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planetamarcia

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Junho 20, 2010

O Décimo Terceiro Conto - Diane Setterfield - Opinião

 

Um livro que, mais do que pela sua história, me cativou pela belíssima forma como está escrito, e pela paixão pelos livros que deixa transparecer ao longo das suas páginas.

Margaret Lea é sobretudo uma leitora por vocação. Interessada pelas obras de autores que já morreram, dedica-se à pesquisa de factos sobre as suas vidas. Curiosamente é Vida Winter, uma autora sua contemporânea, que lhe pede que escreva a sua biografia; trata-se de uma escritora de muito sucesso cujo passado está repleto de mistérios e segredos.

Muitos segredos vão sendo revelados de forma nem sempre clara, de modo que a narrativa obriga a uma atenção constante permitindo um bom alheamento da realidade.

Mais do que os mistérios do passado de Vida Winter, foi o prazer de percorrer e descobrir a melodia das palavras que me fez chegar à última página. Se por vezes o prazer desta leitura me recordou o talento literário de Zafón, na maior parte do tempo senti-me encantada na descoberta de uma autora que toca profundamente todos os que nutrem uma profunda paixão pelos livros, como eu.

“Eu não me limitava a lê-los. Devorava-os. Embora o meu apetite por alimentos diminuísse a minha fome por livros era constante. Era o princípio da minha vocação.” (pág.24)

“Assim como as pessoas tratam das sepulturas dos mortos, eu trato dos livros. Limpo-os, executo pequenas reparações, mantenho-os em ordem. E todos os dias abro um ou dois volumes, leio algumas linhas ou páginas, deixo que as vozes dos mortos esquecidos ressoem na minha cabeça.” (pág. 25)

“Contra a colcha de uma azul suave as páginas do meu livro aberto, iluminadas por um círculo de luz, eram as portas para outro mundo.” (Pág. 31)

“Fui sempre uma leitora; li em todas as fases da minha vida e não houve altura nenhuma em que ler não fosse a minha maior alegria.” (Pág. 38)

Sinopse

“Vida Winter passou quase seis décadas a iludir jornalistas e admiradores acerca das suas origens, mantendo oculto o seu passado enigmático, tão enigmático como a sua primeira obra, intitulada Treze Contos de Mudança e Desespero, e que continha apenas doze. Porém, tudo isto pode estar prestes a mudar quando Margaret Lea, biógrafa amadora, recebe uma carta da famosa escritora convidando-a a redigir a sua biografia. Pela primeira vez, Vida Winter vai contar a verdade, a verdade acerca de uma família atormentada por segredos e cicatrizes. Mas poderá Margaret confiar totalmente nela? E terá sido ela eleita depositária das confidências por um motivo inocente? Um romance assombroso, que se tornou um bestseller imediato e que será publicado em mais de trinta línguas.”

Editorial Presença, 2007