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planetamarcia

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Maio 19, 2014

Casa das Letras - O Pecado de Porto Negro, de Norberto Morais

 

Em Porto Negro, capital da ilha de São Cristóvão, toda a gente conhece Santiago Cardamomo, o bom malandro que trabalha na estiva, tem meio mundo de amigos e adora mulheres, de preferência feias, raramente passando uma noite sozinho. O seu sucesso junto do sexo oposto enche, aliás, de inveja aqueles a quem a sorte nunca bateu à porta, sobretudo o enfezado Rolindo Face, que há muito alimenta esperanças no amor de Ducélia Trajero – a filha que o patrão açougueiro guarda como um tesouro. Mas eis que, no dia em que ensaiava pedir a sua mão, assiste sem querer a um pecado impossível de perdoar que acabará por alterar a vida de um sem-número de porto-negrinos, entre os quais a da própria mãe; a de um foragido da justiça que vive um amor escondido para se esquecer do passado; a de Cuménia Salles, a dona do Chalé l’Amour, a mais afamada casa de meninas da cidade; ou a de Chalila Boé, um mulato adamado que, nas desertas horas da madrugada, se perde pelo porto à procura do amor.

Nas livrarias a 20 de Maio

Maio 19, 2014

Casa das Letras - Um Casamento de Sonho, de Domingos Amaral

 

Quando na economia crescem as dívidas, no amor cres­cem as dúvidas. Foi a crise económica a culpada do fa­lhanço do casamento de Leonardo e Constança, ou ha­via razões mais profundas e secretas? Confrontado com a notícia de um terrível acidente no Brasil, onde estão Constança e os seus filhos, Rita e Leonardinho, o me­lhor amigo de Leonardo vai acompanhá-lo numa difícil viagem à Bahia.

É durante esse voo que Rafael se irá recordar como tudo começou, com a majestosa festa de casamento dos seus amigos, na quinta da família de Constança, no ano de 1998.

Quase vinte anos de memórias da vida de um grupo de amigos são percorridos, desde os tempos em que eram mais novos e acabados de se formar nas universidades, passando pelos casamentos e pelos nascimentos dos fi­lhos, pela época eufórica em que o futuro era risonho e todos viviam bem, moravam em excelentes casas e via­javam pelo mundo felizes, até aos dias em que a felici­dade começou a ruir, os casamentos a falhar, as traições a surgir, e a crise económica a gerar falências, dívidas e desilusões.

Nas livrarias a 20 de Maio

Maio 18, 2014

Mal Nascer - Carlos Campaniço - Opinião

 

Depois de “Os Demónios de Álvaro Cobra” as expectativas eram muito altas com o novo romance de Carlos Campaniço. Por ter sido tão positivamente surpreendida pelo livro anterior, por me ter envolvido na narrativa de forma única, por o considerar um livro especial talvez mesmo genial, por tudo isto, não consegui ter a ligação com “Mal Nascer” que tanto desejava.

Gostei da história, gostei da forma como está contada, plena de realismo, com linguagem cuidada e adequada à época, mas senti falta dos rasgos delirantes de criatividade do autor. Campaniço é versátil, o que certamente lhe trará géneros diferentes de leitores, mas, quanto a mim, um livro marca por ser diferente, por me lembrar dele nas mais variadas horas do dia, por chegar a casa com vontade de regressar a esse local maravilhoso que me puxa pela imaginação, me provoca e me faz criar outros mundos.

Em “Mal Nascer” voltamos ao Alentejo com uma história triste e verdadeira, uma história de sofrimento e vingança, e com uma arrebatada história de amor. Bonito, muito bonito, mas com descrições duras sobre o trabalho infantil e as condições de vida da mulher, sempre sujeita à vontade dos homens, sem direito de falar, opinar ou ser. A violência doméstica como uma componente natural do casamento e da vida familiar. Vamos virando os séculos e a sensação que tenho é que as coisas não mudam tanto como deveriam.

Um livro por vezes duro, que poderá impressionar os mais sensíveis, mas que se socorre de uma lindíssima história de amor para acalmar (ou acicatar) os mais apaixonados.

Gostava de me ter envolvido de outra forma, se calhar histórias de amor arrebatado não são para mim.

Sinopse

“Santiago Barcelos - nascido Bento - regressa como médico à vila que deixou ainda menino. Não vem, porém, ao aconchego dos velhos rostos conhecidos. Na verdade, foge dos miguelistas que o perseguiam em Lisboa, escapa-se à teimosia da mulher do padrinho que o queria como amante e conta vingar-se de Albano Chagas, o homem que lhe arruinou a infância tomando-o como cúmplice na morte do seu primogénito. Os planos acabam, contudo, por gorar-se quando se apercebe de que não há vivalma que o reconheça e de que toda a vila subitamente o venera e se quer chegada ao seu convívio. Até a mulher de Albano Chagas acaba por pôr uma afilhada a ajudá-lo no consultório e a mão da própria filha à disposição.
Decidindo então adiar a revelação da sua identidade, o jovem médico terá mais tempo para chorar os seus mortos, tratar dos doentes e ajustar contas com os vivos; mas nem por isso cessará de se enredar em complicadas teias, não escapando a uma paixão proibida e avassaladora.
Alternando as memórias da infância com o presente agitado do protagonista, Mal Nascer é um romance magistral que combina uma história aliciante com um esmero de linguagem invulgar. Guardando surpresas até à última linha, a obra foi finalista do Prémio LeYa em 2013.”

Casa das Letras, 2014

Maio 18, 2014

D. Quixote - O Mundo Ardente, de Siri Hustvedt

 

Harriet Burden é uma artista plástica consumida pela fúria. «Todo o trabalho intelectual e artístico», escreve, «tem mais sucesso na mente da multidão, quando a multidão sabe que, algures por detrás da grande obra, ou do grande embuste, se encontra uma pila e um par de tomates.»

Sistematicamente menosprezada pelo meio intelectual nova-iorquino, Harriet decide levar a cabo uma experiência extrema a que chama Máscaras. Escondida por detrás de três identidades masculinas – três artistas que assumem a autoria do seu trabalho e o expõem –, ela tenciona revelar os preconceitos que imperam no mundo das artes. Pretende também desvendar os mecanismos da percepção humana e provar que ideias sobre sexo, raça e celebridade influenciam a maneira como olhamos para uma obra de arte. Mas a experiência vai longe de mais e o envolvimento da artista com a última das suas «máscaras» transforma-se num perigoso jogo psicológico de sedução e violência.

A autora estará em Lisboa, de 21 a 23 de Maio, para promover este livro.

Nas livrarias a 20 de Maio

Maio 18, 2014

D. Quixote - Retrato de Rapaz, de Mário Cláudio

 

Farto do descaminho de Giacomo, o pai vem deixá-lo ao estúdio de banho tomado, mas ainda com andrajos e piolhos, para que o artista que exuma cadáveres e constrói máquinas voadoras o endireite e faça dele seu criado. A beleza do rapaz impressiona Leonardo, que logo pensa nele para um anjo, concluindo porém que lhe assentam melhor corninhos de diabrete, e assim o rebaptizando como Salai. Serão, de resto, os pecadilhos do rapaz que o farão cair nas boas graças do amo e o elevarão à categoria de aprendiz sem engenho mas com descaramento para emitir opiniões, borrar a pintura, traficar pigmentos e até surripiar desenhos. E, num jogo de pequenas traições mútuas, vai-se criando entre Salai e o pintor uma cumplicidade que os aproximará como se fossem pai e filho.

Retrato de Rapaz é uma novela fulgurante sobre a relação entre mestre e discípulo, nem sempre isenta de drama e decepção, e sobre a criatividade de um artista genial em tudo, mesmo na gestão dos seus afectos.

Nas livrarias a 20 de Maio

Maio 17, 2014

TOPSELLER: "A Minha Outra Metade" - Um livro deliciosamente inteligente

 

«Alguém me disse uma vez que cada alma é dividida à nascença e tens de procurar e procurar até encontrar a outra metade. É uma velha lenda indiana.»

Marianne Kavanagh, antiga diretora da edição britânica da revista Marie Claire, lançou-se numa nova aventura no mundo da escrita com A Minha Outra Metade (Topseller | 304 pp | 17,69€).

Um romance contemporâneo, onde Marianne Kavanagh recupera a velha lenda na eterna busca da felicidade, fazendo os leitores viajar nas histórias de vida de Tess e George ao longo de uma década, tempo em que vivem vidas incompletas e se questionam sobre a existência de algo mais. A Minha Outra Metade é uma comédia moderna de costumes, de amizades e de desencontros, deliciosamente inteligente.

Tess e George podem muito bem ser as duas metades de um casal perfeito.

Conheça a Tess. Uma rapariga jovem, obcecada por roupas vintage, presa a um trabalho que detesta. Desde a faculdade que namora com o maravilhoso, escultural e bem-sucedido Dominic, e tem um apartamento fantástico que partilha com a sua melhor amiga, Kirsty. Mas se a sua vida pessoal corre assim tão bem, porque é que se sente destroçada sempre que lhe perguntam pelo futuro?

Conheça o George. Um músico de jazz brilhante, que passa quase tanto tempo a resolver as discussões entre os membros da sua banda, como passa com o seu pai enfermo. Pelo caminho, tenta corresponder às altas expetativas da sua mulher corretora, com quem nunca deveria ter casado. Para um tipo que sempre acreditou no romance, o lado prático e deprimente da vida dos vinte e tais é para ele um choque. George procura algo mais… e alguém especial. Se ao menos os seus caminhos se cruzassem…

Siga Tess e George ao longo de uma década de maus namoros, jantares e festas caóticas, aniversários mágicos, empregos sem saída, relações desiguais, e muitos recomeços. 

Maio 17, 2014

TOPSELLER: "Morte nas Trevas" - O regresso do mestre do thriller português

 

Depois de Morte com Vista para o Mar e Morte na Arena, os dois primeiros títulos de uma coleção que recebeu, da crítica, excelentes elogios, Pedro Garcia Rosado regressa com Morte nas Trevas (352 pp, 17,69€), um thriller contemporâneo e urbano.

SINOPSE de A MORTE NAS TREVAS

Gabriel Ponte está finalmente decidido a dedicar-se à investigação privada, pondo fim à inatividade a que uma reforma antecipada da Polícia Judiciária o condenou.

O seu primeiro trabalho como detetive particular consiste em encontrar duas mulheres desaparecidas em Portugal, a pedido de um homem e de uma mulher de origem romena, antigos agentes da Securitate, a polícia política do ditador Ceausescu.

A sua investigação vai conduzi-lo a um confronto com um industrial romeno que cria porcos numa zona rural do concelho de Caldas da Rainha, e que esconde, afinal, segredos hediondos.

À medida que avança neste caso, que vai pôr em risco a vida da sua própria família, Gabriel Ponte recebe a ajuda inesperada de um ex-oficial do KGB e das forças especiais russas, ao mesmo tempo que se torna o alvo da atenção de um inspetor da PJ, obcecado pela justiça.

Pedro Garcia Rosado nasceu em Lisboa, em 1955. É escritor e tradutor profissional. Foi jornalista e crítico de cinema. Morte nas Trevas surge depois de Morte com Vista para o Mar e Morte na Arena, os dois primeiros títulos da série As Investigações de Gabriel Ponte

Desde 2004, Pedro Garcia Rosado publicou também Crimes Solitários, Ulianov e o Diabo, A Guerra de Gil (ed. Temas e Debates), O Clube de Macau (ed. Bertrand), A Cidade do Medo, Vermelho da Cor do Sangue e Triângulo (ed. Asa).

Maio 12, 2014

A Vida Privada de Maxwell Sim - Jonathan Coe - Opinião

 

Se há livros que nos dão um banho de realidade este é um deles.

Maxwell é um homem fechado, não fala, passa por ignorante aos olhos dos outros. Este livro é tudo o que mais ninguém sabe sobre ele, as suas reflexões sobre os outros e sobre acontecimentos do passado, sobre o casamento, política, ambiente. Max é fascinante na sua forma de pensar, mas para o resto da humanidade é considerado um verdadeiro falhado.

Um retrato muito fiel sobre a actualidade na forma como a distância física entre as pessoas é atroz. Estamos sempre contactáveis, os nossos passos são permanentemente controlados, mas os nossos amigos são pouco reais pois que podemos falar com eles a toda a hora mas nunca vimos uma grande parte deles. Redes sociais, mensagens por telemóvel, tudo comunicações sem voz nem corpo. Um Mundo globalizado de pessoas sozinhas. De que forma a comunicação global conseguiu fomentar deste modo a solidão?

Max está deprimido e sente saudades de falar com alguém. Acaba por tentar ultrapassar tudo isto de formas bizarras, falando com estranhos na rua. A mãe morreu, o seu casamento acabou, o pai vive na Austrália, não sabe se vai manter o emprego por causa da depressão. É então que Max desabafa com o leitor, viaja no tempo recordando a sua vida pelas situações que lhe causaram mais dor; tenta perceber o porquê de tudo lhe correr mal e cada vez se afunda mais em sentimentos negativos.

De forma inesperada, Max aceita uma proposta de trabalho insólita. Participa numa campanha publicitária que consiste em levar escovas de dentes até um dos pontos mais remotos da Grã-Bretanha. Esta viagem solitária não vai melhorar o seu estado mental, na medida em que começa a ter conversas com o GPS, com quem desabafa sobre todos os tipos de tormentos com que vive, mas ao mesmo tempo funciona como uma espécie de exorcismo, pois Max desrespeita o percurso traçado e faz algumas visitas ao passado sob forma paragens em pontos estratégicos, onde habitam pessoas que o influenciaram ou que o irão surpreender pelas revelações que, de forma inesperada, se sucedem.

Torci pela recuperação, pela cura, vivi a dor de Max e quis muito que ele fizesse as pazes com o passado. Estava nas últimas páginas a preparar-me para o final feliz (eu que nem gosto de finais felizes, mas pronto depois de tanta infelicidade era no mínimo justo) e levei uma dura lição que doeu como um par de estalos. Por muito que nos deixemos levar (e a minha entrega a este livro foi total) quem manda no livro é quem o escreve.

“Foram vocês que nos educaram para sermos zombies consumistas. Varreram todos os outros valores para debaixo do tapete, não foi? Cristianismo? Não precisamos. Responsabilidade colectiva? Onde é que isso nos levou? Fabricar? Construir coisas? Isso é para falhados. Sim, vamos pôr aqueles falhados no Extremo Oriente a fazerem tudo por nós, para podermos ficar sentados em frente da televisão a ver o mundo ir para o inferno… em ecrã gigante e alta-definição, claro.” (Pág. 47);

“Hoje em dia, havia sempre algum satélite em órbita apontado para nós a todos os minutos do dia, apontando as nossas localizações com uma velocidade e precisão inimagináveis. Já não existia privacidade. Nunca estávamos verdadeiramente sós. Na verdade, essa devia ser uma perspectiva reconfortante – eu já tivera a minha dose de solidão, mais do que suficiente, nos últimos meses -, mas, por algum motivo, não era.” (Pág. 74);

“Precisamente quando eu começava a achar que a minha vida não podia tornar-se mais desapontante, descubro que na realidade nem devia ter nascido. Aí está um belo epitáfio: “Aqui jaz Maxwell Sim, a pessoa mais desnecessária que alguma vez nasceu.” (Pág.291);

Sinopse

“Maxwell Sim bateu no fundo. A sua vida pessoal é um vazio. Ele tem 70 amigos no Facebook mas ninguém com quem falar. Mas tudo muda graças a uma disparatada proposta de trabalho: conduzir um carro carregado de escovas de dentes de Londres até às remotas ilhas Shetland. Um percurso longo que Maxwell decide preencher com uma série de visitas surpreendentes a figuras do seu passado. Acompanhado por "Emma", a voz feminina do seu GPS, com quem estabelece uma peculiar relação, ele não imagina que está a iniciar uma viagem íntima que o mudará para sempre.”

D. Quixote, 2012

Maio 11, 2014

D. Quixote - Os Factos, de Philip Roth

 

Em Os Factos, Philip Roth concentra-se em cinco episódios da sua vida: a infância urbana e protegida, nos anos trinta e quarenta; a preparação para a vida americana numa universidade conservadora, nos anos cinquenta; o envolvimento tumultuoso, quando era jovem e ambicioso, com a pessoa mais colérica que conheceu em toda a sua vida («a rapariga dos meus sonhos», como Roth lhe chama); o choque frontal com um influente grupo de judeus indignados com o seu Goodbye, Columbus; e a descoberta, nos excessos dos anos sessenta, de um lado inexplorado do seu talento, que o levou a escrever O Complexo de Portnoy.

O livro termina surpreendentemente – à boa maneira de Roth – com um ataque feroz do romancista às suas competências como autobiógrafo.

Nas livrarias a 13 de Maio