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planetamarcia

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Abril 18, 2012

Uma Questão de Confiança - Tiago Rebelo - Opinião

 

Depois de uma sequência de leituras de livros longos, decidi-me por um livro com menos páginas. Apetecia-me também algo mais leve, as recentes leituras estavam todas, de alguma forma, a ser muito absorventes. Não que isso não me agrade, pelo contrário, mas nesta altura apetecia-me algo diferente; achei que um livro do Tiago Rebelo seria o ideal. Estava certa. Li “Uma Questão de Confiança” numas horas e acabou por me surpreender, pois não era exatamente o que eu estava à espera.

O início é misterioso, deixou-me logo intrigada. Fez-me ir em diversas direções e passar uma parte da leitura a “juntar peças”. Resolvido o mistério, acabou por me surpreender, o que foi bom e inesperado.

Com apenas 180 páginas “Uma Questão de Confiança” conta a história de Teresa Dória, o seu percurso pessoal e profissional, e as suas diversas reviravoltas. Teresa, menina de boas famílias, aqui muito bem caraterizada pelo autor, apaixona-se por Guilherme, um boémio de uma família modesta. Iniciam uma relação amorosa e acabam por casar. Mas as suas diferenças acentuam-se e, como passar do tempo, a filha Sofia acaba por ser o único elo de ligação entre eles.

Ao passo que Guilherme entra cada vez mais no caminho das trevas devido ao vício nas drogas, Teresa procura um percurso de luz, mudando a sua vida, fazendo aquilo que mais gosta, escrever.

Torna-se uma escritora bastante conhecida e admirada pelo público. Ao mesmo tempo, e como curiosamente tantas vezes acontece na vida real, “perseguida” e mal tratada pela crítica literária. Gostei muito destes “apontamentos de realismo” que tantas vezes me fizeram pensar em como as coisas são mesmo assim na nossa sociedade. A caraterização de Teresa, do seu meio, da sua família e amigos é muito real e próxima daquilo que vemos e entendemos por uma classe média/alta da linha de Cascais. Fez-me sentir que Teresa podia (pode) mesmo existir.

Teresa e Guilherme viveram uma relação profunda e de uma forte empatia, mas a confiança foi desaparecendo à medida que Guilherme se afundava nos vícios e deixou a família para segundo plano. A confiança é a questão central deste romance, pois mesmo quando Teresa inicia uma relação com Luís Miguel (médico cirurgião supostamente mais ao “seu nível” do que Guilherme), vive uma constante luta interior em perceber se pode ou não entregar-se e confiar nele.

A vida dá muitas voltas e muitas vezes chegamos à conclusão que as pessoas que nos merecem e em quem podemos confiar são aquelas que estiveram sempre presentes em momentos de necessidade. Que, mesmo não sendo perfeitas, demonstraram ao longo dos anos a sua capacidade de mudar e vontade de agradar.

Luís Miguel é um mistério para Teresa, apesar de gostar dele a relação de ambos deixa-a em conflito interior, sente que há algo mais além daquilo que aparenta. E é numa situação particularmente dura para Teresa que a realidade se revela e a questão da confiança assume um peso que muda o seu percurso de vida radicalmente.

Quando finalmente juntei as peças desta história, e o início fez sentido, senti-me surpreendida por um livro tão pequeno conter tantas coisas em que pensar. Agradou-me muito o facto de uma história comum, que podia ser a de qualquer um de nós, me fazer meditar sobre algumas questões importantes como a confiança. Se calhar por isso mesmo, por ser comum e por poder ser a nossa história ou a do nosso vizinho da frente, me interessou e me fez sentir identificada.

As coisas mais simples são muitas vezes as mais importantes e assim é este livro, descomplicado mas profundo se pensarmos bem no tema abordado. Uma surpresa. Revelou-se dos livros que mais gostei de ler de Tiago Rebelo.

Sinopse

“As vidas de Teresa e Guilherme cruzam-se no início dos anos oitenta despoletando uma ardente paixão entre dois seres que partilham o mesmo sentimento. Mas ao longo do tempo os laços que os unem dão lugar a dúvidas e inquietações, sobretudo na perspectiva de Guilherme que assume a responsabilidade de estar a destruir a relação. Cego pelo sucesso entra por um caminho de autodestruição para o qual tenta arrastar Teresa. Mas ela amadurecera para a vida, criara objectivos próprios e estava cansada de tentar que Guilherme acordasse. Só o amor a prendia a ele. Um dia, porém, Teresa conhece um médico, que perdera tragicamente a sua mulher, e que a faz sentir-se viva e indispensável…”

Presença, 2008

Abril 18, 2012

Bulhosa e Leitura comemoram 'Dia Mundial do Livro'

As livrarias Bulhosa e Leitura juntam-se à comemoração do Dia Mundial do Livro, celebrado na próxima segunda-feira, 23 de abril, promovendo uma série de iniciativas, entre amanhã, 19 e 27 de abril, desde conversas com os escritores Vasco Luís Curado, Valter Hugo Mãe ou João Tordo, até uma tertúlia sobre Pequenas Leituras ou um workshop de preparação para a parentalidade.

- Quinta-feira, 19 de Abril, 18h30. O autor Vasco Luís Curado vai ao ‘Clube de Leitores’, na Bulhosa Campo de Ourique, para falar do seu mais recente romance Gare do Oriente. Moderação de Olga Marques.

- Quinta-feira, 19 de Abril, 21h00. O escritor Valter Hugo Mãe Sexta é o convidado da sexta sessão de ‘O que Arde Cura - Encontros na Leitura’, na Leitura Shopping Cidade do Porto. Moderação de Luís Filipe Costa.

- Segunda-feira, 23 de Abril, 19h00. O escritor João Tordo participa no ‘Clube de Leitores’, na Bulhosa Linda-a-Velha, para falar do seu mais recente romance Anatomia dos Mártires. Moderação de Paula Reis.

- Terça-feira, 24 de Abril, 18h30. Ana Rita Fernandes dinamiza a tertúlia mensal sobre livros para a infância e juventude ‘Pequenas Leituras’, na livraria Bulhosa Campo de Ourique.

- Quinta-feira, 26 de Abril, 18h00. A Bulhosa promove mais uma sessão de ‘Clube de Leitores’, na Bulhosa de Entrecampos, dedicada ao livro de Romana Petri "Esteja Eu Onde Estiver". Moderação de Paula Reis.

- Sexta-feira, 27 de Abril, 18h30. A Bulhosa de Entrecampos, em parceria com a BebéVida, promove um workshop de preparação para a parentalidade.

Abril 18, 2012

GPE - Porto de Encontro - António Mega Ferreira na primeira pessoa

 

O convidado de Sérgio Almeida para o próximo “Porto de Encontro” é o escritor António Mega Ferreira, e a conversa com os leitores está marcada para domingo, 22 de abril, às 17:00, no auditório da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto.

O percurso literário de António Mega Ferreira é diverso: publicou nas áreas do romance, da poesia, do ensaio, da crónica e da biografia, com obras como A Expressão dos Afectos e Macedo – Uma biografia da infâmia. Formado em Direito, António Mega Ferreira foi jornalista durante vários anos e em diferentes meios de comunicação social, tendo-se distinguido também enquanto comissário executivo da Expo’98.

Esta será a sexta edição do “Porto de Encontro”, um evento que vem registando um êxito crescente, com um aumento constante do número de espetadores, que aproxima escritores e leitores e por onde já passaram Gonçalo M. Tavares, José Rentes de Carvalho, Germano Silva, Luis Sepúlveda e Manuel António Pina. Este ciclo de conversas é uma ideia original do jornalista Sérgio Almeida e é promovido pelo Grupo Porto Editora com o apoio da Câmara Municipal do Porto, do Plano Nacional de Leitura, da Porto Cálem, do Jornal de Notícias, da Rádio Nova, do Porto Canal e do programa Ler + Ler Melhor, da RTP Informação.

Abril 18, 2012

Porto Editora - Ficção - SAGAL-Um herói feito em África

 

Uma nova linha de livros de ação e aventura está prestes a chegar às livrarias: SAGAL – Um herói feito em África, de António Brito, apresenta-nos o herói que promete combater as injustiças com que nos deparamos nos nossos dias. O primeiro título desta coleção, publicado pela Porto Editora no dia 27 de abril, incide sobre o nascimento do herói, nomeadamente sobre a sua passagem pela guerra do Ultramar, enquanto paraquedista.

Drogas, corrupção, marginalidade e violência são problemas do nosso quotidiano e fonte de inspiração para António Brito, que os torna pano de fundo das perigosas aventuras de Sagal.

António Brito é autor de Olhos de caçador e O céu não pode esperar, dois romances de guerra inspirados na sua própria experiência no Ultramar.

SINOPSE

Emiliano nasceu num bordel. Abandonado pela mãe, cresceu na Casa Pia, de onde fugiu para a marginalidade. Alistou-se nos paraquedistas para escapar à polícia. Na guerra, em Moçambique, conquista o nome que o celebrizou: leão do Sagal. Na guerra civil de Angola combate como mercenário. Ferido e traumatizado, regressa a Lisboa, à cidade, aos contactos com o submundo e à intriga política. É mulherengo e sedutor, mas as mulheres maltratadas sentem-se protegidas por ele. Da «tia» Lola, a dona do bordel que o acolheu em criança, lembra-se com grande ternura. Vai trabalhar num supermercado, e um dia um assalto violento desperta o Sagal guerrilheiro. Organiza a defesa do supermercado como se este fosse um acampamento no mato, cercado pelo inimigo. A fama de Sagal espalha-se; a sua vida nunca mais será a mesma.

O AUTOR

António Brito é licenciado em Direito e trabalhou em empresas multinacionais. Nasceu entre as serras do Açor e do Caramulo, concelho de Tábua, distrito de Coimbra. Antigo combatente da guerra colonial, alistou-se aos dezoito anos na Força Aérea, nas Tropas Pára-quedistas, sendo mobilizado para a guerra em Moçambique. Combateu os guerrilheiros nacionalistas em algumas das mais importantes operações militares de toda a guerra ultramarina: nas florestas da serra Mapé, nos pântanos do rio Rovuma, no planalto dos macondes, no vale do rio Messalo. Colaborou com jornais de Moçambique e Portugal, contando histórias de guerra e de homens vivendo para lá dos seus limites.

A Sextante Editora publicou os seus romances Olhos de caçador (2007) e O céu não pode esperar (2009), baseados nas suas vivências africanas na guerra de guerrilhas no antigo território português do Índico. Olhos de caçador foi considerado um dos melhores livros escritos em língua portuguesa sobre a guerra colonial, a condição de soldado e a solidão do combatente, revelando o seu lado desconhecido.

Título: SAGAL – Um herói feito em África

Autor: António Brito

Págs: 200

PVP: 15,50 €

Abril 18, 2012

Asa lança Trocada, um dos maiores fenómenos da literatura mundial

 

Trocada, primeiro romance da saga Trylle, é um dos maiores fenómenos da literatura mundial.Os seus livros provocaram um frenesim que já não se sentia desde Stephanie Meyer ou mesmo J. K. Rowling, escreveu o The New York Times sobre Amanda Hocking A norte-americana apresentou o projecto a 50 editoras até que, para pagar uma viagem a Chicago para ver uma exposição sobre os Marretas, decidiu publicar algumas das muitas histórias que tinha escrito em formato digital (e-book) e comercializá-los em sites como a Amazon. Pensou que ganharia 300 dólares mas seis meses depois tinha vendido 150 mil exemplares. Nos dois anos seguintes vendeu dois milhões de exemplares e juntou 2,5 milhões de dólares provocando uma revolução no mercado editorial mundial. 

Com o sucesso online começou a loucura: vários dos maiores editores americanos fizeram ofertas milionárias (tem uma caixa de sapatos cheia). Acabou por assinar um contrato de sonho, ao vender a sua trilogia por dois milhões de dólares – e pouco tempo depois uma produtora cinematográfica adquiriu os direitos para cinema. É considerada a maior revelação literária desde a saga Twilight.

Nascida a 12 de Julho de 1984, Amanda Hocking vive em Austin, no estado de Minnesota. Hoje, continua em casa, já não no seu pequeno apartamento, mas num palacete rodeado de árvores, onde se dedica a fazer o que mais gosta: contar histórias. O que começou a fazer em adolescente. Quando terminou o liceu já escrevera 50 contos e iniciara vários romances. Terminou o primeiro aos 17 anos. E decidiu que queria ser publicada até aos 27, como o seu ídolo, o escritor Stephen King. Conseguiu-o.

Abril 18, 2012

Mia Couto com novo romance: "A Confissão da Leoa" é baseado num acontecimento verídico e chega para a semana às livrarias

 

Mia Couto estará em Portugal a partir da próxima semana para apresentar o seu novo livro A Confissão da Leoa. Trata-se de um romance surpreendente escrito a partir de um acontecimento real presenciado pelo autor.

Para apresentar o livro estão previstas sessões com o autor de norte a sul do país entre os dias 25 de Abril e 13 de Maio (a lista das sessões segue em baixo). Em Lisboa, o livro A Confissão da Leoa será apresentado por José Eduardo Agualusa no dia 2 de Maio, pelas 21 horas, na Feira do Livro de Lisboa.

Sinopse

Um acontecimento real – as sucessivas mortes de pessoas provocadas por ataques de leões numa remota região do norte de Moçambique – é pretexto para Mia Couto escrever um surpreendente romance. Não tanto sobre leões e caçadas, mas sobre homens e mulheres vivendo em condições extremas. Como afirma um dos personagens, «aqui não há polícia, não há governo, e mesmo Deus só há às vezes». E a Confissão da Leoa, através da versão de Mariamar, habitante da aldeia de Kulumani, e do diário de Gustavo Baleiro, o caçador contratado para matar os leões – os dois narradores desta história – vai expondo diante dos nossos olhos como a guerra, a fome, a superstição, podem transformar os homens em animais selvagens: «foi a vida que a desumanizou. Tanto a trataram como um bicho que você se pensou um animal». Sobre e contra este pano de fundo ergue-se uma extraordinária figura de mulher – Mariamar.

A Confissão da Leoa é bem um romance à altura de Terra Sonâmbula e Jesusalém, já conhecidos do leitor português.

Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique, em 1955. Foi jornalista e professor, e é, atualmente, biólogo e escritor. Está traduzido em diversas línguas. Entre outros prémios e distinções (de que se destaca a nomeação, por um júri criado para o efeito pela Feira Internacional do Livro do Zimbabwe, de Terra Sonâmbula como um dos doze melhores livros africanos do século xx), foi galardoado, pelo conjunto da sua já vasta obra, com o Prémio Vergílio Ferreira 1999  e com o Prémio União Latina de Literaturas Românicas 2007. Ainda em 2007 Mia foi distinguido com o Prémio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura pelo seu romance O Outro Pé da Sereia. Jesusalém, o seu último romance, foi considerado um dos 20 livros de ficção mais importantes da «rentrée» literária francesa por um júri da estação radiofónica France Culture e da revista Télérama. Em 2011 venceu o Prémio Eduardo Lourenço, que se destina a premiar o forte contributo de Mia Couto para o desenvolvimento da língua portuguesa. A Confissão da Leoa é o seu mais recente livro.

Sessões com a presença do autor:

25/4      quarta-feira     17.00h  -  Lisboa, Feira do Livro (sessão de autógrafos)

26/4      quinta-feira      21.00h  - Coimbra, Lançamento no Café Santa Cruz

27/4      sexta-feira       15.00h  - Guarda, Biblioteca Municipal – Lançamento

30/4      segunda-feira  18.00h – Leiria, Livraria Arquivo

                                       21.30h  - Figueira da Foz, Biblioteca Municipal

1/5       terça-feira        17.00h – Lisboa, Feira do Livro (sessão de autógrafos)

2/5       quarta-feira      21.00h – Lisboa, Feira do Livro – Lançamento do Livo

3/5       quinta-feira      18.00h  - Braga, Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva

                                      21.30h – Guimarães, Biblioteca Raul Brandão

4/5       sexta-feira       11.00h – Vizela – Feira do Livro

                                     14.30h – Ponde de Lima, Escola de Arcozelo

                                     18.00h – Póvoa de Varzim, Diana Bar

                                     21.30h – Viana do Castelo, Biblioteca Municipal

5/5       sábado             17.00h – Lisboa, Feira do Livro (sessão de autógrafos)

6/5       domingo           17.00h – Lisboa, Feira do Livro  (sessão de autógrafos)

8/5       terça-feira       18.00h – Redondo – Feira do Livro, Lançamento do livro

                                      21.30h – Évora – Biblioteca Pública

9/5       quarta-feira     18.00h – Torres Vedras – Livraria Livro do Dia

10/5     quinta-feira     18.00h – Portimão, Biblioteca Municipal

                                      21.30h – Faro – Pátio das Letras

11/5      sexta-feira     18.00h – Almada – Instituto Piaget

12/5      sábado            17.00h – Lisboa, Feira do Livro (sessão de autógrafos)

13/5      domingo          17.00h – Lisboa, Feira do Livro (sessão de autógrafos)

Abril 18, 2012

Esta quinta, 19de Abril, Valter Hugo Mãe participa nos "Encontros na Leitura"

 

O escritor e vencedor do Prémio Saramago em 2006, Valter Hugo Mãe, vai estar na Leitura Shopping Cidade do Porto, esta quinta-feira, 19 de abril, às 21h00, para participar na quinta sessão de O Que Arde, Cura - Encontros na Leitura, uma iniciativa da Leitura em parceria com o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A sessão vai ser moderada pelo linguista e investigador Luís Filipe Costa.

Valter Hugo Mãe nasceu em Saurimo, Angola, em 1971. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, vive em Vila do Conde. Publicou os romances O filho de mil homens (2011), a máquina de fazer espanhóis (2010) o apocalipse dos trabalhadores (2008), o remorso de baltazar serapião, vencedor do Prémio José Saramago (2006) e o nosso reino (2004).

A sua obra poética está revista e reunida no volume contabilidade (Objectiva/Alfaguara, 2010) e publicou os livros para os mais novos O rosto (Agosto 2010), As mais belas coisas do mundo (Agosto 2010), A verdadeira história dos pássaros (2009) e A história do homem calado (2009). É vocalista do grupo musical Governo e esporadicamente dedica-se às artes plásticas. Em 2010, recebeu a Pena de Camilo Castelo Branco.

O Que Arde, Cura | Encontros na Leitura pretende ser um espaço de discussão, partilha de ideias e experiências e de convívio. Estes encontros podem ter como convidados os próprios autores dos livros em análise, estabelecendo pontes entre a visão dos leitores e a conceção que os criadores têm da sua obra.

Valter Hugo Mãe na quinta sessão de O Que Arde, Cura - Encontros na Leitura - quinta-feira, 19 de abril, 21h00 - Leitura Shopping Cidade do Porto, Rua Gonçalo Sampaio, 350, Loja 238, 220 100 006.

Abril 16, 2012

Novidade Oficina do Livro - O primeiro romance de Pedro Boucherie Mendes - "Agora, uma história de amores próprios"

 

Agora, uma história de amores próprios onde percebemos que na verdade, nada se sabe sobre os outros.

Sobre o Livro

Aos 35 anos, Vasco deixou o amor fugir-lhe para sempre porque não esteve para se chatear. Quem vai pagar pelo maior erro da sua vida é Alexandra, a vizinha divorciada incapaz de perceber qual a intenção deste homem.

Vasco é insondável, até para os amigos com quem passa a maior parte do tempo: Guicas, a menina rica e cleptomaníaca que gosta demasiado de vodka e não suporta ver ninguém feliz; Miguel, que se casou com ela por dinheiro e estatuto e que agora vê na morte da mulher a solução para todos os problemas; Sofia, que não consegue esquecer Vasco e se tornou numa mãe desesperada por atenção, desconfortável no seu corpo e ressentida com os amigos; e Quico, o inconsequente marido de Sofia, que a trai com Mafalda, uma arrivista disposta a quase tudo para pertencer àquele grupo onde, na verdade, ninguém se conhece e todos estão à deriva.

Um dia, o tarólogo Zé Luís, com os seus dentes demasiado brancos, cruza-se com estes homens e mulheres.

E a vida de todos muda bruscamente.

Sobre o Autor

Pedro Boucherie Mendes nasceu em 1970 e é jornalista. Trabalhou na rádio, imprensa e televisão. Começou a escrever no jornal O Independente e, atualmente, é diretor dos canais temáticos da SIC.

Agora - Uma História de Amores Próprios é o seu primeiro romance.

PVP 14,50 eur

320 págs

Abril 15, 2012

As Horas Distantes - Kate Morton - Opinião

 

Livro terminado há umas horas. Terceiro livro que leio de Kate Morton. Simplesmente fabuloso. Para mim o melhor dos três, apesar de achar que seria difícil superar qualquer um dos anteriores.

Ao virar a última página fiquei com aquela sensação de realização que só alguns livros proporcionam. Senti que tinha chegado ao fim de uma história completa, de uma narrativa sem falhas, em que todas as peças acabam por ter o seu lugar no desenvolvimento e desfecho. Agora, mesmo já tendo passado umas horas de o ter terminado, continuo a achá-lo perfeito. Receio os livros perfeitos, gosto de encontrar falhas, se calhar para os humanizar, não sei, mas neste caso deve tratar-se de uma criatura celestial, talvez um anjo negro dado o carácter sombrio do desenrolar da ação.

Kate Morton é, quanto a mim, uma escritora influenciada pelos clássicos, daí os ambientes que cria e a forma brilhante como escreve. Ao ler “As Horas Distantes” senti algumas vezes que podia estar a ler um romance das irmãs Brontë, dado o clima a pender para o negro, e se calhar, em algumas situações, para o Gótico.

Segredos e mistérios continuam a ser o mote na escrita da autora. Outra semelhança com os livros anteriores são os saltos temporais, a forma como faz o leitor “dançar” entre o presente e o passado, deixando pistas aos poucos, sempre aos poucos, de modo a que o leitor vá construindo a história. Peças pequeninas das vidas das personagens vão sendo mostradas, umas vezes apresentando soluções, mas a maioria das vezes criando dúvidas, ansiedades e muita vontade de prosseguir a leitura. O leitor nunca se perde mas anseia poder viajar nas páginas do livro como se a máquina do tempo existisse mesmo.

Tudo começa com uma carta perdida durante cerca de 50 anos. Uma carta que, se tivesse sido entregue em devido tempo, teria possivelmente mudado a vida de Meredith, a sua destinatária. Mas no final do livro ficamos estranhamente com a sensação que se calhar, afinal, a história seguiu o seu curso, e tudo acontece quando tem de acontecer.

Edith, filha de Meredith, curiosa com as emoções que a chegada da carta provoca na mãe, inicia um percurso de descoberta do passado que a leva até ao Castelo de Midelhurst, para onde Meredith foi evacuada em criança, durante a guerra.

São muitos os destinos cruzados e histórias entrelaçadas há medida que vamos conhecendo o passado. Cada palavra, página, capítulo emanam mistérios, histórias que vão sendo reveladas aos poucos.

Três irmãs habitam ainda o Castelo. As suas paredes ocultam diversos segredos. Durante a leitura até parece que as ouvimos segredar, que querem contar o que ao longo dos anos foram testemunhando, histórias de família, paixão, traição, crime e dor. Uma busca pelos responsáveis? Uma procura dos culpados? Uma necessidade de redenção? Nada é o que parece, e o desfecho perturbador deixou-me estranhamente aliciada. Um livro que exige do leitor mas que dá muito.

Densas coincidências que se prolongam por mais de 500 páginas; que me fizeram pensar em todas as possibilidades, inclusive em algumas situações que se verificaram, mas a dúvida é alimentada até ao final. Surpreendente como se quer um livro repleto de mistérios, ou se quiserem, um thriller romântico, como já ouvi chamarem aos livros de Kate Morton.

Um pormenor que me fascinou particularmente foi o facto de Edith, a “detetive” da trama, ser filha única e movimentar-se num núcleo de três irmãs, duas delas gémeas. Eu sou filha única e identifiquei-me muito com Edith, partilhamos a normal curiosidade do como será ter irmãos, além disso sempre tive um fascínio enorme pela relação dos irmãos gémeos, e neste livro essa relação é explorada de uma forma acutilante. Mais um pormenor muito bem pensado pela autora; mais um entre muitos.

“Devia ser aquela coisa dos irmãos; estava fascinada pelo emaranhado arrevesado de amor e dever e ressentimento que as unia. Os olhares que trocavam; o complicado equilíbrio de poder estabelecido havia décadas; os jogos nos quais eu jamais participaria, com regras que nunca entenderia na totalidade. Quiçá isso fosse fundamental: tratava-se de um grupo de tal forma natural que me fazia sentir extraordinariamente única em comparação. Observá-las juntas era admitir com veemência e sofrimento tudo o que perdera.” (pág.411)

Resta-me recomendar este livro. Sem reservas. Vai ficar em mim por muito tempo…daqueles que se calhar ficam para sempre…raros e imperdíveis!

Sinopse

Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.
Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.
No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

Porto Editora, 2012