Sábado, 4 de Agosto de 2012

Encontro em Jerusalém - Tiago Rebelo - Opinião

 

Já li alguns livros de Tiago Rebelo e quando inicio uma nova leitura do autor estou certa de que vou gostar. É uma escolha certeira quando não quero ter dúvidas sobre o nível de satisfação que um livro me pode proporcionar. Então, quando não me apetece experimentar um(a) novo(a) autor(a), e quero chegar ao final com vontade que o livro tivesse mais páginas, este é um dos escritores que saltam da estante. Nesta altura não tenho mais nenhum livro dele por ler, situação que terei de alterar.

“Encontro em Jerusalém” tocou-me particularmente, tornou-se um dos meus favoritos.

Baseado na experiência real de Tiago enquanto jornalista de cenários de guerra, o Tiago escritor criou um palco violento e real para contar o amor de Francisca e Afonso. O livro começa com um enquadramento curto mas muito bem feito da situação, ou de várias situações, ocorridas no médio oriente. Conflitos e mais conflitos a que todos já assistimos na televisão em direto, mas de que, se calhar, grande parte das pessoas desconhece as causas. Neste livro está um bom ponto de partida para aprender e até ganhar gosto em pesquisar e saber mais.

Afonso é jornalista, adora o seu trabalho e o risco das reportagens mais perigosas. Francisca não é nada do que nos é dado a conhecer no início e surge por acaso na vida de Afonso. Uma coincidência faz com que se tornem colegas de reportagem dado que Francisca é fotógrafa e Afonso fica sem fotógrafo em Jerusalém. Conhecem-se nesta cidade, iniciam a sua relação profissional e também uma relação amorosa. Completam-se. Profissionalmente tornam-se uma dupla de sucesso. Francisca prova que tem talento para o fotojornalismo, mesmo tendo iniciado a sua carreira com um verdadeiro tiro no escuro. Arriscou. Teve uma oportunidade que soube agarrar. Completam-se também no campo pessoal. Jerusalém foi o palco do início do seu amor. Cidade onde regressam. Local onde o seu amor sofre duras provas.

Dei por mim a pensar em diversos detalhes durante esta leitura. Sinceramente não consigo deixar referir a diferença colossal que se verificou na fotografia em apenas alguns anos. Enquadrando um pouco a ação, há medida que Francisca ilustrava com fotos as notícias de Afonso, os rolos eram enviados para a redação do jornal em Lisboa. Rolos! Fiquei fascinada ao pensar nos rolos e lembrar-me da mística das fotos que ficavam dentro das máquinas, ou melhor dos rolos, até podermos ver os resultados. Agora é tudo imediato. Na altura (e não foi assim há tantos anos) Francisca só sabia o resultado das fotos quando as via no jornal – aí era sinal de um bom trabalho, as fotos eram escolhidas para ser publicadas.

Identifiquei-me com a história deste casal. A forma como a sua relação evolui, como conseguem manter uma boa relação profissional e uma sólida união familiar. Lado a lado, os projetos pessoais acompanham os profissionais num jogo de sucesso, possível pelo apoio e dedicação que dão um ao outro. Conheci Francisca e Afonso à medida que eles próprios se iam conhecendo, iam abrindo um ao outros os seus sonhos, ambições e projetos. De um solitário viciado no trabalho, Afonso transforma-se num homem de família com vontade de construir um lar para os filhos que sonham ter.

Uma profissão de risco tem o seu peso, e quando o cenário muda e os sonhos são desfeitos por motivos que ninguém tem culpa, há que saber lidar com a situação e distinguir o que realmente importa. Quando Francisca e Afonso regressam a Jerusalém enfrentam uma dura realidade que altera as suas vidas para sempre. Deixarão que a dor e a violência os arrase destruindo os seus sonhos em definitivo? Tal como um atendado em larga escala a sua relação extingue-se minada no local onde começou?

Uma dor imensa, uma perda incalculável. Une ou separa? Destrói ou constrói? A distância acalma ou atiça? O tempo que passa cura ou extingue? A dúvida fica até ao final aguçando o interesse e apressando o folhear das páginas.

Verifico mais uma vez que Tiago Rebelo não desilude. Neste caso a linha entre a realidade e a ficção é ténue dado que são descritos acontecimentos verídicos de uma forma muito real, assustadoramente real por vezes. A história de Francisca e Afonso é credível, pode mesmo ter acontecido, são personagens com quem nos podemos cruzar na rua todos os dias. Um bom livro pode ser aquele que nos faz acreditar que se ultrapassa a ficção.

Sinopse

“Francisca e Afonso são um casal de repórteres de guerra que se conheceu na Terra Santa, em dias pautados pelo ruído dos Scuds iraquianos, a que o autor poeticamente chamou «dias de pólvora». Mas os clarões que em 1991 incendiavam os céus de Jerusalém e de Bagdad perdiam todo o seu fulgor perante a luminosidade quase incandescente da paixão que unia os dois repórteres. Muitos outros cenários de guerra testemunhariam o amor, o entendimento pleno que os tornava tão íntimos e felizes. Mas a proverbial inveja dos deuses não tolera uma felicidade em estado puro, e a sua intervenção não se fez esperar. Francisca e Afonso iriam ter pela frente a mais dura prova à intensidade da sua paixão.

Com o sugestivo título "Encontro em Jerusalém", o mais recente livro de Tiago Rebelo conquista-nos de forma imediata e incondicional através de uma narrativa que concilia autenticidade e arrebatamento na justa medida, e que nos deixa absolutamente rendidos ao seu subtil poder de encantamento. Baseado nas experiências das reportagens de guerra do escritor, nomeadamente em dois dos conflitos que mais marcaram a década de 90 — a Guerra do Golfo e a Guerra da Bósnia —, "Encontro em Jerusalém" surpreende-nos pela extraordinária riqueza e verosimilhança dos cenários, de um rigor documental, e das personagens que neles se movem, e revela-nos ainda o conhecimento profundo que o autor tem dos ambientes socio-políticos descritos.”

Editorial Presença, 2005

publicado por marcia às 23:07
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Uma Questão de Confiança - Tiago Rebelo - Opinião

 

Depois de uma sequência de leituras de livros longos, decidi-me por um livro com menos páginas. Apetecia-me também algo mais leve, as recentes leituras estavam todas, de alguma forma, a ser muito absorventes. Não que isso não me agrade, pelo contrário, mas nesta altura apetecia-me algo diferente; achei que um livro do Tiago Rebelo seria o ideal. Estava certa. Li “Uma Questão de Confiança” numas horas e acabou por me surpreender, pois não era exatamente o que eu estava à espera.

O início é misterioso, deixou-me logo intrigada. Fez-me ir em diversas direções e passar uma parte da leitura a “juntar peças”. Resolvido o mistério, acabou por me surpreender, o que foi bom e inesperado.

Com apenas 180 páginas “Uma Questão de Confiança” conta a história de Teresa Dória, o seu percurso pessoal e profissional, e as suas diversas reviravoltas. Teresa, menina de boas famílias, aqui muito bem caraterizada pelo autor, apaixona-se por Guilherme, um boémio de uma família modesta. Iniciam uma relação amorosa e acabam por casar. Mas as suas diferenças acentuam-se e, como passar do tempo, a filha Sofia acaba por ser o único elo de ligação entre eles.

Ao passo que Guilherme entra cada vez mais no caminho das trevas devido ao vício nas drogas, Teresa procura um percurso de luz, mudando a sua vida, fazendo aquilo que mais gosta, escrever.

Torna-se uma escritora bastante conhecida e admirada pelo público. Ao mesmo tempo, e como curiosamente tantas vezes acontece na vida real, “perseguida” e mal tratada pela crítica literária. Gostei muito destes “apontamentos de realismo” que tantas vezes me fizeram pensar em como as coisas são mesmo assim na nossa sociedade. A caraterização de Teresa, do seu meio, da sua família e amigos é muito real e próxima daquilo que vemos e entendemos por uma classe média/alta da linha de Cascais. Fez-me sentir que Teresa podia (pode) mesmo existir.

Teresa e Guilherme viveram uma relação profunda e de uma forte empatia, mas a confiança foi desaparecendo à medida que Guilherme se afundava nos vícios e deixou a família para segundo plano. A confiança é a questão central deste romance, pois mesmo quando Teresa inicia uma relação com Luís Miguel (médico cirurgião supostamente mais ao “seu nível” do que Guilherme), vive uma constante luta interior em perceber se pode ou não entregar-se e confiar nele.

A vida dá muitas voltas e muitas vezes chegamos à conclusão que as pessoas que nos merecem e em quem podemos confiar são aquelas que estiveram sempre presentes em momentos de necessidade. Que, mesmo não sendo perfeitas, demonstraram ao longo dos anos a sua capacidade de mudar e vontade de agradar.

Luís Miguel é um mistério para Teresa, apesar de gostar dele a relação de ambos deixa-a em conflito interior, sente que há algo mais além daquilo que aparenta. E é numa situação particularmente dura para Teresa que a realidade se revela e a questão da confiança assume um peso que muda o seu percurso de vida radicalmente.

Quando finalmente juntei as peças desta história, e o início fez sentido, senti-me surpreendida por um livro tão pequeno conter tantas coisas em que pensar. Agradou-me muito o facto de uma história comum, que podia ser a de qualquer um de nós, me fazer meditar sobre algumas questões importantes como a confiança. Se calhar por isso mesmo, por ser comum e por poder ser a nossa história ou a do nosso vizinho da frente, me interessou e me fez sentir identificada.

As coisas mais simples são muitas vezes as mais importantes e assim é este livro, descomplicado mas profundo se pensarmos bem no tema abordado. Uma surpresa. Revelou-se dos livros que mais gostei de ler de Tiago Rebelo.

Sinopse

“As vidas de Teresa e Guilherme cruzam-se no início dos anos oitenta despoletando uma ardente paixão entre dois seres que partilham o mesmo sentimento. Mas ao longo do tempo os laços que os unem dão lugar a dúvidas e inquietações, sobretudo na perspectiva de Guilherme que assume a responsabilidade de estar a destruir a relação. Cego pelo sucesso entra por um caminho de autodestruição para o qual tenta arrastar Teresa. Mas ela amadurecera para a vida, criara objectivos próprios e estava cansada de tentar que Guilherme acordasse. Só o amor a prendia a ele. Um dia, porém, Teresa conhece um médico, que perdera tragicamente a sua mulher, e que a faz sentir-se viva e indispensável…”

Presença, 2008

publicado por marcia às 22:57
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Domingo, 29 de Janeiro de 2012

Concurso Literário Breve História de Amor. A dois dias do final não deixem escapar a inspiração!

 

Ainda há tempo para participar! Todas as informações aqui.

publicado por marcia às 19:22
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Concurso Literário Breve História de Amor

 

Por iniciativa do escritor Tiago Rebelo e da ASA, a sua editora, está em curso um concurso literário de pequenas histórias de amor intitulado “Concurso Literário Breve História de Amor“. O planetamarcia apoia e divulga esta ideia.

Desafio aqueles que me seguem para este interessante concurso. Para participar basta escrever um texto – uma breve história de amor com um máximo de 3000 carateres (espaços incluídos), Não são aceites textos que excedam este limite;

O prazo para o envio das histórias será o dia 31 de Janeiro de 2012;

Os concorrentes deverão enviar a sua história para brevehistoriadeamor@gmail.com;

Um júri composto pelo autor, pela ASA, e pelos blogs aderentes, após um processo de selecção, farão a eleição da melhor história.

No dia 14 de fevereiro, dia dos namorados, será anunciado o vencedor através da publicação da história e do nome do seu autor em todos os blogs aderentes e ainda no site da LeYa e no site e página de Facebook do autor, bem como nos blogs da ASA;

O vencedor receberá uma colecção completa e autografada dos livros do Tiago Rebelo publicados pela ASA;

Eu acho esta ideia genial e o prémio muito tentador. Inspirem-se e participem!

publicado por marcia às 23:13
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Domingo, 20 de Novembro de 2011

Breve História de Amor - Tiago Rebelo - Opinião

 

Ler este livro foi muito especial, principalmente pela forma como chegou até mim. Foi num fim de tarde excepcional, como já partilhei aqui.

Já li alguns livros de Tiago Rebelo e gosto da forma como escreve. “Breve História de Amor” é uma sucessão de curtas histórias sobre as relações humanas que ganha em ser lido aos poucos. São várias histórias já publicadas na revista Domingo do Correio da Manhã, mas que nos chegam sem os cortes que as limitações de espaço que uma publicação do género implica.

Pessoalmente gostei muito de ler. Uma ou duas histórias por dia, um género de curta-metragem, uma mudança radical no tipo de leitura que habitualmente faço. Foi bom ler devagar. Mesmo bom saborear as descrições de momentos captados de um quotidiano que podia ser o de qualquer um de nós. Dei por mim a imaginar de onde viriam estas personagens que só por duas vezes têm nomes – a primeira numa das histórias mais breves e a segunda no final, no conto “Amores Indeléveis”, uma publicação inédita.

Ele/ela podem ser qualquer pessoa que o autor captou ao longe numa esplanada e, pelas suas expressões e conversas ter-lhes criado vidas, alegrias, tristezas e enganos. Acho curiosa esta ideia pois é algo que faço de forma recorrente e inevitável, observar os outros e imaginar vidas. Deixar pessoas habitar na minha cabeça com vidas próprias que eu não controlo, nem quero controlar, apenas acompanhar e ver o que dá. Não sei se é assim que funciona com o Tiago Rebelo e também não é importante que nos desvende (todos) os seus segredos, o importante é o resultado final, um belíssimo livro que é uma compilação com potencial para agradar a todo o género de leitores.

Notei uma tendência para escrever sobre os amores que não resultam, mas que durante a sua breve existência são plenos e felizes. E são esses momentos que fazem a vida valer a pena.

Um autor é um observador, um inventor de vidas. Nestes casos, mesmo apesar das separações e desilusões há sempre uma luz, uma vontade de prosseguir e de ser feliz, de tentar de novo. E não somos todos um pouco assim? Apesar das marcas de passados negativos, há uma qualquer estranha fé que nos faz percorrer caminhos semelhantes com a perspectiva de, desta vez, acertar o alvo.

Um género que me cativou e que me deu (ainda) mais vontade de escrever, desenvolver e deixar passar para o papel os muitos “habitantes” da minha mente.

Sinopse

“Breve História de Amor é o desfile de retratos autênticos sobre relações quotidianas. Caminhos do acaso que levam homens e mulheres a cruzarem os seus destinos, por vezes, nas circunstâncias mais surpreendentes.
Pessoas que se encontram, ou se reencontram, que se unem ou se separam, sentimentos intensos e irreprimíveis que determinam as suas vidas e alteram bruscamente e sem aviso os seus destinos.
Através de uma descrição intensa e cirúrgica, Tiago Rebelo conduz-nos aos pensamentos mais íntimos das personagens que tantas vezes se confundem com os nossos.
Autor de romances bem conhecidos do público, como O Tempo dos Amores Perfeitos, O Último Ano em Luanda ou Uma Noite em Nova Iorque, Tiago Rebelo oferece aos leitores a versão original das melhores histórias publicadas ao longo de mais de um ano na revista Domingo, do Correio da Manhã, e ainda o conto inédito Amores Indeléveis.”

Asa, 2011

publicado por marcia às 01:44
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

Para ti, Uma Vida Nova - Tiago Rebelo - Opinião

 

Já li alguns livros do Tiago Rebelo, e este é provavelmente o que achei menos interessante. É um livro pequeno, que por vezes me deu a impressão de uma história contada demasiado depressa, mas que se lê bem e entretém.

Cristina e Miguel conhecem-se por acaso na praia e uma série de coincidências precipitam um relacionamento. No entanto a relação de ambos passa a ser também profissional, dado que o grupo empresarial liderado pelo marido de Cristina adquire o Jornal onde trabalha Miguel. Uma discussão leva ao afastamento dos amantes e faz com que sejam tomadas decisões que mudam o rumo do recente namoro. A verdade é que, independentemente do futuro ou não da relação, decisões foram tomadas que mudam a vida de Cristina para sempre e, independentemente do curso da história ser o sonhado, a vida dela gritava por um novo rumo.

Uma história simples contada a um ritmo rápido, o que em algumas alturas me deu a sensação de um relato pouco real. Não é um livro brilhante, por vezes revelando alguma imaturidade da escrita face a outros livros do autor. Contudo permite uma leitura agradável e constante, sempre com vontade de chegar ao fim.

Sinopse 

“Sempre que ia fazer surf para o Guincho, Cristina esquecia-se do mundo. Para ela havia, nesses momentos, apenas o seu corpo na prancha e a imensidão azul - mar e céu. No embalo das ondas não pensava na sua agenda totalmente preenchida, nas inúmeras solicitações que tinha enquanto mulher de um bem-sucedido empresário da Comunicação Social e directora da mais recente aquisição do marido, o diário "O Popular". Esquecimento e desafio, era isso que procurava em cada ida ao Guincho. Mas a beleza pura e agreste daquela praia viria a evocar-lhe, um dia, bem mais do que isso, e ao contemplá-la seria invadida por uma outra beleza que se misturava com aquela, mas que tinha tonalidades incrivelmente profundas e ricas. Conheceria Miguel ali e seria também ali que iria sentir a força e o espírito de um amor intenso, corajoso e rebelde, um amor que viria a mudar para sempre a trajectória da sua vida. Mas, por enquanto, Cristina concentrava-se apenas nos tubos azuis e brancos das ondas e não sonhava ainda que viria a apaixonar-se por um dos jornalistas mais creditados d'"OPopular".”

Asa, 2010

publicado por marcia às 01:14
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

O Homem que Sonhava ser Hitler - Tiago Rebelo - Opinião

 

Tiago rebelo mantém neste livro o seu estilo de escrita simples e fluida, que permite uma leitura constante e de bom ritmo. Confesso que me agrada bastante o modo acessível como escreve; a utilização de capítulos curtos fazem com que um livro como este, de 470 páginas, e focado num tema pesado, se leia de uma assentada.

O argumento é interessante e, de certa forma original, eu nunca tinha lido nada sobre grupos de ideologia extremista neonazi cuja acção decorra em Portugal. É uma realidade de que só nos apercebemos quando há abordagens nos meios de comunicação social.

“O Homem que sonhava ser Hitler” não é exactamente um policial mas mostra-nos como poderia decorrer uma investigação da Polícia Judiciária; não é de suspense intenso mas deixa-nos “colados” às páginas, atentos às pistas e aos passos das personagens. Faz pensar na existência de um mundo obscuro de crime e terrorismo no nosso país, sem dúvida que acorda alguns receios.

Uma narrativa plena de acção, com um fio condutor de emoções constante. Abordando os temas do racismo, da existência ou não de uma raça superior e outras inferiores, da violência como forma de atingir objectivos e demonstrar poder, sempre num ambiente de clandestina conspiração, deixei-me levar pelas vidas destas personagens, pelos seus passados como origem das suas atitudes e posturas actuais. Existe um encadeamento, há lógica na acção, e um final que surpreende!

Sinopse

“No pátio das traseiras de um prédio de um pacífico bairro de Lisboa, uma criança é atacada por três homens e deixada em coma. Ao investigar o que inicialmente se supõe ser um mero acto de cobardia de um grupo de cabeças-rapadas que resultou em tragédia, as autoridades vão descobrir uma gigantesca conspiração que prova que, nunca como hoje, a democracia e o estado de direito estiveram tão ameaçados em Portugal. Neste surpreendente romance, Tiago Rebelo abre-nos a porta dos fundos do lado mais obscuro da política nacional dos nossos dias, onde nada é o que parece ser e onde se desenrolam acontecimentos extraordinários que colocam em perigo toda a sociedade, sem que esta se aperceba do que está realmente a acontecer. O inspector-chefe, António Gaspar, da Polícia Judiciária, leva a cabo uma investigação, que, a cada passo, ameaça a sua vida e a da mulher que ama, a ex-namorada que ele procura recuperar no desvario dos dias perigosos que põem em risco a nação.”

Asa, 2010 

publicado por marcia às 11:20
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Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Romance em Amesterdão

 

 

Um livro que não estava na minha lista de desejos mas cuja compra se proporcionou… gostei muito de ler “No tempo dos Amores Perfeitos” e então decidi-me por mais um título do mesmo autor.
“Romance em Amesterdão” é uma história actual, não tem portanto na a ver com o livro que li anteriormente. Confesso que gostei, está escrito de uma forma que cativa e prende o leitor. Conta a história de Mariana e Zé Pedro; Mariana e Ricardo; Ricardo e Zé Pedro.
Três personagens cujos destinos estão envolvidos desde o dia em que Mariana e Zé Pedro se apaixonam em Amesterdão. Porque a vida nem sempre é simples e porque o amor pode não ser o suficiente para se dar um passo decisivo no sentido do desconhecido, Marina acaba por casar com Ricardo. Mas passados 15 anos o reencontro casual entre ela e Zé Pedro vai acordar os sentimentos que ambos julgavam estar ultrapassados.
A partir desse encontro tudo muda; Mariana pondera se terá tomado a decisão certa, a atracção por Zé Pedro é incontrolável e o casamento com Ricardo é seriamente posto em causa.
O evoluir dos acontecimentos vai proporcionando a descoberta mais profunda das personagens, gostei das descrições que o autor faz entre as duas personagens masculinas (Zé Pedro e Ricardo) e da forma como ambos vão sendo caracterizados mediante o seu nascimento, educação e meio em que cresceram. São homens muito diferentes, eu diria mesmo opostos, que lutam pelo amor da mesma mulher.
A situação chega a pontos impensáveis e faz-nos pensar na capacidade que podemos ter ou não de adaptação e aceitação de novas situações.
Um livro que é um ensaio sobre as reacções humanas e que nos faz pensar até onde poderemos ir de cabeça perdida;  uma história que faz meditar sobre as grandes vantagens da ponderação antes de colocar em causa uma situação confortável…. ou por outro lado, compensará viver uma vida cómoda mas pouco emotiva?
Recomendo a leitura… a meditação sobre estes temas virá por acréscimo.
Sinopse
 
“Mariana e Zé Pedro passaram quinze longos anos sem se tornarem a ver. O tempo que poderia ter sido suficiente para fazer desmaiar a sua paixão vivida em Amesterdão. Os mesmos quinze anos que fizeram Mariana imaginar, milhares de vezes, o reencontro; e Zé Pedro desesperar de alguma vez voltar a encontrá-la. Quando, subitamente, numa azafamada manhã, numa estação de metro, se voltaram a encontrar. Quando tudo parecia ter sido diluído no tempo, eis que o passado volta a ser vivido no presente. Um romance apaixonante!”
 
Editorial Presença

 

publicado por marcia às 22:41
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Domingo, 5 de Outubro de 2008

O Tempo dos Amores Perfeitos

 

Tiago Rebelo tem já vários romances editados mas eu confesso que nunca tive muita curiosidade em ler nenhum deles. Não sei bem porquê mas ainda não tinha acontecido…
“O Tempo dos Amores Perfeitos” foi-me emprestado por um amigo e bastante recomendado. Assim sendo não pude deixar de lhe dar o benefício da dúvida. Ainda bem que o fiz pois revelou-se dos melhores livros que li nos últimos tempos, com a vantagem de ser de um autor português (não me agrada muito estar sujeita às subjectividades das traduções…fico sempre desconfiada…não vos acontece???)
O livro lê-se de um fôlego…tem uma história de amor envolvente…tem história, ou seja, a nossa história que, apesar de grandiosa e interessante ando um bocado pelas ruas da amargura do ensino e da cultura geral do nosso povo.
Reconheço a minha total ignorância em relação ao período histórico relatado no livro, ou melhor, o estado de ignorância em que me encontrava pois graças ao “Tempo dos Amores Perfeitos” aprofundei o que era um conhecimento muito básico do “mapa cor-de-rosa”.
Leiam e inspirem-se com a história de amor entre Carlos e Leonor, tremam com as batalhas e as emboscadas, sofram com as injustiças e inspirem-se com a coragem dos bravos que fizeram parte da nossa história. Mas acima de tudo deliciem-se com este fabuloso livro.
Sinopse

Com provas dadas que o apontam como um dos mais promissores autores portugueses da nova geração literária, Tiago Rebelo continua a apostar na área do romance, desta feita incidindo sobre as aventuras de um oficial português em Angola, nos anos que se seguem ao Ultimatum britânico. Com base nas memórias do Tenente Carlos Augusto de Noronha e Montanha, ilustre antepassado do próprio autor, Tiago Rebelo cria um universo de ficção e veracidade históricas, que abre caminho para uma história de amor entre o tenente Montanha, um jovem combatente destacado para Angola, e Leonor, a belíssima e encantadora filha do governador daquela cidade. As longas conversas mantidas entre ambos fazem com que Carlos e Leonor se tornem inseparáveis, chegando por fim a consumar o amor e a planear o casamento. Uma leitura pautada pela magia de África como pano de fundo, devolve o tom e a cor a toda uma época que nos seduz incondicionalmente num ritmo galopante até ao final.


“Sendo um romance passado no final do século XIX nas antigas colónias portuguesas, e retratando o ambiente de guerra vivido nessa altura, não é um livro de catarse dos traumas da guerra colonial. Será mais um romance ao estilo de Guerra e Paz, com um subtil acento mordaz na descrição das limitações das tropas portuguesas e um sabor romanesco na construção das personagens e enredo muito ao gosto de Tolstoi (...) Boa estrutura narrativa; construção e evolução das personagens; enquadramento destas nos respectivos ambientes sociais e psicológicos.”
Luís Robalo de Campos
 
“(...)O Tempo dos amores Perfeitos é um romance que se lê de um só fôlego (...) Neste romance, Tiago rebelo recriou de uma forma interessante uma época particularmente conturbada da história nacional, com o mérito do seu texto não traduzir qualquer preconceito ideológico, numa história onde não há vencedores, mas antes vidas perdidas e existências desfeitas.”
Agripina Carriço Vieira, Jornal de Letras
Presença, 2007
opinião: Brilhante!
a ler: O Azul da Baía, Nora Roberts
publicado por marcia às 23:11
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