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planetamarcia

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Junho 05, 2013

A Loja dos Suicídios - Jean Teulé - Opinião

 

Na minha lista já há uns anos, “a Loja dos Suicídios” veio finalmente comigo para casa nesta Feira do Livro de Lisboa de 2013.

Não sinto necessidade de me alongar muito nesta resenha, visto ser um livro que prometeu mais do que deu, que durante muito tempo me encheu de expetativas pelo seu apurado humor negro, que de facto está bem presente no início, mas que vai perdendo força à medida que a narrativa avança.

A família Tuvache, proprietária de uma loja que ajuda as pessoas a morrer e incentiva ao suicídio daqueles que pensam em acabar com a própria vida, começa por ser apresentada de forma mórbida de modo a fazer jus ao negócio que leva a cabo. Tudo é negro no dia-a-dia dos Tuvache, estão perfeitamente alinhados com o conceito do negócio. O início do livro é francamente cómico e bem conseguido. No entanto, estas pessoas tão particulares deixam-se “corromper” pela bondade de um dos elementos da família; o filho mais novo vê beleza e felicidade em tudo e acaba por desvirtuar radicalmente os propósitos da Loja dos Suicídios.

Mais um daqueles livros com uma espécie de moral em que o bem vence sobre o mal, e em que uma ideia criativa e diferente se transforma numa sequência de banalidades. Lê-se bem mas não é a prometida “pérola de humor negro”.

“-Há muita gente amadora… Sabe o senhor que, em cento e cinquenta mil pessoas que fazem a tentativa, cento e trinta e oito mil fracassam. Estas pessoas costumam ficar aleijadas, em cadeira de rodas, desfiguradas para a vida, ao passo que connosco…

Os nossos suicídios são garantidos. Morto ou reembolsado! Vá lá, não se vai arrepender desta compra, um atleta como o senhor!... Basta respirar fundo, e já está! E depois, como eu digo sempre, só se morre uma vez, ao menos que seja um momento inesquecível.” (Pág. 25).

Sinopse

“Morto ou reembolsado!. Eis o slogan da Maison Tuvache, uma lojinha que comercializa tudo o que há de mais fino e eficaz para a lúgubre empresa do suicídio. Há dez gerações que a Loja dos Suicídios satisfaz 100% da clientela: morrem todos e não fica nenhum para reclamar. Mas a família recebe um novo elemento, a criança que traz com ela uma terrível maldição: a alegria de viver. O pequeno Alan passa os dias a cantarolar, a consolar os clientes e, pior que tudo, a rir. Sim, Alan gargalha. Alan é um otimista. E prepara-se para sabotar o próspero negócio de família.”

Guerra e Paz, 2013

Junho 05, 2013

Porto Editora - Ficção - "Provavelmente o melhor livro de Michael Connelly"

 

Após O Veredicto, a Porto Editora publica, a 7 de junho, A Reviravolta, um novo thriller judicial de Michael Connelly, com intriga, suspense e muitas reviravoltas. Para além de ter ocupado o desejado primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times, A Reviravolta foi ainda considerado um dos melhores livros do autor.

Este livro insere-se na série protagonizada pelo detetive Harry Bosch, onde as salas do tribunal ocupam o cenário de eleição. Desta vez, para alcançar o seu objetivo, o protagonista terá de se aliar ao gabinete do procurador do Ministério Público, seu habitual opositor.

Junho 05, 2013

Novidades Europa-América - dois livros em destaque na Feira do Livro de Lisboa

O primeiro não é novidade, trata-se do relançamento do clássico Grandes Esperanças, de Charles Dickens, a propósito da nova adaptação cinematográfica. O segundo é o Irmão de Sangue de Eric Giacometti e Jacques Ravenne, continuação de Ritual da Sombra editado em Setembro do ano passado.

 

 

Publicado pela primeira vez em 1860/61, Grandes Esperanças é um dos romances mais sérios de Charles Dickens. É impossível escapar ao poder de sedução desta obra poderosa e violenta — de onde não estão ausentes nem a sátira nem o humor. Tal como num romance policial, o mistério apodera-se da nossa atenção e a revelação da sua verdade psicológica e moral mantém-nos em suspenso até ao derradeiro momento. Hipnotizados pela voz de Pip e guiados pela sua memória, vamos desvendando o segredo das suas «grandes esperanças» e testemunhando o encontro de um homem consigo próprio.

Esta nova adaptação cinematográfica de Mike Newell, conta nos principais com Ralph Fiennes, Helena Bonhan Carter, Jeremy Irvine e Holliday Granger, entre outros.

Autor: Charles Dickens

Colecção: Clássicos

Preço: 17.67 €

Pp.: 464

 

 

Siga as aventuras do comissário Antoine Marcas.

À semelhança de Ritual da Sombra, Irmão de Sangue é um thriller cheio de suspense que introduz os leitores nos meandros da maçonaria e estabelece um paralelo histórico com as mais modernas investigações.

Paris, 1355. Um homem é queimado vivo na praça pública. O copista Nicolas Flamel assiste, nauseado, a esta execução. Mas o horror está apenas a começar, pois aquele que se tornará num célebre alquimista está, neste momento, à beira de mergulhar nas terríveis revelações de um livro secreto, interdito.

Paris, 2007, sede da Obediência Maçónica. O comissário mação Antoine Marcas descobre dois crimes rituais cometidos por um dos seus, a quem chamam «o irmão de sangue». Uma mensagem vinda do Além põe rapidamente o comissário na pista de um velho segredo, relacionado com o mistério do ouro puro.

De Paris a Nova Iorque, assistimos a uma corrida contra o tempo entre o assassino em série e o polícia, articulada em torno de dois lugares altamente simbólicos: a Estátua da Liberdade e a Torre Eiffel.

Entretanto, escondido nas sombras e vigiando o desenrolar dos acontecimentos está o grupo Aurora, uma organização secreta constituída por personalidades da alta finança, cujo objectivo é o controlo absoluto do ouro…

Jacques Ravenne e Eric Giacometti, autores de vários thrillers maçónicos best-sellers, tecem de novo uma intriga fascinante, que arrasta os seus leitores pelos meandros do tempo…

Título: O Irmão de Sangue

Autores: Eric Giacometti e Jacques Ravenne

Colecção: Contemporânea

Preço: 21.90€

Pp.: 440

Junho 02, 2013

Debaixo de Algum Céu - Nuno Camarneiro - Opinião

 

Quero escrever sobre este livro mas não sei o quê. Sinto que se trata de um livro tão especial que me vai fazer (por incompetência minha, claro) cair num abismo de banalidades e lugares-comuns.

Dizer que é especial, que a escrita é cuidada e me maravilhou, que ainda gostei mais deste do que do outro, que é um livro sobre pessoas, sobre nós, todos nós, que estamos tristes e zangados com a vida, que não conhecemos quem vive na casa ao lado, por vezes não conhecemos quem vive na nossa casa. Que estamos perdidos. Que seguimos os dias todos uns atrás dos outros sem parar. Porque não sabemos. Parar. Já não sabemos.

Paramos quando há uma catástrofe. Quando as terríveis notícias na televisão nos lembram que só se vive uma vez. E que é esta. Esta vez. Esta vida. E que pode acabar. Mesmo agora.

Vivemos zangados. Insatisfeitos. Fartos. Desumanizados.

“Debaixo de Algum Céu” é a voz de uma sociedade de jovens cansados como velhos, com vidas rotineiras e sem brilho, sem vontade. Em crise, sempre em crise. Em crise de tanto estar em crise.

“Uma história são pessoas num lugar por algum tempo.” (pág. 13)

Acho que o Nuno aprendeu a escrever do que observa, aprimorou a qualidade da escrita pelo muito que lê. E depois há mais uma coisa. Que faz toda a diferença entre quem conta uma história e quem escreve. Chama-se Dom.

E mais não digo. Há que ler.

“Talvez amemos só pelo que o amor nos traz, ou pelo que podemos ser quando nos ama. Seremos assim tão tortos? É possível que só saibamos dar a nós mesmos? Orgulho, respeito, altruísmo, abnegação. São coisas que atiramos porque sabemos que hão-de voltar, como um pau que um cão nos há-de devolver.

Já não sei nada, que se foda o amor, andamos todos para aqui a estragar as vidas uns aos outros com os melhores propósitos. “Eu sempre te amei”, “És a mulher da minha vida”. O caralho é que és, o caralho é que amei. Quis prazer como tu quiseste, serenidade, certeza, posse. Sim, quisemos isso tudo e pensámos que nos ficava de graça, uns beijos e algumas palavras, tudo por amor, mas não se trata de amor. Trata-se de outra merda qualquer que nos faz falta e não tem nome, é simplesmente outra merda qualquer.” (pág. 82)

Sinopse

“Num prédio encostado à praia, homens, mulheres e crianças - vizinhos que se cruzam mas se desconhecem - andam à procura do que lhes falta: um pouco de paz, de música, de calor, de um deus que lhes sirva. Todas as janelas estão viradas para dentro e até o vento parece soprar em quem lá vive. Há uma viúva sozinha com um gato, um homem que se esconde a inventar futuros, o bebé que testa os pais desavindos, o reformado que constrói loucuras na cave, uma família quase quase normal, um padre com uma doença de fé, o apartamento vazio cheio dos que o deixaram. O elevador sobe cansado, a menina chora e os canos estrebucham. É esse o som dos dias, porque não há maneira de o medo se fazer ouvir.

A semana em que decorre esta história é bruscamente interrompida por uma tempestade que deixa o prédio sem luz e suspende as vidas das personagens - como uma bolha no tempo que permite pensar, rever o passado, perdoar, reagir, ser também mais vizinho. Entre o fim de um ano e o começo de outro, tudo pode realmente acontecer - e, pelo meio, nasce Cristo e salva-se um homem.

Embora numa cidade de província, e à beira-mar, este prédio fica mesmo ao virar da esquina, talvez o habitemos e não o saibamos.

Com imagens de extraordinário fulgor a que o autor nos habituou com o seu primeiro romance, Debaixo de Algum Céu retrata de forma límpida e comovente o purgatório que é a vida dos homens e a busca que cada um empreende pela redenção.”

Leya, 2013

Pág. 3/3