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planetamarcia

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Dezembro 07, 2013

O ÚLTIMO ANO EM LUANDA, de Tiago Rebelo

 

Em 1974, uma revolução em Lisboa apanha de surpresa os portugueses que vivem em Angola. Em escassos meses, trezentas mil pessoas são obrigadas a largar tudo e a fugir, embarcando numa ponte aérea e marítima que marca o maior êxodo da história deste povo. Para trás deixam casas, carros, animais de estimação. Empresas, fábricas, lojas e fazendas são abandonadas. Luanda, a capital da jóia da coroa do império português, é abalada por uma guerra civil que alastra ao resto do território angolano, com três movimentos de libertação a combaterem entre si.

É neste cenário de total desorientação e insegurança que Nuno, um aventureiro que há anos atravessa os céus do sertão angolano aos comandos do seu avião, luta, juntamente com Regina e o filho de ambos, para sobreviver à violência diária, às perseguições políticas, às intrigas e traições que fazem de Luanda uma cidade desesperada.

Esta é uma história de coragem e abnegação, que poderia ser a de tantos outros portugueses deixados à sua sorte numa terra a ferro e fogo.

Tiago Rebelo é um escritor que nos faz procurar compreender quem somos através das suas histórias empolgantes e dos seus personagens consistentes. Com uma década de produção literária recheada de êxitos, é um dos autores preferidos do público português, sendo os seus livros uma presença habitual nos lugares cimeiros das principais tabelas de vendas nacionais.

A sua obra está disponível em países como Angola, Brasil, Moçambique, Itália, Suiça e Argentina. A par da actividade literária, Tiago Rebelo tem uma longa carreira no jornalismo. É actualmente coordenador de informação na CMTV e escreve regularmente para a revista do Correio da Manhã.

Dezembro 05, 2013

José Eduardo Agualusa é o convidado do "Porto de Encontro"

 

O “Porto de Encontro” despede-se de 2013 da melhor forma, tendo como convidado um dos maiores nomes da nossa literatura contemporânea: José Eduardo Agualusa. A conversa, que será conduzida pelo jornalista Sérgio Almeida, está marcada para a tarde do próximo domingo, 8 de dezembro, pelas 17:00, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, e terá a participação especial da escritora Patrícia Reis.

Dezembro 01, 2013

Para onde vão os guarda-chuvas - Afonso Cruz - Opinião

 

Não sei o que escrever sobre este livro. Sinceramente. Tenho consciência de que não há nada que eu escreva que possa demonstrar o quanto gostei, o quanto senti tratar-se de um livro especial e completo. Por isso ando há cerca de uma semana a pensar como posso transmitir em palavras o que é “Para onde vão os guarda-chuvas”. E não sei. Gostava de ser como Badini que, sem falar, diz tudo. Mas não sou. Gostava de contar sobre o que é este livro. Mas este livro é sobre tantas coisas, tão bonitas e tão importantes que me perco na imensidão de temas que se interligam com outros temas.

É um livro sobre a perda e sobre o que resta quando o nosso mundo desaba com a morte. É um livro que sara a dor, que acalma o tormento e preenche o vazio de uma forma peculiar e única, é sobre a tolerância, sobre o respeito das diferenças, e sobre a possibilidade de vivermos todos num espaço em que nos aceitamos mutuamente.

É um livro que tem estas coisas todas dentro dele. Mas no fim acreditamos que fora do livro também pode ser assim.

Afonso Cruz continua a surpreender-me pela forma como com frases lineares e muito simples consegue revelar pensamentos tão profundos, ser tão filosófico e proporcionar tanta reflexão. Muito palavroso, utiliza palavras que se conjugam de forma brilhante e que faz com que a leitura seja feita de lápis na mão. Dá vontade de sublinhar tanto mas tanto… na certeza de voltar a pegar no livro muitas vezes e encontrar as passagens preferidas. O risco mais que certo é o de querer reter tudo, sublinhar demais é uma tentação grande.

As ideias e linha de pensamento do autor chegam ao leitor através de uma escrita limpa e sem artifícios desnecessários. Saber simplificar é um dom e quando se faz bem não há necessidade de dizer mais nada. Está tudo dito. Escrito. Em “Para onde vão os guarda-chuvas”.

“Que infelicidade. Os dias esticam e ficam mais longos, o relógio diz que não, mas, com licença, o que sabem os relógios sobre a alma humana? Não sabem nada, Alá me perdoe. O tempo demora mais a passar, muito mais, é assim que se sofre. Quando se está feliz esse mesmo tempo passa a correr, parece que vai atrasado para uma festa, mas, se vê uma lágrima, pára e fica a ver o acidente, dá voltas à nossa desgraça e não anda para a frente como os relógios dizem que ele faz.” (Pág. 118).

“- Como não falas, ouves mais. Isso é que faz a sabedoria. Os homens deviam ser mudos até certa altura e depois rebentavam. Seria uma coisa ensurdecedora. Um homem explodir toda a sabedoria que havia acumulado durante uma vida.” (Pág. 154).

“Badini disse que as coisas mortas vão com a água, naturalmente, seguem a corrente do rio, é isso que fazem os paus, as pedras, as folhas, os cadáveres, todos são empurrados para a foz, todos eles, enquanto os sábios e os salmões procuram a nascente, as causas das coisas, e, assim, tudo o que contraria a corrente está vivo, e a educação também é isso, é ir contra tantas coisas, não nos deixarmos arrastar para não nos tornarmos um pau seco a boiar nas águas.” (Pág. 249).

“Ele olhou para mim e disse-me que quem vive nas ruas tem o maior quintal do mundo. Eu disse que sim com a cabeça, porque gostei daquela frase. Repito-a muitas vezes, e olho para isto tudo à minha volta e vejo o meu quintal. Um dia dará flores.” (Pág. 377)

“Para onde vão os guarda-chuvas? São como as luvas, são como uma das peúgas que formam um par. Desaparecem e ninguém sabe para onde. Nunca ninguém encontra guarda-chuvas, mas toda a gente os perde. Para onde vão as nossas memórias, a nossa infância, os nossos guarda-chuvas?” (Pág. 493).

Sinopse

“O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.
Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.”

Alfaguara, 2013

Dezembro 01, 2013

Resultado do Passatempo "Os Anjos Morrem das Nossas Feridas"

Já foi escolhida a vencedora do passatempo “Os Anjos Morrem das Nossas Feridas”.

Muitos parabéns à Lília Polónia de Alfena.

A resposta à pergunta “Qual o romance do autor que recebeu o Prémio de melhor livro do ano 2008 para a Lire?” é “O que o Dia deve à Noite”.

Agradeço a todos os participantes e, claro, à Bizâncio por apoiar e tornar possíveis estas iniciativas.

A vencedora foi contactada por e-mail. Boas leituras!

Dezembro 01, 2013

A Segunda Morte de Anna Karénina - Ana Cristina Silva - Opinião

 

“A Segunda Morte de Anna Karénina” agarrou-me nas primeiras páginas. Fiquei presa à narrativa e à história de Rodrigo. Apesar desta ser a história de Violante, foi Rodrigo, o seu filho morto que me conquistou. A voz de Rodrigo chega pelas cartas que escreveu ao amante durante a I Grande Guerra. A dor e o conflito interior de ser homossexual no início do século XX em Portugal é um tema extremamente bem exposto e explorado, para mim, sem dúvida o ponto forte deste livro.

Com Rodrigo a autora aborda dois grandes temas. Um deles é a homossexualidade no contexto familiar, o preconceito, o medo e a vergonha de assumir, bem como as formas de encobrir a verdade através de um casamento dito normal e de uma vida conjugal de fachada. O outro é a participação de Portugal na I Guerra Mundial. Uma participação tão sofrida quanto esquecida, a que Ana Cristina Silva deu a devida importância e soube conjugar com a luta interior de Rodrigo. A solidão e mágoa de Rodrigo por ser abandonado por Eduardo, desiludido por sentir que não é correspondido na vontade de aceitar e viver este amor, conciliado com o pavor da guerra e as descrições das condições nas trincheiras, compõem um cenário de horror físico e mental muito bem conseguido.

Para mim, a partir deste ponto, foi como se o livro fosse perdendo força. A vida de Violante é deveras interessante mas banal quando comparada com a dor e a força de Rodrigo. Não me lembro nunca de me acontecer gostar de tal modo de uma personagem secundária, que a personagem principal e todo o propósito do livro fossem para mim perdendo o interesse até ao final. Mas assim aconteceu. Depois de Rodrigo a história da menina de província que se torna a diva do teatro em Lisboa pareceu-me banal. O decrescente interesse dissipou a minha atenção, o que nitidamente se notou no final, que sinceramente não estou certa de ter percebido.

Um livro que vale pelo seu início. Um começo brilhante que infelizmente o final não acompanhou.

“Nas trincheiras os homens andam sempre enregelados e sujos. Não há sujidade mais impertinente do que a lama que transforma a pele e os uniformes numa massa castanha e enrugada. Os soldados nunca levantam a cabeça nestas geleiras sombrias, inclinam-na apenas, embrulhados em mantas encharcadas. O tamanho do mundo está assim reduzido aos túneis escavados nas entranhas da terra, nos quais mal se respira e cujas fronteiras são definidas por sacos de areia. A vida prossegue dentro destas tocas. Ninguém precisa que lhes digam quem são, nestas circunstâncias, os animais acossados.” (Pág. 79)

“Voltava para o meu quarto muito tarde. Os meus pensamentos desenvolviam-se na penumbra até o fogo arrefecer na lareira. Lisboa inteira já dormia, enquanto eu recordava como sentira um arrepio de excitação perante este ou aquele cavalheiro. Lembrava-me da forma como dançavam e tentava imaginar motivos que os fizessem mover-se na minha direcção. De seguida, recuava, horrorizado. Em vez de me tentar libertar pela força da renúncia e da fé, consolava-me a ideia do suicídio como um sedativo acalma um homem atormentado pela insónia. De pé, dava voltas e mais voltas, abria a janela, suportando a nortada gélida que soprava das profundezas da noite.” (Pág. 82)

Sinopse

“Violante tinha, desde criança, um talento raro para a representação e, com a ajuda de Luís Henrique, um grande actor com quem acabou por se casar, tornou-se uma das mais aplaudidas actrizes portuguesas do princípio do século XX. Contudo, os que a vêem brilhar e afirmar o seu génio no palco dos maiores teatros nacionais desconhecem o terrível segredo que minou a sua vida e levou para longe o marido numa noite que podia ter acabado em tragédia. Agora, que Violante visita, longe da multidão, o jazigo de Rodrigo - um jovem oficial português caído na guerra das trincheiras em França -, espera finalmente sentir o desgosto da mãe que não chegou a ser, mas descobre que o filho que não criou carregava, afinal, no peito um peso tão grande ou maior do que o seu. E, com o espectro das recordações que essa revelação desencadeia, regressa também inesperadamente o próprio Luís Henrique, desejoso de obter, ao fim de tantos anos, a resposta que Violante não lhe pôde dar. O problema é que, numa conversa entre dois actores de excepção, nunca se sabe exactamente o que é verdade.
A Segunda Morte de Anna Karénina é um romance sobre o amor sem limites, a traição e os custos da vingança - e também uma obra arrojada sobre as tensões homossexuais reprimidas, sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças - se é que existem - entre o teatro e a vida real.”

Oficina do Livro, 2013

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