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planetamarcia

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Julho 08, 2012

Tânia Ganho. Mais perto de nós, leitores.

 

Já desde algum tempo que tinha o desejo de colocar algumas questões a Tânia Ganho, não só em relação à sua escrita, mas também às suas traduções, uma atividade que nem todos relacionam com a autora.

Agradeço à Tânia, que está sempre disponível para conversar e debater os mais diversos temas, por esta colaboração.

O texto seguinte é isso mesmo, nasceu de uma conversa informal, que transformei em perguntas e a Tânia respondeu. Não só sobre os seus livros ou traduções, mas debatendo um pouco os livros e leitores em Portugal.

Porque as conversas são como as cerejas, e ambas adoramos livros, aqui fica o resultado.

 

1.Traduções /Influências

1a) Sente que há reconhecimento e interesse por parte dos leitores em relação à tradução? Há necessidade de saberem se a tradução e revisão foram cuidadas? 

TG - Sinto que os leitores portugueses estão cada vez mais atentos à qualidade das traduções, o que é louvável. Penso que as pessoas andam mais exigentes em relação a tudo, incluindo as traduções, e já não aceitam tão facilmente um livro mal traduzido. Continua, no entanto, a ser um trabalho de bastidores, que se faz na “sombra”, sem reconhecimento público e sem uma recompensa financeira adequada.

 

1b) Permite que o que é lido e analisado como trabalho influencie a sua escrita? Se essa influência acontece gosta de a ver refletida ou, ao contrário, é uma desilusão?

TG - Tento separar a tradução da escrita, para não haver “contágio”, plágio, a nível estilístico. Quando escrevo, faço questão de manter a minha “voz” intacta, e quando traduzo, faço de tudo para respeitar a “voz” do autor. Prefiro falar de inspiração e não de influência. Há autores que me inspiram muitíssimo, que alargam os meus horizontes e enriquecem o meu universo pessoal, o que se reflecte forçosamente na minha escrita. Aprendo muito com os livros que traduzo, sobretudo questões técnicas: ritmo, construção de personagens, estrutura narrativa.

 

1c) Só traduz o que gosta?

TG - Neste momento, sim, só traduzo o que me dá prazer, mas demorei quase dez anos a permitir-me este luxo.

 

1d) Do que lê por prazer quais são os autores favoritos? De que forma sente que se refletem na sua forma de escrever? Se é que considera que isso acontece.

TG - São tantos… Ian McEwan, Anne Tyler, Claudie Gallay, Nicholas Shakespeare, Doris Lessing, Margaret Atwood, Olivier Adam,  Jenny Diski, Maggie O’Farrell, Henry Miller, Chimamanda Adichie, Eliette Abecassis, David Lodge…  Como disse, estes autores reflectem-se na minha escrita no sentido em que me enriquecem enquanto pessoa e me alargam os horizontes.

 

2.Capas/Marketing/Necessidades de Mercado

2a) O que acha da importância da capa de um livro e das campanhas promocionais no mercado atual?

TG - Triste… Costumávamos dizer que não se deve julgar um livro pela capa, que não se deve rotular as pessoas pela aparência, mas é o que fazemos cada vez mais. Os livros transformaram-se em puros objectos de marketing, muitas vezes em detrimento do conteúdo. Da mesma maneira que os autores se tornaram máquinas de marketing e por vezes se sobrepõem à obra, ao texto em si. É pena. Os leitores deviam ter igual acesso a todos os livros – bons livros – e isso não acontece, porque as capas, as campanhas, a publicidade,  a propaganda, os lobbies monopolizam as atenções. Dito isto, é óbvio que eu própria aprecio uma bela capa, como as dos meus livros A Lucidez do Amor e A Mulher-Casa, mas são capas extremamente coerentes com o texto em si, não são uma mera estratégia de marketing. A imagem da capa da Mulher-Casa é da autoria de Madame Yevonde, que foi uma pioneira da fotografia a cores e uma grande defensora dos direitos das mulheres, portanto está em perfeita sintonia com o conteúdo do livro.

 

2b) Concorda com a ideia de que os livros são mais descartáveis agora, que já não há “os livros de uma vida”, inesquecíveis, relidos e continuamente citados? Ao invés disso temos grupos de leitores sedentos por desafios literários de X livros por ano/mês; temos centenas de blogues literários em que todos lêm e escrevem sobre os mesmos títulos, fazendo com que a vida de um livro se torne muito curta.

TG - O livro tornou-se como tudo o resto na sociedade actual: um objecto de consumo fácil, rápido e descartável.  Mais um item coleccionável, como os amigos, os amantes, as viagens… tudo é publicamente contabilizado e apregoado. Mas acredito que ainda há livros que marcam, que perduram, que ficam para sempre dentro de nós.

 

3. Rótulos

3a) O que acha da divisão que se continua a verificar em relação ao público-alvo dos livros? Eu pessoalmente detesto as separações “livros para mulheres”, “livros para homens”, “literatura young adult”, etc.

TG - Eu detesto rótulos. Os rótulos assentam em preconceitos e perpetuam-nos. A Literatura deve abrir portas e não fechá-las.

 

3b) Penso que a chamada “Literatura feminina” tem uma conotação negativa que a associa ao romance de cordel, a livros inferiores. O que acha que pode ser feito para que os livros escritos por mulheres não sejam imediatamente considerados ocos por os encaixarem neste rótulo? E que as mulheres que querem e sabem escrever não tenham de ter um percurso mais árduo que os homens para chegar ao topo?

TG - É muito simples: acabar com rótulos e binómios (feminino/masculino). É tão preconceituoso rotular um livro de “romance de cordel” ou de “literatura com minúscula”, só porque foi escrito por uma mulher e “fala” sobre mulheres! Reduzir todas as mulheres a “mulherzinhas” e considerar todo o romance escrito por uma mulher como um “silly novel” (para usar a expressão da George Eliot) é sintomático de uma pequenez de espírito que me desconcerta nos tempos que correm. A solução é darmos mais destaque às mulheres na praça pública, ouvi-las, lê-las, respeitá-las. E promover uma crítica literária séria, aberta e, claro, desempoeirada.

 

3c) Poderá atribuir-se alguma responsabilidade às Editoras que criam chancelas só para romances de cordel “disfarçados” com capas bonitas e apelativas? Ou a responsabilidade é dos leitores que, apesar de serem cada vez mais, têm cada vez menos espírito crítico e são uma espécie de “papa-novidades”?

TG - Não acho que os leitores tenham cada vez menos espírito crítico… Penso que muitas vezes se tornam “papa-novidades”, porque as livrarias só lhes oferecem novidades. É quase impossível encontrar um livro nos escaparates que tenha saído há mais de dois ou três meses. As livrarias e os editores é que andam a fomentar um espírito de consumo desenfreado, em vez de apostarem em menos títulos, mas bons. Verdadeiramente bons. Ironicamente, são os principais interessados em manter os livros vivos – porque ganham dinheiro com eles – que os andam a matar.

 

4. A Mulher-Casa

4a) Qual a sua opinião sobre o novo acordo ortográfico? No livro “A Mulher-Casa” é mencionado que “Por vontade expressa do autor, o presente romance não segue as regras do Acordo Ortográfico”. Qual a razão desta opção?

TG - Não concordo com algumas das alterações introduzidas pelo acordo e, sinceramente, estou tão habituada a escrever à “moda antiga” que, se começo a pensar nas modificações introduzidas pelo acordo, a escrita torna-se um processo mecânico e perde a espontaneidade toda.

 

4b) Eu acho que este é um livro que não se visualiza como um filme mas mais como um álbum de fotos. Tem um ritmo muito próprio. Tem consciência disto? É intencional?

TG - Construí o livro como uma série de quadros. Incuti-lhe um ritmo propositadamente lento na primeira metade, muito à século XIX (daí o subtítulo “Cenas da vida íntima em Paris”), e a partir do momento em que o amante entra em cena, acelerei o passo para reflectir o estado de paixão e tensão sexual. O ritmo e a estrutura narrativa dos meus romances são sempre intencionais, fruto de muitos meses de reflexão.

 

4c) Tanto no livro “A Lucidez do Amor” como em “A Mulher-Casa” estamos perante duas mulheres cujos maridos têm profissões exigentes que os obrigam a muitas ausências. No entanto Paula e Mara encaram a realidade de forma muito diferente. De onde vem a segurança de Paula e onde se perde a lucidez de Mara? Pode falar-se em nostalgia pela solidão feminina? Relaciona-se com alguma experiência pessoal?

TG -Paula não é uma mulher particularmente ambiciosa em termos profissionais e tem um marido muito carinhoso e presente, apesar de estar longe de casa durante muito tempo. Paula e Michael vivem no fio da navalha, têm noção de que a vida pode mudar a qualquer instante – porque Michael é piloto e lida com o perigo todos os dias -, portanto acarinham cada momento que passam juntos, o que dá uma enorme serenidade a Paula. Mara, pelo contrário, vê-se relegada para segundo plano na vida do marido, Thomas afasta-se dela, torna-se frio e arrogante. Se juntarmos a essa carência afectiva uma enorme frustração profissional, o resultado só podia ser uma mulher insegura e demasiado emotiva.

O sentimento de nostalgia perpassa todo o livro, sim…  Mara tem saudades de si própria, da mulher que era antes de se ver reduzida ao estatuto de mãe, antes de se tornar um corpo exausto, privado de sono, destituído de desejo sexual. Tem saudades de viver sem horários, de criar os seus chapéus quando lhe apetecia, em vez de se reger pelos biberões e as sestas do filho de colo; saudades do estado de paixão, daqueles beijos adolescentes, como ela diz, que duravam horas e o mundo deixava de existir ao contacto de outro corpo. Mara é uma mulher em busca da sua própria identidade e é através da sexualidade (através do amante, que lhe devolve o corpo e o prazer que ela sentia que tinha perdido) que se vai redescobrir. 

 

4d) Pessoalmente sente que este novo livro representa uma evolução em relação ao anterior? Em que medida?

TG - Espero que seja um passo em frente, a todos os níveis, porque isso significa que estou a evoluir, que não estagnei. Desejo sempre que o próximo livro seja melhor do que o precedente. Encaro a escrita como a vida: em perpétua mudança e crescimento. Espero ter um longo caminho pela frente e talvez aos setenta anos já possa dizer, sem entrar em pânico, que cheguei aonde queria chegar.

 

4e) De que forma é que, durante a escrita e construção deste romance, a Mara entrou na vida de Tânia e a Tânia na vida de Mara?

TG - A Mara viveu comigo durante vários anos e, enquanto construía a personagem, e mais tarde, enquanto escrevia o livro, vi o mundo através dos olhos dela: exposições, filmes, Paris, os noticiários…  tudo me suscitava a pergunta: “Como é que a Mara reagiria a isto?” Ou seja, entrei por completo na cabeça da minha personagem e ela invadiu o meu quotidiano.

 

4f) De que forma gostava que o público visse este romance?

TG - Como a história de uma mulher – um ser humano – em busca de si própria, do seu próprio prazer e identidade, para lá dos rótulos de “esposa”, “mãe”, “costureira”. E também como uma história intemporal de paixão.

 

5. O próximo projeto já está em andamento? O que podemos saber acerca disso?

TG - Já está em andamento, sim. Em fase de pesquisa e construção da personagem principal, um homem de quarenta e poucos anos, ligado ao mar. 

Julho 07, 2012

Desde Que o Samba é Samba, o novo livro de Paulo Lins, o celebrado autor de Cidade de Deus, é publicado pela Caminho e chega hoje às livrarias.

Desde Jorge Amado que o Brasil não nos dava um romance tão brasileiro como este de Paulo Lins.

Trata-se de um romance cuja ação se localiza no Rio de Janeiro, no início do século XX, e que foi publicado recentemente no Brasil, quinze anos depois do aclamado Cidade de Deus, que inspirou o filme homónimo, adaptado por Fernando Meirelles.

Paulo Lins nasceu no Rio de Janeiro em 1958. Iniciou a sua atividade literária como poeta, tendo feito parte, nos anos 80, do grupo Cooperativa de Poetas, através do qual publicou o seu primeiro livro: Sobre o Sol (UFRJ, 1986). Em 1997 publicou um romance que viria a ter uma repercussão mundial – Cidade de Deus –, sobre a violência numa favela no Rio de Janeiro. O romance foi adaptado ao cinema por Fernando Meireles em 2002.

Paulo Lins é também guionista, tendo escrito para televisão e para cinema. O seu guião do filme Quase Dois Irmãos, de 2004, recebeu o prémio de melhor guião da Associação Paulista de Críticos de Arte em 2005. Paulo Lins vive em São Paulo.

368 páginas

PVP C/ IVA 14,90€

Julho 06, 2012

EXÓTICO, DECADENTE E PERIGOSO. UMA HISTÓRIA GRANDIOSA. NOITES DE JASMIM, de Julia Gregson (ASA)

 

1942. Numa Europa devastada pela guerra, a jovem Saba tem uma vida protegida. Demasiado protegida. Ela anseia por liberdade e é suficientemente obstinada para desafiar as convenções e a própria família e perseguir o seu sonho: cantar. Ao atuar num hospital militar britânico, a jovem conhece Dom, um piloto em convalescença. A atração é imediata mas ambos sabem estar perante um amor condenado. Dom debate-se com o trauma das suas cicatrizes de guerra e está decidido a voltar rapidamente ao combate.

Atormentada pelos perigos que o homem que ama está disposto a correr, Saba renuncia aos seus sentimentos e decide partir numa jornada que a levará ao glamour do Cairo e ao calor e opulência de Istambul. Um mundo tumultuoso e decadente de soldados, espiões e agentes duplos. Um mundo onde não há lugar para a inocência e todos buscam mais do que aparentam. Alguns querem apenas desfrutar da sua belíssima voz. Outros, sentir o seu amor. Mas há também quem queira os segredos que só ela, graças ao círculo social em que se move, pode descobrir.

No turbilhão em que se tornou a sua vida, há algo que se mantém inalterado: as suas memórias dos momentos que passou com Dom. Desde então, o mundo mudou irremediavelmente, mas os seus caminhos voltarão a cruzar-se um dia… e da forma mais inesperada.

Julia Gregson trabalhou em diversas revistas femininas no Reino Unido e Estados Unidos, tendo também sido correspondente na Índia e no Vietname.

Para além de Noites de Jasmim, na ASA está já publicado o seu romance A Leste do Sol, que vendeu mais de 500 mil exemplares em todo o mundo e venceu, em 2009, o Prémio para o Melhor Livro Romântico do Ano, atribuído pela Romantic Novelists’ Association.

Os direitos de adaptação desta obra foram também adquiridos para o cinema e a televisão.

PVP 16,90 eur

554 págs

Julho 06, 2012

Porto Editora - Ficção - 'Promessas Desfeitas'

 

Um novo romance da autora bestseller Penny Vincenzi chega às livrarias no dia 16 de julho pela Porto Editora: Promessas Desfeitas, uma história passada na Inglaterra tradicional dos anos 60 sobre um casal que luta pela custódia de uma criança.

Neste novo livro, Penny Vincenzi explora a condição das mulheres na turbulenta sociedade da época, onde se assiste a uma emancipação feminina que contrasta com bailes de debutantes e demais costumes conservadores.

O LIVRO

Esta é a história de dois jovens promissores: ela, Eliza, uma deslumbrante editora de moda, vinda de uma família rica e conservadora; ele, Matt, de origem humilde mas com ambição suficiente para se tornar num magnata do setor imobiliário.

Depressa se apaixonam, casam e têm uma filha. Mas este é um casamento condenado: a paixão inicial vai dar lugar a uma relação conflituosa que acabará num divórcio tumultuoso e numa batalha épica pela custódia da filha – Emmie, uma criança adorável e precoce, que acaba por se tornar numa vítima dos erros dos pais.

Penny Vincenzi, em Promessas Desfeitas, obriga-nos a refletir sobre o elemento mais frágil das famílias em rutura: os filhos, que raramente são ouvidos no auge do conflito.

A AUTORA

Penny Vincenzi é uma das escritoras britânicas com mais sucesso. Foi jornalista, colaborando em publicações como The Daily Mirror, The Times, Vogue e Cosmopolitan, entre outras, antes de iniciar uma carreira literária de sucesso – os seus livros já venderam em todo o mundo mais de sete milhões de exemplares.

O seu primeiro romance, Old Sins, foi publicado em 1989, tendo escrito depois muitos outros, dos quais se destacam Cruel Abandono, O Jogo do Acaso e Uma Mulher Diferente, já publicados pela Porto Editora.

Título: Promessas Desfeitas

Autor: Penny Vincenzi

Tradutor: Isabel Alves

Págs.: 632

PVP: 17,70 €

Julho 04, 2012

O Vendedor de Passados - José Eduardo Agualusa - Opinião

 

Li este livro no Domingo. Sim, um dia foi suficiente. Não é muito grande e estive sempre a ler até terminar. Gostei muito. Gostei da forma como, mais uma vez, José Eduardo Agualusa me levou pela sua bela conjugação de palavras, por frases tão lindas que me dão vontade de voltar atrás e reler.

“O Vendedor de Passados” é um livro inesperado. Pelo menos eu achei muitas vezes surpreendente. Escondem-se sempre tantas coisas por detrás do fio da história, há sempre mais qualquer coisa em cada observação, em cada descrição.

Depois de ler a sinopse esperava algo diferente e objetivo, mas não, deparei-me com um livro em que o narrador é uma osga que noutra vida assumiu a forma humana. Este pequeno animal é um observador nato e um sonhador; coleciona recordações e conquistou-me com o seu amor aos livros.

É através da osga, ou melhor, de Eulálio que conhecemos Félix Barata e a sua atividade de vender passados. Na verdade Félix é alfarrabista, ou melhor, filho de um alfarrabista, e com a sua vasta coleção de livros e informação, constrói vidas, persegue pistas e rastos.

Eulálio está sempre num local estratégico para visualizar os visitantes/clientes e fazer a sua análise dos mesmos. Há quem queira um passado ilustre, reconstruir uma árvore genealógica mais de acordo com uma nova condição política ou social. Acontecem divertidas curiosidades, desde um filho que decide procurar a sua “nova mãe” desaparecida, de tal forma se envolve na família que Félix lhe atribui.

Eulálio dá-nos também conta dos amores de Félix, dos seus gostos e paixões. Tudo sabemos através deste pequeno observador que, pelo meio, nos vai dando também um pouco de si.

O melhor é mesmo a escrita belíssima e envolvente que mais uma vez me maravilhou. Achei que há uma espécie de cor e musicalidade muito próprias na escrita de Agualusa, transmite uma sensação positiva que me faz sentir muito bem.

Fez-me sonhar com livros. Fez-me pensar em cartas e em como agora se perdeu o hábito de as escrever e enviar, como já não há o cuidado em escrever que em tempos se tinha. Pequenas coisas aqui e ali que guardo como uma espécie de coleção de pedacinhos de felicidade. E foi isso mesmo que este livro me transmitiu, felicidade. Porque a felicidade está nas pequenas coisas, naquelas que nos obrigam a sorrir assim que pensamos nelas. Assim foi.

Sinopse

“"Félix Ventura. Assegure aos seus filhos um passado melhor". É a partir deste cartão-de-visita que se desenrolam os capítulos de "O Vendedor de Passados", novo romance de José Eduardo Agualusa. A mentira e a verdade, o(s) homem(s) e o(s) seu(s) duplo(s), a memória e a memória da memória, a ficção e a realidade. Angola ("é importante ironizar com a sociedade angolana, que é uma sociedade que se construiu e se continua a construir assente em muitas ficções" - o autor ao Público, 19/06/04). Tudo poderia acontecer. Tudo poderia ter acontecido. (Susana Moreira Marques, Público, Mil Folhas: "A determinada altura a osga recorda a mãe num momento da sua vida passada: 'Nos livros está tudo o que existe, muitas vezes em cores mais autênticas, e sem a dor verídica de tudo o que realmente existe. Entre a vida e os livros, meu filho, escolhe os livros' (p. 122). José Eduardo Agualusa provavelmente escolhe a vida.") Isto é: os livros?”

D.Quixote, 2008

Julho 04, 2012

Porto Editora - Ficção - "O Mistério do Quadro de Bellini"

 

Após O Fogo de Istambul e A Serpente de Pedra, é publicado no dia 12 de julho, pela Porto Editora, O Mistério do Quadro de Bellini, de Jason Goodwin, o novo livro da série protagonizada pelo audaz detetive eunuco Yashim Togalu. Desta vez, a aventura decorre na cidade de Veneza dominada pelos Habsburgo.

Os livros de Jason Goodwin já se encontram traduzidos para 38 línguas e têm sido premiados com diversos galardões: O Fogo de Istambul foi galardoado com o prémio Edgar Award for Best Novel em 2007 e nomeado para o CWA Ellis Peters Historical Award em 2006 e A Serpente de Pedra foi nomeado para o CWA Ellis Peters Historical Award em 2007.

O LIVRO

Istambul, 1840. Yashim Togalu, o brilhante detetive eunuco, é convocado para uma audiência com o jovem sultão Abdiilmecid, que o encarrega de encontrar uma obra de arte há muito desaparecida: o retrato de Mehmet, o Conquistador, pintado em 1479 pelo famoso mestre veneziano Bellini. O sultão está convencido de que o quadro se encontra em Veneza e, disfarçados, Yashim e o seu inestimável amigo, o embaixador polaco Stanislaw Palewski, atravessam o Mediterrâneo. Veneza é então uma cidade decadente, de palácios desertos e canais silenciosos onde se cruzam negociantes de Arte, falsificadores e aristocratas. O que começa por ser uma simples investigação em breve se torna num jogo perigoso e fatal, e os dois homens veem-se envolvidos numa conspiração que põe em causa quer a estabilidade do Império Otomano, quer a paz na Europa.

Jason Goodwin, neste seu terceiro romance da série protagonizada pelo detetive Yashim, torna a oferecer-nos um retrato fascinante, com um apurado detalhe histórico, do Império Otomano e da Veneza dominada pelos Habsburgo.

O AUTOR

Jason Goodwin interessou-se por Istambul quando estudou História Bizantina na Universidade de Cambridge. Depois do sucesso do seu primeiro livro, The Gunpower Gardens percorrer, a pé, a distância entre a Polónia e Istambul, e o relato dessa viagem, On Foot to the Golden Horn, valeu-lhe o Ma\il on Sunday Prize, que lhe foi atribuído em 1993. Atraído pela a influência do Império Otomano na Europa de Leste, e depois de uma investigação exaustiva, publicou o livro de referência Lord of the Horizons: A History of the Ottoman Empire. O Fogo de Istambul, primeiro livro desta série, alcançou o reconhecimento da crítica e do público internacional, foi galardoado com o Edgar Award for Best Novel e traduzido para trinta e oito línguas.

No catálogo da Porto Editora constam os dois primeiros livros desta série: O Fogo de Istambul e A Serpente de Pedra.

Título: O Mistério do Quadro de Bellini

Autor: Jason Goodwin

Tradutor: José Vieira de Lima

Págs: 304

PVP: 16,60 €

Julho 01, 2012

O Lobo de Wall Street - Jordan Belford - Opinião

 

Li este livro um pouco por acaso. Digo isto porque foi mais o livro a vir ter comigo do que eu ao seu encontro. Seja como for li-o. E desde a primeira página que captou a minha atenção.

O percurso de Jordan Belford, escrito pelo próprio, é interessante e assustador. Sem dúvida um homem especial, com uma capacidade inata para os negócios, mais precisamente para enriquecer com facilidade. Obviamente passando por cima da lei, contornando as regras, mas sempre com uma determinação em atingir os seus objetivos perfeitamente fora do normal.

Não há muito a dizer sobre este livro, não há lugar a especulações ou divagações. Está tudo lá. É ler.

A sua ascensão profissional com base em toda a espécie de especulação bolsista, criação de empresas fictícias, abertura de contas em paraísos fiscais em nomes de outras pessoas; Jordan esteve (quase) sempre um passo à frente do FBI. Um verdadeiro “Lobo” com metas bem definidas que, ao mesmo tempo, se deixa cair num abismo de vícios.

Alcoólico, toxicodependente, viciado em sexo. Ao longo de mais de 10 anos Jordan acompanha o sucesso profissional, a vida de luxo, futilidade e ostentação com o lado mais negro e doentio das dependências. Quando finalmente vai para a desintoxicação os médicos questionam-se como é possível ainda estar vivo, dada a quantidade de substâncias que, todos os dias, consumia.

Interessante ao virar de cada página, um relato bem feito que assusta por ser verdadeiro. Ao mesmo tempo se dê valor ao homem que fez, durante bastante tempo, tudo o que lhe apeteceu nas “barbas” das autoridades sem deixar provas e motivos para ser incriminado. Inteligente mas decadente. Divertido mas no fundo triste. Assim foi o percurso de Jordan Belford. Nas suas próprias palavras: “A vida dos ricos e disfuncionais”.

O filme baseado no livro vem aí. Não quero perder. 

Sinopse

“Esta é a autobiografia de Jordan Belfort, o então jovem corretor de Wall Street que nos anos 90 se sobrepôs à lógica da economia, manipulou o mercado bolsista e ganhou uma fortuna incalculável. Uma história verídica e fulgurante, escrita num registo confessional a que não é alheio um apurado sentido de humor, onde Belfort relata ao pormenor a sua ascensão prodigiosa e queda inevitável. Chamavam-lhe «O Lobo de Wall Street», e a própria máfia colocou operacionais na sua empresa para aprenderem com os seus métodos. Uma leitura actual e aliciante que nos dá a conhecer os meandros do universo da bolsa nova-iorquina.”

Presença, 2012

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