Domingo, 5 de Fevereiro de 2017

Desgraça - J. M. Coetzee - Encontro da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz

desgraca.jpg

Falar sobre livros com outros leitores pode ser quase tão bom como lê-los. Por isso gosto tanto de trocar ideias sobre leituras com os meus amigos leitores. Foi por isso, também, que nasceu a Roda dos Livros. Porque há mais leitores com a mesma vontade, e ainda bem.

Além da Roda participo numa Comunidade de Leitores que reúne em Lisboa uma vez por mês, com direito a discussão sobre o livro escolhido, jantar e encontro com o autor. No dia 28 de Janeiro fui pela primeira vez ao encontro da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, a cidade onde cresci. Já há algum tempo que queria conhecer esta comunidade, mas o encontro mensal nem sempre coincidia com as minhas deslocações à Figueira. Fui ao primeiro encontro de 2017, e espero que seja um prenúncio de que consiga ir a uma boa parte dos encontros do ano. O grupo já está formado há algum tempo e nem sempre é fácil ser novato nestas circunstâncias, contudo eu senti uma recepção calorosa que me deu logo vontade de ficar.

O livro escolhido foi o Desgraça, de J. M. Coetzee, que eu já tinha lido há uns treze anos. Na altura lembro-me de não ter gostado, apesar disso lembro-me de não ter conseguido parar de o ler. Reli o livro para este encontro tendo sempre presente a experiência contraditória de uma leitura que não agrada mas que não solta, e até agarra quem lê. Como já sabia ao que ía, não me foquei tanto na história, que recordava, e que nos leva para outro país, outro continente, outra realidade. Foquei-me na escrita, na estrutura do livro, na forma como o autor consegue, num livro relativamente pequeno, condensar tanto para pensar. E para falar, pois a discussão foi verdadeiramente envolvente, com uma série de pontos de vista que enriqueceram de sobremaneira a minha leitura inicial.

Sinopse

“Com cinquenta e dois anos, o professor David Lurie perde o emprego e os amigos depois de um romance com uma das suas alunas, refugiando-se na quinta da filha, Lucy. As tentativas de David para se relacionar com Lucy e com uma sociedade feita de novas complexidades raciais são perturbadas por uma tarde de violência que os vai modificar, a ele e à filha, de uma forma que ele jamais poderia prever. Neste romance perverso e, não obstante, terno, Coetzee diz, uma vez mais, verdades que penetram até ao osso.”

O encontro da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz é no último sábado de cada mês e a entrada é livre. Deixo o desafio a quem se quiser juntar ao grupo no dia 25 de Fevereiro.

16298963_1264946966916022_5369107557978468749_n.jp

 Boas leituras a todos!

publicado por marcia às 18:30
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Domingo, 22 de Janeiro de 2017

Nem Todas as Baleias Voam - Afonso Cruz - Opinião

nemtodasasbaleiasvoam.jpg

Será possível vencer uma guerra com a música?

Esta é uma premissa interessante e verídica, pois o plano Jazz Ambassadors (CIA) tinha o objectivo de cativar a juventude de Leste para a causa americana. Está na sinopse, não é spoiler, e no último FOLIO Afonso Cruz revelou que este plano fora o ponto de partida para o novo livro. Para mim foi uma novidade, desconhecia tal plano, e fiquei verdadeiramente entusiasmada com o livro.

Agora que o li, o Jazz Ambassadors parece-me muito pequeno e sem graça ao pé de tudo o que o Afonso construiu neste livro. São as pequenas coisas que nascem ao redor do fio condutor que é o plano, que guardo. As frases que reli, permanecendo na mesma página, as reflexões que me seguem, mesmo depois de fechar o livro, a sensação de brincar com os limites, quando se esbate a linha que separa a crueldade da beleza.

Há muito para descobrir nas profundas camadas que as palavras formam nas páginas de Nem Todas as Baleias Voam. Desconfio que não haverá uma releitura igual e, de cada vez, virão novos pontos de vista à superfície.

Há uma cadência de dor que arrepia e, ao mesmo tempo, envolve. Há uma vontade de parar e uma necessidade de prosseguir. É, para mim, mais um livro fantástico do Afonso Cruz.

“- Gostava daquele bar, do Delon, e gostava da sua flor, porque as tulipas raiadas são flores doentes. A sua beleza vem de uma doença. A normalidade nunca fez bem a ninguém, mas a anomalia, aquelas estranhas cores que pintavam as pétalas, como se Van Gogh fosse o autor do Universo, elevavam a flor a um estatuto artístico, era a doença que a fazia mais bela do que o habitual. A arte é uma doença, a humanidade nasceu de um macaco doente, como uma tulipa raiada. Foi um desvio que o levou a erguer-se na savana e a sentar-se mais tarde num bar de Montmartre. Abençoadas doenças, Tristan.

- E não matam?

- Matam, são a coisa mais triste do mundo.” (pág. 254)

Sinopse

“Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. É neste pano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria.”

Companhia das Letras, 2016

publicado por marcia às 00:36
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito (1)
|
Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2017

A Gorda - Isabela Figueiredo - Opinião

agorda.jpg

Este é um daqueles livros de que se gosta desde a primeira frase. Eu gostei bastante e li rapidamente. Há urgência nesta leitura, não que seja compulsiva, pois a partir de certa altura a história não oferece nada de novo, mas há uma necessidade constante de virar a página e acompanhar a escrita fluída e bonita de Isabela Figueiredo.

A vida de Maria Luísa está neste livro, compactada nas divisões de uma casa. Uma organização diferente (eu nunca tinha visto) em que cada capítulo vai nascendo dentro de um novo espaço. Se por um lado há sempre um pormenor ligado à sala, ao quarto, ou à cozinha, por outro o local funciona como o fio condutor que leva a uma parte da história da sua vida. Pode ser uma conversa ou uma cena de amor, algo que a liga à divisão, à casa e, claro, a ela própria.

A Gorda é sobre Maria Luísa, que é gorda. Contudo, não é um livro sobre ser gorda ou magra, sobre ser gozada na escola devido ao aspecto físico, ou sobre o namorado que tem vergonha de estar com ela em locais públicos. Ou melhor, é sobre todas essas coisas e muitas mais, sobre os anos que passam e deixam marcas, sobre as opções de vida e o caminho percorrido. É sobre as metas de uma mulher com ganas de vencer, determinada e trabalhadora, aventureira e humana. Uma mulher que se cansa, desanima e, por vezes, deixa cair os braços. Como todos nós.

Maria Luísa deixou de ser gorda. Não é spoiler, sabe-se logo no primeiro parágrafo. Mas não deixou nunca de ser ela própria. E essa é uma aprendizagem que nem todos conseguem seguir. E é muito bom saber tudo isso num livro como este, que se lê com facilidade e prazer, que faz pensar, porque é tão fácil identificarmo-nos com Maria Luísa e com as reviravoltas comuns às vidas da maioria das pessoas. E como ela, voltamos a casa, ao espaço familiar, conhecido, que habitamos e também deixamos que nos habite. Todos os dias.

Gostei de quase tudo. Só houve uma coisinha que aqui a picuinhas achou que estava a mais, que é a repetição da descrição de alguns acontecimentos. Entendi que serviram para fazer uma ligação à história quando se muda de divisão, mas eu dispensava algumas das repetições.

É um excelente livro. Recomendo com a certeza de que agradará à maioria dos leitores.

Sinopse

“Maria Luísa, a heroína deste romance, é uma bela rapariga, inteligente, boa aluna, voluntariosa e com uma forte personalidade. Mas é gorda. E isto, esta característica física, incomoda-a de tal modo que coloca tudo o resto em causa. Na adolescência sofre, e aguenta em silêncio, as piadas e os insultos dos colegas, fica esquecida, ao lado da mais feia das suas colegas, no baile dos finalistas do colégio. Mas não desiste, não se verga, e vai em frente, gorda, à procura de uma vida que valha a pena viver.”

Caminho, 2016

Uma leitura Roda dos Livros – Livros em Movimento

publicado por marcia às 23:45
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito (4)
|
Domingo, 1 de Janeiro de 2017

A Vegetariana - Han Kang - Opinião

avegetariana.jpg

Pensei em não escrever sobre este livro, que é um conjunto de três histórias. Ou melhor, uma história em três versões, a três vozes. E, apesar de ter gostado muito de o ler, pensei em não me manifestar por recear não ser capaz de desenvolver ideias coerentes sobre esta leitura, por ser difícil de expôr, talvez até de compreender.

A Vegetariana vai muito para além da história de uma mulher que não quer comer carne, ou que deseja transforma-se numa árvore. É talvez a história dessa mulher e do seu desejo de ser dona das suas vontades. De querer controlar o próprio corpo, quando mais nada controla na sua vida.

Tem de obedecer ao pai e ao marido, de se vestir como os outros desejam, de ser a esposa para que foi preparada. Tem de viver para as vontades dos outros e de acordo com as expectativas que criaram para ela. É uma prisão onde, apesar de não estar só, nada controla. Deseja a morte como fuga, mas não lhe é permitido morrer. A estranheza de não comer é encarada como loucura e ninguém lhe sente o sofrimento nos silêncios.

Para quem lê o sufoco é constante. Os gritos de socorro da mulher que se quer transformar em árvore para abandonar a sua própria vida são perturbadores. Ouvimos do lado de cá das páginas o que a família ignora. E é revoltante. É clara a angústia de quem é dado como louco, e a forma como acaba por ceder à loucura. Por ser o único caminho.

A Vegetariana questiona costumes e padrões de forma tormentosa, levando ao limite o conceito de normalidade e dissecando a dor de não ser aceite. É um grito (silencioso) de revolta.

Gostei bastante, mas estou certa que não agradará a todos os leitores. Os mais exigentes não o devem deixar escapar.

Sinopse

“Uma combinação fascinante de beleza e horror.
Ela era absolutamente normal. Não era bonita, mas também não era feia. Fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas também nunca reclamava. Deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos, como ele sempre gostara. Até ao dia em que teve um sonho terrível e decidiu tornar-se vegetariana. E esse seu ato de renúncia à carne - que, a princípio, ninguém aceitou ou compreendeu - acabou por desencadear reações extremadas da parte da sua família. Tão extremadas que mudaram radicalmente a vida a vários dos seus membros - o marido, o cunhado, a irmã e, claro, ela própria, que acabou internada numa instituição para doentes mentais. A violência do sonho aliada à violência do real só tornou as coisas piores; e então, além de querer ser vegetariana, ela quis ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore. Talvez uma árvore sofra menos do que um ser humano.”

D. Quixote, 2016

publicado por marcia às 01:32
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Domingo, 18 de Dezembro de 2016

A Escada de Istambul - Tiago Salazar - Opinião

A Escada de Instambul.jpg

A verdade é que este livro não se revelou nada do que eu estava à espera.

Começo por confessar que nunca tinha ouvido falar da família Camondo. A ignorância nem sempre é uma coisa má (principalmente quando é ultrapassada), e a descoberta do percurso dos judeus Camondo tornou esta leitura muito especial.

A originalidade da narrativa surpreendeu-me. Apesar de conseguir encontrar o Tiago Salazar viajante nas páginas deste livro, até porque nele participa como personagem que viaja (pois claro), descobri o romancista que conta uma história verdadeira (assumo eu devido à ignorância já referida) de forma ficcional. Confusos? Também eu, mas vou tentar deslindar isto.

Contar a história de uma família ao longo de mais de cem anos, por muito interessente que seja (e é), e por muitos feitos que haja a revelar, pode resultar num livro de História igual a tantos outros. Mas não é isso que acontece n’A Escada de Istambul, e ainda bem. Neste livro temos o tal viajante (que por acaso é o autor) que, em deambulações por Istambul, encontra uma escada. Sobe e desce, desce e sobe, e instala-se a curiosidade, e desejo imenso, enfim, a necessidade de saber a história da escada. A casualidade leva-o a encontrar Mehte, um turco que vive numa casa no cimo da dita escadaria. O viajante é convidado para a casa do novo amigo e, ao mesmo tempo que Mehte vai desembrulhando o novelo de uma história que são muitas, a família Camondo vai sendo revelada, entre conversas e raki, num leque de personagens que, imagino eu, viveram com o autor até serem páginas deste romance. E, talvez, até depois disso.

A estreia de Tiago Salazar no romance é, a meu ver, bem sucedida. Apreciei muito a forma como a narrativa se desenvolve na casa de Mehte, mantendo sempre presente o contador da história e o viajante seu ouvinte. Mas ao mesmo tempo, e com uma habilidade admirável, o leitor é transportado para o passado, para o seio da família Camondo, como se efectivamente estivesse na europa de outros tempos, na casa (ou casas) desta família de negociantes, banqueiros, filantropos e amantes do saber e das artes. Não é um relato ou uma descrição do que aconteceu, é um romance à séria, com personagens que convencem, envolvem, e que se tornam maiores do que o narrador.

Para mim representa uma descoberta e uma aprendizagem, lido com o prazer que um romance bem pensado e bem escrito proporciona. Recomendo.

Sinopse

“Em Istambul, confluência de mundos, uma estranha escada desperta a atenção do autor deste romance, que decide ir atrás da sua história. Ela confunde-se, porém, com a saga dos seus construtores.
Conhecidos como os «Rothschild do Oriente», os judeus Camondo erraram pela Europa até se instalarem em Istambul, onde viriam a tornar-se banqueiros do sultão e grandes filantropos. Abraham-Solomon, o patriarca, era o judeu mais rico do Império Otomano e combateu a maldição do judaísmo na Turquia fundando escolas que respeitavam todos os credos e legando ao filho e aos netos a importância da caridade e do mecenato. Já em Paris, o seu bisneto Isaac, amigo dos pintores impressionistas, doaria ao Museu do Louvre mais de cinquenta quadros de Monet, Manet e Degas; e o seu primo Moïse, devastado pela morte do filho na Primeira Guerra Mundial, abriria um museu que ainda hoje pode ser admirado e visitado na capital francesa. E, porém, apesar do seu poder e da sua influência, poucos conhecem a história desta família magnânima. O mistério explica-se: sobre a dinastia Camondo abateu-se uma fatalidade - a sua fortuna e o seu sangue eclipsaram-se nos campos de extermínio de Auschwitz.
Em A Escada de Istambul, Tiago Salazar resgata do esquecimento várias gerações desta família e compõe, a partir de factos e documentos reais, uma ficção na qual ele próprio deambula como personagem.”

Oficina do Livro, 2016

publicado por marcia às 20:22
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Domingo, 11 de Dezembro de 2016

Sete Anos Bons - Etgar Keret - Opinião

seteanosbons.jpg

Há livros que nos levam a outros livros. E há amigos que seguem essas pistas e nos contam, com a pompa que uma grande descoberta merece, que não podemos deixar de ler Etgar Keret.

Obrigada, Renata, por teres partilhado a descoberta. Apesar disso, só peguei na tradução brasileira de “Sete Anos Bons”, que já tinha, quando soube que a tradução portuguesa estava prestes a sair pela Editora Sextante. Foi uma leitura surpreendente e muito compensadora. Que, apesar de dar ares de superficialidade pela forma como aborda alguns temas, comove pela força com que arranca alguns ais.

Com uma ironia e um sentido de humor surpreendentes, Etgar Keret, levou-me em reflexões profundas sobre temas polémicos, com a velocidade e incisão dos seus contos curtos.

Adoro contos. Adoro a capacidade de síntese e o poder de exprimir um mundo de coisas num texto curto. Acho que é uma forma inteligente de deixar uma marca profunda. Keret coloca o dedo na ferida com meia dúzia de palavras e ainda deixa em quem lê um sorriso nos lábios. Citando o autor, o sentido de humor é a única arma dos mais fracos. A capacidade de comover, fazer pensar e, ao mesmo tempo, arrancar umas gargalhadas, não está ao alcance de todos.

São sete anos em que o autor partilha experiências pessoais. Sete anos que medeiam o nascimento do filho e a morte do pai. Sete anos bons por ter sido pai e filho ao mesmo tempo. Mesmo num país (Israel) constantemente debaixo de fogo. Como é que se convive com o medo constante e se remetem os receios para debaixo do tapete, vivendo o dia a dia profissional e familiar de modo “normal”? Como é que se escreve (tão bem), viaja pelo mundo, passa por cima das dificuldades e, acima de tudo, nunca se desiste de ser feliz? Há condicionantes que a maioria de nós, por não saber o que é viver toda a vida num país em guerra, pode sequer imaginar.

Não sei se o sentido de humor de Keret é genético ou se existe à venda em farmácias. Mas é uma forma admirável de abrir os olhos para o mundo todos os dias.

Espero que continue a ser traduzido em Portugal. Caso não seja, não será por isso que não lerei tudo o que estiver publicado.

Procurem-no e leiam. Em qualquer língua. Volto a referir que Sete Anos Bons já tem tradução portuguesa.

Sinopse (da tradução brasileira)

“Para sobreviver no olho do furacão, Keret, um "Judeu estressado", filho de poloneses sobreviventes do Holocausto, construiu um mundo de palavras, imaginação e inteligência. Sob sua pena afiada, a vida se desenrola como num teatro, entre seu pequeno filho Lev, um esperto manipulador, sua esposa, uma mulher, "imoral"; sua irmã ultraortodoxa; ou Uzi, o melhor amigo, idealizador de atividades imobiliárias um pouco suspeitas. Tudo de torna uma desculpa para sorrir: as longas viagens para apresentar leituras diante de cadeiras vazias, passeios de táxi assustadores, a emoção de ter o passaporte carimbado na Polônia e até o suposto arsenal nuclear iraniano. Que anos bons!”

Rocco

Tradução de Maira Parula

publicado por marcia às 20:08
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Uma Terra Prometida, Contos sobre refugiados - Vários autores - Opinião

umaterraprometida.jpg

Gostava apenas de deixar algumas linhas sobre este livro. Poucas, para não correr o risco de escrever demais, dado que o tema a isso se proporciona.

Acima de tudo quero dizer, mais uma vez, que me agrada ver publicados livros de contos de autores portugueses. São poucos, para já, mas acredito (ou gosto de acreditar) que surjam mais.

Gosto bastante deste tipo de antologias que reúnem várias vozes em redor de um tema comum. Gosto de ler várias perspectivas de uma mesma situação, ou descobrir novas visões de um mesmo tema.

O tema dos refugiados dá pano para mangas e este livro é disso demonstrativo. Actualmente pensamos de imediato, e inevitavelmente, na situação da Síria, mas qualquer um de nós pode, a dada altura, precisar de refúgio*.

*Espaço físico que oferece condições de segurança e estabilidade.

Desafio-vos a ler este livro. Não é muito conhecido, nem teve a merecida divulgação, mas existe. E ainda bem.

Não gosto muito de me pronunciar sobre contos preferidos, ainda por cima com uma panóplia de autores fabulosos, como é o caso, mas tenho de destacar o conto da Cristina Carvalho. Encheu-me as medidas.

Sinopse

“A IN apresenta a sua primeira recolha de contos, dedicados à temática dos refugiados e da autoria de: Afonso Cruz, Ana Margarida de Carvalho, Carlos Vaz Ferraz, Cristina Carvalho, Filomena Marona Beja, José Fanha, Miguel Real, Nuno Camarneiro, Sérgio Luís de Carvalho. Nove histórias que nos conduzem pelas galerias subterrâneas do medo e do desespero, sobre a fuga e a perda, o caminho e o perigo, sobre o recomeço, ou o fim definitivo. Histórias que, por nos falarem dos limites do humano, muito além dos laços culturais, geográficos ou religiosos, poderiam, afinal, ser sobre qualquer um de nós.”

IN Edições, 2016

Uma leitura Roda dos Livros - Livros em Movimento

publicado por marcia às 10:43
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2016

Adoração - Cristina Drios - Opinião

Adoração.jpg

Depois de Os Olhos de Tirésias, uma das minhas melhores leituras de 2015, Adoração esperava-me com elevada expectativa. O desejo de voltar a uma narrativa envolvente, e a um estilo literário que eu já colocara (bem) acima da média era enorme. É fácil, como nós leitores bem sabemos, esta ser uma premissa para a desilusão. E, por isso, iniciei a leitura com cautela, embora sinceramente esperasse nada menos do que uma superação do livro anterior.

Gostei bastante deste Adoração. Revela uma evolução e um nível de maturidade literária que me surpreendeu. Cristina Drios evoluiu de modo colossal, fazendo-me emaranhar de prazer nas frases cuidadas, apreciando as palavras escolhidas com esmero. Um deleite, só vos digo, o que foi ler este livro lentamente, saboreando a linguagem cuidada e o vocabulário rico, contudo bastante acessível. Uma escrita palavrosa, porém, descomplicada. Sem definições desconhecidas ou termos complexos. Nada presunçoso, porém, erudito. Ou a caminho disso, digo eu.

A história é excepcional e merece que a descubram. Não me perderei em considerações sobre o enredo ou as personagens, pois admito que Adoração me encantou sobretudo pela escrita. Além disso é uma história misteriosa, não se encaixará exactamente no rótulo do policial, apesar de começar com um crime. Também não sei se será um romance histórico, dado que uma parte acontece num passado muito recente. É um romance cheio de segredos, com cadência ponderada. Um livro pensado. Muito bem pensado. Deixo-vos a sinopse para se entusiasmarem.

Agradeço à Cristina ter-me tirado da ignorância no que toca a Caravaggio e ao seu percurso, que conhecia de forma muito superficial. A internet ajudou-me a ver a luz na escuridão dos seus trabalhos. Fica o desejo de me maravilhar “olhos nos olhos”.

Gostei imenso, recomendo sem reservas, mas não posso deixar de admitir que a trama de Os Olhos de Tirésias me marcou de modo diferente e especial.

Sinopse

“Descrito pelo duque de Nottetempo, seu contemporâneo, como «um brigão, um arruaceiro», o pintor Caravaggio passou uma curta temporada na Sicília em 1609, aguardando o indulto papal para um crime de sangue que cometera em Roma. Nesse período, pintou uma tela que ficaria conhecida por A Adoração e que esteve no Oratório de S. Lourenço, em Palermo, até ser roubada em 1969, ano em que nasceria Antonia Rei.
É essa mesma Antonia que, em 1992, testemunha um homicídio perpetrado pela máfia numa praça da cidade, onde é interrogada pelo comissário Salvatore Amato, que acaba por contactar alguns dias mais tarde. Mas não é curiosamente sobre o assassínio que lhe quer falar, antes sobre o roubo do famoso quadro. Oscilando entre épocas afastadas no tempo, entre a história fascinante da pintura d’A Adoração e a da investigação de Salvatore Amato num dos mais violentos períodos da acção da máfia, este romance recorre aos jogos de espelhos que Caravaggio usava nas suas pinturas para atrair ao mesmo vórtice de luz e trevas as vidas de um leque de personagens cativantes, mortas ou vivas, mas todas misteriosamente condenadas ao desencontro.”

Teorema, 2016

publicado por marcia às 22:01
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito (1)
|
Domingo, 27 de Novembro de 2016

Apresentação de Homens Imprudentemente Poéticos, de Valter Hugo Mãe, na Livraria A das Artes

A livraria A das Artes, em Sines, abriu as portas para receber Valter Hugo Mãe na passada sexta-feira, 25 de Novembro.

Estão por inventar palavras que possam fazer justiça à generosidade do Joaquim Gonçalves em convidar-me para participar na apresentação do livro Homens Imprudentemente Poéticos.

IMG_4927.jpg

Partilhar a mesa com um autor extraordinário e com um amigo querido, e poder interagir com os leitores que encheram (literalmente) o espaço, criando um ambiente de conversa informal, é algo não poderei esquecer.

Obrigada, Joaquim, por tudo.

Obrigada, Valter, pelas palavras sempre perfeitas.

Obrigada aos leitores presentes, pelo carinho. Pelas questões interessantes colocadas ao autor. Pela participação activa num encontro que foi uma conversa de amigos.

Contribuí com palavras. Aqui as deixo.

 

A minha leitura de Homens Imprudentemente Poéticos, de Valter Hugo Mãe

Foi como ser abrigada pelo silêncio. E eu gosto do silêncio. Tanto que o procuro sempre, e abrigo-me nele como quem se aconchega debaixo de uma asa cálida.

Este livro trouxe-me silêncio. Porque quando entrei nas suas páginas o mundo calou-se. Não havia mais nada além das palavras. Que não foram serenas. Nem me trouxeram paz. Nem mesmo o amado silêncio. Estas palavras são mágicas. Rodearam tudo de silêncio para, só elas, serem escutadas.

Avançar nas páginas foi como submergir, como se a leitura fosse criando uma bolha que isola quem lê, como se o livro passasse a ser dono do espaço, do tempo, e até do ritmo. Ler Homens Imprudentemente Poéticos é obedecer. É ler ao compasso imposto, lento, por vezes arduamente lento, como se uma página pudesse durar dias e a releitura fosse uma urgência, uma imposição que, de cada vez, oferecia novas descobertas.

A delicadeza habitual da escrita de Valter Hugo Mãe funde-se de modo perfeito na serenidade do Japão, país que mesmo para a guerra se apoia na concentração, em que a violência é pensada, meditativa, mas não menos mortal. Das artes marciais ao Ikebana os mesmos princípios, mas objectivos tão díspares quanto a morte e a beleza contemplativa.

A simplicidade, quase infantil, é um engodo hábil em que me enredei sem resistência, cedendo com prazer à narrativa poética que, ardilosa e bastante mais complexa do que se suspeita à partida, me foi surpreendendo com ocasionais socos no estômago, dos quais não me queixo. Ao contrário, agradeço. Ou não fossem as leituras dolorosas as que mais marcam, e as que guardo de forma definitiva nas minhas memórias mais singulares.

A viagem é longa. Mas apesar do Japão ser distante as premissas de Homens Imprudentemente Poéticos são comuns a todas as geografias. Há o ódio que, não se sabendo bem porque surge, é alimentado de picardias e provocações numa sucessão de dias que lhe dão uma dimensão irracional. Tão longe pode ir a aversão ao próximo que a morte se afigura como uma possibilidade lógica. A violência é apenas mais um passo. O medo é inexplicável, mas todos o sabemos sentir. Na relação de dois vizinhos que se atormentam de ódios, e vivem entre a defesa e o ataque como num campo de batalha, o medo é inevitável. É como uma corda que num dia é puxada com mais afinco por um, e no outro dá mais metros ao seu inimigo. O receio da corda quebrada é palpável e a espera consome por dentro.

Ítaro e Saburo são os vizinhos que se perseguem e controlam. Com as mesmas mãos com que criam beleza, Ítaro pinta leques muito belos e Saburo produz peças de olaria, procuram concretizar vinganças. As mesmas mentes que pensam beleza planeiam maldades, numa constante dualidade. Ou não fossem eles humanos.

É curioso como um livro que, geograficamente, leva o leitor para longe e lhe apresenta uma floresta feita de silêncios, pode transmitir uma sensação de tão forte proximidade. As diferenças culturais são evidentes, mas nem mesmo os distintos modos de encarar a morte trazem maior ou menor poder sobre o que se teme. Ou sobre aquilo de que se sente falta. E é, por vezes, no escuro que melhor se vê o caminho, escutando os sentimentos ao mesmo tempo que se tapam os olhos.

“A cegueira era, a cada instante, uma expansão”. (Página 205)

Como o próprio Ítaro que, no seu confronto forçado com as sombras, encontra no fundo de um buraco escuro a pessoa que ainda não tinha descoberto na superfície. Há um renascimento no enfrentar do medo, não o subestimando, mantendo o temor e até mesmo criando dependência daquilo que se receia. A viagem do auto-conhecimento é solitária.

Homens Imprudentemente Poéticos descobre-se aos poucos. Exige a entrega que já referi. Espanta pela linguagem destemida, diferente, a que parecem faltar palavras que afinal não fazem falta. Tem a originalidade de quem escreve sem medo do risco. De quem escreve como quer. De quem escreve como sente.

Sublinho e faço anotações nos meus livros. Coloco marcas com a ideia do regresso. Neste caso refreei o impulso, por recear sublinhar o livro todo.

Homens Imprudentemente Poéticos não se esgota nas vezes que se relê. É uma leitura que termina nunca.

 

homensimprudentementepoéticos.jpg

Sinopse

"Num Japão antigo o artesão Itaro e o oleiro Saburo vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente.
A inimizade, contudo, é coisa pequena diante da miséria comum e do destino.
Conscientes da exuberância da natureza e da falha da sorte, o homem que faz leques e o homem que faz taças medem a sensatez e, sobretudo, os modos incondicionais de amarem suas distintas mulheres.
Valter Hugo Mãe prossegue a sua poética ímpar. Uma humaníssima visão do mundo."

Porto Editora, 2016

publicado por marcia às 11:46
link do post | comentar | ver comentários (8) | favorito
|
Domingo, 13 de Novembro de 2016

A Célula Adormecida - Nuno Nepomuceno - Opinião

acelulaadormecida.jpg

A leitura foi rápida. As quase seiscentas páginas são feitas de adrenalina e o ritmo imposto não tem piedade do leitor. Mas isso eu já esperava, pois foi assim com a Trilogia Freelancer (O Espião Português, A Espia do Oriente e A Hora Solene). Desta vez eu queria mais.

Tem-se tornado algo difícil ler os livros de quem estimo. E o Nuno, pela sua dedicação e capacidade de trabalho, é um autor que cada vez mais admiro e que gosto de acompanhar de perto. Curiosamente, em vez de me tornar benevolente e dar palmadinhas nas costas, torno-me mais exigente e severa com as pessoas de quem gosto. Mas só com aquelas que acho que podem chegar mais longe. É uma forma esquisita de demonstrar carinho, eu sei, mas sou dura porque acredito e porque quero (quero mesmo) que quem tem talento e investe tempo e suor na escrita tenha a devida compensação.

Bom, está mais do que visto que esta opinião dificilmente será imparcial, mas, dada a natureza do que explico acima, o meu grande receio era prejudicar o autor. E isso eu não podia conceber.

O livro está lido e os receios postos de parte. O Nuno superou as expectativas e poupa-me os remorsos de ter que escrever que esperava melhor. Bom, na verdade espero mais. Espero sempre. Mas para o próximo livro.

Depois desta longa introdução quero dizer-vos que esta foi uma leitura envolvente, com várias áreas de acção, cheia de mistério e pulso acelerado. O tema é extraordinário, não só por ser actual, mas por permitir tantas possibilidades de intriga que o Nuno soube (muito bem) aproveitar.

Quem nunca pensou na possibilidade de um atentado terrorista em Portugal? Nos tempos que correm é fácil conceber essa hipótese, infelizmente. Um atentado em Lisboa na noite das eleições legislativas é a premissa para esta fantástica viagem que, mais do que um romance policial ou de espionagem, é uma brilhante chamada de atenção para a intolerância religiosa.

É notória a pesquisa e a preparação do autor para este livro, eu diria até notável, e, ao contrário do que verifiquei nos livros anteriores, a forma como a informação passa para o leitor é mais cuidada. Os dados (políticos, sociais ou geográficos) são tema suculento de diálogos, por vezes acesas discussões que aumentam o estado de alerta para assimilar informação. Os locais vão sendo descritos de modo cadenciado, sem precipitações, como um palco que vai sendo montado à medida que se desenrola a trama. Em algumas ocasiões senti que podia estar a ler um livro de viagens, nomeadamente na parte que decorre na Turquia.

Em resumo, neste novo livro, Nuno Nepomuceno toca na ferida de temas polémicos da actualidade com a sua escrita envolvente e elegante. De forma fluída e muito bem conseguida expõe o drama dos refugiados sírios, o conflito do médio oriente (ou talvez conflitos seja mais adequado) e a guerra do petróleo. Mostra uma Lisboa multicultural e (infelizmente) intolerante. Leva o leitor pela mão à Mesquita Central de Lisboa e ensina (ou não tivesse sido ele professor) o que significa ser muçulmano. Faz uma viagem pelo mundo fútil de quem vive da imagem e pela manipulação dos media. Apresenta uma das minhas personagens preferidas de sempre, Afonso Catalão, que, como tem de ser, não é o que aparenta. E é, de resto, o principal símbolo da maturidade deste livro. André Marques-Smith ficou lá atrás. Confesso que gostava de me voltar a encontrar com o Afonso noutros livros.

Se é previsível? Sim, quanto baste, mas se calhar no que menos importa. Descansem que as surpresas são muitas e estarão constantemente a repetir com os olhos arregalados “só mais um capítulo!”.

Leiam-no! É aposta segura.

Sinopse

“Em plena noite eleitoral, o novo primeiro-ministro português é encontrado morto. Ao mesmo tempo, em Istambul, na Turquia, uma reputada jornalista vive uma experiência transcendente. E em Lisboa, o pânico instala-se quando um autocarro é feito refém no centro da cidade. O autoproclamado Estado Islâmico reivindica o ataque e mostra toda a sua força com uma mensagem arrepiante.
O país desperta para o terror e o medo cresce na sociedade. Um grande evento de dimensão mundial aproxima-se e há claros indícios de que uma célula terrorista se encontra entre nós. Todas as pistas são importantes para o SIS, sobretudo, quando Afonso Catalão, um conhecido especialista em Ciência Política e Estudos Orientais, é implicado.
De antecedentes obscuros, o professor vê-se subitamente envolvido numa estranha sucessão de acontecimentos. E eis que uma modesta família muçulmana refugiada em Portugal surge em cena.
A luta contra o tempo começa e a Afonso só é dada uma hipótese para se ilibar: confrontar o passado e reviver o amor por uma mulher que já antes o conduziu ao limiar da própria destruição.
Com uma escrita elegante e o seu já tão característico estilo intimista e sofisticado, inspirado em acontecimentos verídicos, Nuno Nepomuceno dá-nos a conhecer A Célula Adormecida. Passado durante os 30 dias do mês do Ramadão, este é um romance contemporâneo, onde ficção e realidade se confundem num estranho mundo novo e aterrador que a todos nos perturba. Um thriller psicológico de leitura compulsiva, inquietante, negro e inquestionavelmente atual.”

Topbooks, 2016

publicado por marcia às 16:54
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.a ler


.a ler também


.Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. Desgraça - J. M. Coetzee ...

. Nem Todas as Baleias Voam...

. A Gorda - Isabela Figueir...

. A Vegetariana - Han Kang ...

. A Escada de Istambul - Ti...

. Sete Anos Bons - Etgar Ke...

. Uma Terra Prometida, Cont...

. Adoração - Cristina Drios...

. Apresentação de Homens Im...

. A Célula Adormecida - Nun...

.últ. comentários

Fazes bem, eu adorei.
Que maravilha de evento!Um dia vou 😊
Excelente festival. Vale a pena descobrir.Beijinho...
Que bom que gostaste! Fico muito contente 😊Beijinh...
inesquecível Mr. Darcy...
É o bom dos clássicos, não vão desaparecer.
Parabéns à revista, aos Inomináveis e sobretudo a ...
Tenho um carinho muito especial por Jane Austen e ...

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Setembro 2007

.gosto

blogs SAPO

.subscrever feeds