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planetamarcia

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Maio 01, 2011

Arlington Park - Rachel Cusk - Opinião

 

Desde que foi editado, em 2009, que “Arlington Park” me suscitou grande curiosidade. Ao ler a sinopse, sobre um dia passado num bairro dos arredores de Londres e da interacção entre os seus habitantes, que tive um palpite que este livro me iria agradar.

Trata-se de uma história contada num ritmo próprio de uma forma muito particular. É um livro essencialmente descritivo em que são expostas as características mais peculiares de cada uma das personagens. Sinto que por um lado entrei na mente de cada e por outro os pude olhar de fora, fazendo uma análise das suas acções e atitudes.

A autora tem de facto uma excelente capacidade para descrever e realçar certos traços característicos de cada um. Ao longo de apenas um dia conhecemos a realidade de uma série de mulheres (os maridos são analisados sob o olhar das esposas), percebemos as suas aspirações tendo em conta os seus passados, e podemos antever o futuro tendo por base o dia-a-dia. Não me vou perder em pormenores sobre a vida de cada uma, apenas focar a forma como a autora nos transmite, de forma exemplar, cada uma destas realidades.

De facto, Rachel Cusk não se perde com rodeios, descreve de forma incisiva (por vezes cáustica) a vida de um grupo de mulheres que, cada uma à sua maneira, vive uma vida de cansadas frustrações. Senti que são vidas vividas na sombra dos seus companheiros, sempre expectantes acerca dos seus desejos. Este modo de vida trás um consequente desgaste e uma vontade de viver de outra forma. Os filhos (para as que são mães) representam também um “fardo” pouco partilhado com os maridos. Enfim, são vidas no limite das forças, onde qualquer ser humano pode chegar se se colocar continuamente em segundo plano e for acumulando desejos reprimidos e vontades deixadas para trás.

Com um toque especial de humor negro, Rachel Cusk, apresenta este lote de mulheres cansadas das suas realidades, sempre a olhar para a vida alheia e a fazer o seu próprio juízo da vizinhança. Se houve alturas em que esta leitura me soube a pouco, outras houve em que me senti empolgada com a sublime caracterização destes modos de “viver”. Um livro pequeno mas que não se lê rápido, antes se saboreia, e fica connosco mesmo depois de concluído.

Sinopse

“Ao longo de um único dia, o bairro de Arlington Park é o elegante cenário no qual as vidas de cinco mulheres vão ser expostas. Juliet, inconformada com o papel que o casamento lhe reservou; Amanda, cuja obsessão pelo trabalho doméstico esconde o seu lado mais sombrio; Solly, prestes a dar à luz o seu quarto filho; Maisie, que tenta desesperadamente aceitar a pacatez da sua nova vida longe de Londres; e Christine, a optimista, que se prepara para reunir as suas vizinhas num jantar cujo desfecho é absolutamente imprevisível.
Aparentemente, estas cinco mulheres têm tudo para serem felizes e, contudo, sentem-se manietadas pela frustração, os desejos reprimidos, o ódio e até a ocasional loucura. São esposas e mães que se refugiaram há muito num convencionalismo que as protege, principalmente da própria vida.
Com um estilo elegante e lúcido, Rachel Cusk, uma das escritoras mais prestigiadas do panorama literário internacional, construiu uma narrativa ambiciosa, que é um marco na literatura anglo-saxónica contemporânea.”

ASA, 2009

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