Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Quatro Amigos - David Trueba - Opinião

Quatro Amigos.jpg

Gosto muito de David Trueba mas “Quatro Amigos” ficou aquém das minhas expectativas. Depois do grande favorito “Aberto Toda a Noite”, sobre a família, depois de “Saber Perder”, sobre a perda, segui para “Quatro Amigos”, sobre a amizade. Amizade entre quatro tipos imaturos e parvos que vão de férias juntos, sem destino definido, numa carrinha a cheirar a queijo, com propósito de se envolverem sexualmente com o número máximo de mulheres que conseguirem.

A habilidade humorística do Trueba de “Aberto toda a Noite” não teve uma concretização positiva neste livro. Ou então a minha veia humorística estava morta durante esta leitura. Esta quadrilha de parolos Madrilenos foge das suas vidas desgraçadas para uma viagem em que o poder da amizade os envolve em bebedeiras e figuras tristes. Humor fácil e pouco refinado, muito distante, volto a referir, do humor inteligente a cair para o negro de “Aberto toda a Noite”, o meu livro favorito do autor que, depois disto ascendeu a super-favorito.

Fui avançando na leitura apenas devido à excelente qualidade da escrita do autor, sem me interessar particularmente pelo enredo, que achei maçador, e nem mesmo as ocasionais reflexões sérias e mais profundas me trouxeram à superfície, nesta leitura assim-assim, que me fez sentir sempre debaixo de água.

Trueba escreve bem e sabe fazer melhor.

Sinopse

“Quatro amigos, decididos a queimar os últimos cartuchos de uma juventude que terminou, deixam para trás os seus trabalhos, famílias e problemas e improvisam uma viagem de férias por Espanha, sem destino. Quatro Amigos é o relato agridoce do final de uma era, de uma idade. David Trueba recupera, neste segundo romance, os temas e o tom que o caracterizam: as frustrações de uma geração e as amarguras do crescimento num tom contrastante entre a comédia e o romantismo, a ternura e o rancor. Um talento narrativo sem rival na nova literatura espanhola.”

Alfaguara, 2014

Tradução de Maria do Carmo Abreu

publicado por marcia às 19:28
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Domingo, 10 de Agosto de 2014

Saber Perder - David Trueba - Opinião

 

A fórmula é simples e, talvez por isso, resulte muito bem. “Saber Perder” é o segundo livro que leio de David Trueba. “Aberto toda a noite” teve um impacto diferente em mim, talvez por ter mais detalhes rocambolescos e personagens mais peculiares. Em todo o caso “Saber Perder” é um excelente livro, que ganha pontos pela simplicidade de descrever a vida com que qualquer um de nós se poderá identificar. Enfim, mais ou menos, em algumas situações o autor já revela o gosto pelo insólito que veio a apurar com “Aberto toda a noite”:

Novamente uma família. Menos numerosa agora. Pai, filho e neta são os personagens ao redor de quem toda a acção se vai desenvolvendo. O seu dia-a-dia e forma de enfrentar os desaires. A morte iminente da avó e a necessidade de escape para o avô, que desenvolve um delírio por prostitutas que o leva, em segredo, ao endividamento extremo. O namoro da filha adolescente e a falta de acompanhamento dos pais, divorciados, e cada um preocupado com o seu próprio umbigo. O percurso do pai, arruinado e desempregado, frustrado por ter sido abandonado pela mulher, sem saber lidar com uma filha adolescente, com a doença terminal da mãe, e com a vida dupla do pai. Um cobarde que se deixou arruinar pelo sócio e que, levado pela vingança, mas principalmente pelo descontrolo emocional, comete um acto desesperado de homicídio.

Por vezes exagerado mas bastante realista. Digno de nota pela forma como comove o leitor e o leva a identificar-se com sentimentos e situações que, apesar dos exageros, reconhece. Porque a natureza humana é comum, independentemente das excentricidades, há sempre algo de humanamente semelhante a todos nós no percurso de Leandro, Lorenzo e Sylvia.

A cegueira pelo futebol, esse desporto que na verdade é apenas uma desculpa para conflitos e discussões absurdas. A forma como as preferências clubísticas ditam a ascensão e queda dos jogadores, a pressão profissional sobre aqueles que não sabem fazer mais nada senão correr atrás de uma bola, um nível de inteligência baixo com os bolsos sempre cheios de notas.

O dia-a-dia com apontamentos requintados de quem sabe escrever. Manteve-me interessada ao longo de quase quinhentas páginas, sem que possa referir um pico de acção ou reviravolta. Uma leitura constante, sem surpresas, que curiosamente faz dessas características os seus pontos fortes.

Recomendo.

Sinopse

“Sylvia cumpre dezasseis anos no dia em que começa este romance. Para celebrar o aniversário, organiza uma falsa festa que tem só um convidado. Horas depois, sofre um acidente que a levará a descobrir a complexa intensidade da vida adulta.
Lorenzo, pai de Sylvia, é um homem divorciado que tenta esconder o vazio que o abandono da mulher e o fracasso no trabalho deixaram na sua vida. O desencanto e a frustração levam-no a ultrapassar fronteiras que nunca julgara possíveis.
Ariel é um jovem jogador de futebol que deixa Buenos Aires para jogar numa equipa espanhola. Esmagado a princípio pelo frio anonimato da grande cidade, não tardará a ouvir o estádio entoar o seu nome em êxtase.
Leandro, velho reformado, está numa fase da vida em que assiste a mais enterros do que nascimentos. Mas descobre para sua surpresa que ainda está em idade de ser tocado por uma fascinante obsessão.”

Alfaguara, 2009

publicado por marcia às 05:07
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Segunda-feira, 4 de Março de 2013

Aberto toda a noite - David Trueba - Opinião

 

Este é um livro com um significado muito especial para mim, é a primeira leitura que faço dentro do projeto “Roda dos Livros – Livros em Movimento”. Há muito que desejava contactar pessoalmente com outros leitores, encontrar um espaço onde fosse possível reunir para falar, opinar, sugerir, divulgar, e fazer circular livros. A Roda dos Livros ainda é bebé mas já preenche muito do meu imaginário recente, dou por mim expectante pelo próximo encontro, sonho com os livros partilhados e viajo pelas novas descobertas literárias que tenho feito. Somos um pequeno grupo de aventureiros dos livros com muita vontade de descobrir e aprender. Bibliófilos inveterados, leitores compulsivos sem cura, queremos sempre ler mais e mais. Vamos partilhando estas nossas viagens aqui. Sigam-nos. E se quiserem venham conhecer-nos. Pessoalmente, é claro!

“Aberto toda a noite” chegou até mim pelas palavras do Jorge, após ler alguns excertos fiquei logo interessada. Não conhecia o autor. Trueba escreve bem. Sem artifícios nem pudores daquelas palavras mais cruas, no tempo certo, sem exageros.

O narrador apresenta a família Belitre. É um retrato feito por um observador externo do dia-a-dia de uma família muito particular. Não são todas? Talvez, mas poucas como os Belitre. Uma família numerosa, os pais, seis filhos e o avô habitam a mesma casa. Personagens com rasgos de loucura inesperados, atitudes estranhas que variam entre a comédia e a tragédia, desde o impensável ao óbvio, tudo acontece aos Belitre.

Prevalece o divertimento pela forma como as situações são expostas, doenças mentais, traumas, traições e loucura são descritas e contextualizadas de forma que o absurdo é verosímil, e por vezes, raras vezes podemos acreditar que tais situações poderiam acontecer a qualquer um de nós. Desde o filho que assume o papel de pai e dorme com a mãe, ao psiquiatra que acampa no jardim, passando pela enfermeira por quem todos os homens da família se apaixonam, “Aberto toda a noite” é um livro sobre a família, que lembra que quando tudo o resto desaba nas nossas cabeças (mesmo que seja o teto), a família está lá para nós.

Brilhante e altamente recomendado!

Sinopse

“O primeiro romance de David Trueba convida-nos a entrar no lar dos Belitre, uma família tão numerosa quanto disparatada. Crónica de uma educação sentimental, as pessoas que habitam este livro apenas dão ouvidos à voz do seu coração. Numa sucessão irresistível de quadros da vida familiar, conhecemos Félix e Paula, um casal em crise, agastado pela rotina de criar seis filhos. Conhecemos Matías, um rapaz de doze anos que sofre de uma misteriosa doença mental. Conhecemos Abelardo, o avô, que no meio da demência senil se entrega de corpo e alma à poesia e à religião. Mas, ainda assim, falta conhecer muito, porque a família é muito mais do que as pessoas que a compõem.

Em Aberto toda a noite, Trueba pinta, com humor, ternura e magia, o fresco de uma família deliciosamente excêntrica, a que apetece pertencer.”

Alfaguara, 2012

publicado por marcia às 07:15
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