes dois dedos!), em que anulei comichões abaixo da cintura, em que persegui rabos com o olhar. Pergunto ao meu médico se tudo isto não passa da minha imaginação. Não diz que sim nem que não. Para ele, trata-se de um mecanismo de defesa, próprio das pessoas super inteligentes.”

Chiado Editora, 2014

Setembro 07, 2014

Dia 9 de Setembro, a partir das 21h00, no Jardim da Estrela, sejam todos bem-vindos à Clareira!

 

O FOX Movies e a Junta de Freguesia da Estrela, em colaboração com a Big Picture Portugal, apresentam-lhe a 11ª edição do Cine Lapa, que se realizará de 9 a 14 de Setembro, no Jardim da Estrela, em Lisboa, com entrada livre.
A abertura do evento, a 9 de Setembro, pelas 21h00, irá consistir na antestreia exclusiva de um dos filmes mais esperados do ano: Maze Runner, Correr ou Morrer, de James Dashner, cuja obra homónima é publicada em Portugal com a chancela da Editorial Presença.

O LIVRO:

Thomas percebe então que se encontra num elevador e que chegou a um lugar estranho, um espaço que se abre entre muros altíssimos e que o enche de pânico. Lá fora, como se estivessem à sua espera, uma pequena multidão de rapazes adolescentes como ele. As suas vozes saúdam-no com piadas juvenis, proferidas numa linguagem que lhe parece estranha. Dizem-lhe que aquele lugar se chama a Clareira e ensinam-lhe o que sabem a respeito daquele mundo. Tal como acontece com Thomas, não se lembram da sua vida anterior, mas ali estão perfeitamente organizados, cumprindo preceitos que ninguém deve quebrar. No fim desse primeiro dia de Thomas naquele lugar, acontece algo inesperado — a chegada da primeira e única rapariga, que traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo. Uma série de grande sucesso, que agradará tanto aos fãs de Os Jogos da Fome como a todos os apreciadores do género fantástico ou de distopias apocalípticas.

 

 

 

 

Setembro 04, 2014

D. Quixote - Se Não Agora, Quando?, de Primo Levi

 

Este célebre romance de Primo Levi oferece-nos um novo quadro do judaísmo da Europa Oriental, centrado não já sobre a realidade das pequenas cidades-gueto da Galícia ou da Rússia, mas sobre a epopeia em parte ignorada dos seus grupos de resistentes que, durante a Segunda Guerra Mundial, travaram por vezes combates de vanguarda e lutaram frequentemente em duas frentes pela conquista de uma pátria, de uma dignidade e de uma identidade que até então lhes haviam sido negadas.

Através das aventuras de um desses grupos, pode assim vislumbrar-se o destino de todos aqueles que, sendo simultaneamente polacos ou russos e judeus, encontraram na Resistência uma dramática oportunidade para a si próprios se resgatarem, afirmando-se como gente livre. «Tínhamos encontrado, na neve e na lama, uma nova liberdade, desconhecida dos pais e dos avós, um contacto até então inexperimentado com amigos e inimigos, com a natureza e a ação.» E se os não tivessem então assumido, quando teriam voltado a ter possibilidade de agir como protagonistas?

Nas livrarias a 9 de Setembro

Setembro 03, 2014

A Cúpula, Livro I - Stephen King - Opinião

 

Eu nunca tinha lido um livro do Stephen King. Já escreveu tantos livros e é tão conhecido que é capaz de ser um bocado estranho nunca o ter incluído nas minhas leituras.

Acho que até foi este livro que me puxou para conhecer o autor e não o contrário. Honestamente não sei se isso é positivo. Seja como for, a ideia de uma cidade ficar isolada do resto do mundo agradou-me, achei que daria interessantes cenários distópicos (ou algo perto disso), e que seria um palco propício a actos de loucura humana, selvajaria e desespero. Enfim, esta cúpula poderia transformar a cidade de Chester’s Mill num interessante laboratório vivo.

E se há alturas em que apetecem leituras suaves, cheias de esperança e amor (pouco me acontece e ainda bem), outras há (bem mais interessantes por sinal) em que apetece assistir a um pouco de decadência humana. Não gratuita, sem moralismos, mas que obrigue à reflexão.

Porque o animal humano é possivelmente o mais destrutivo para a sua própria espécie, é sempre interessante assistir (de fora, de preferência) à decadência de valores quando o instinto de superioridade, a ganância e também o medo, derrubam a racionalidade. É aí que nos transformamos em monstros.

Neste primeiro livro há algumas monstruosidades. Pequeninas, vá, uns assassinatos, espancamentos e violações, mas nada que me fizesse ficar sem dormir. Sempre achei que os livros de King me deixassem anos sem dormir, e afinal esta leitura foi relativamente pacífica. Mas não vale a pena duvidar da capacidade do senhor para provocar insónia pois que ainda tenho o Livro II na estante. Fica o desejo de que o autor vá um bocadinho mais longe no segundo volume. Vou ali espremê-lo a ver se sai sangue.

Depois de ler o Livro II, se achar que vale a pena, cá vos contarei coisas das personagens e do argumento.

Posso adiantar que a tal série, baseada neste livro, não vale nada. Pelo menos os dois primeiros episódios. Não aguentei ver mais.

Sinopse

“Num bonito dia de outono, um dia perfeitamente normal, uma pequena cidade é súbita e inexplicavelmente isolada do resto do mundo por uma força invisível. Quando chocam contra ela, os aviões despenham-se, os carros explodem, as pessoas ficam feridas. As famílias são separadas e o pânico instala-se. Ninguém consegue compreender que barreira é aquela, de onde vem ou quando (se é que algum dia) desaparecerá. 
Agora, um grupo de cidadãos intrépidos, liderado por um veterano da guerra do Iraque, toma as rédeas do poder no interior da cúpula. Mas o seu principal inimigo é a própria redoma. E o tempo está a esgotar-se…”

Bertrand, 2013