Domingo, 5 de Outubro de 2014

No Limiar da Eternidade - Ken Follett - Opinião

Virei a página 1020. Está concluída a leitura da trilogia “O Século”. Quatro anos depois do primeiro volume, e quase três mil páginas lidas, estou francamente feliz por o Sr. Follett ter escrito uma saga histórica do passado recente da Humanidade, de forma simples e acessível a todos. Talvez comercial seja palavra adequada, não sei. Que certamente é de arrepiar o cabelo aos eruditos críticos, não há grandes dúvidas. Mas que oferece o que de mais importante um livro pode ter para dar, horas de leitura interessante e empolgante, com o entusiasmo de chegar ao fim, e a tristeza de fechar a última página. Um livro escrito para os leitores.

Não vou descrever personagens ou acontecimentos. São tantas personagens. Históricas e de ficção, envolvidas de forma bem pensada para tornar mais próximos os factos históricos, mais reais, fazendo as personagens participar em momentos cruciais de mudança, alterando não só o percurso das suas vidas, mas também das vidas de todos.

“No Limiar da Eternidade” é sem dúvida o meu favorito dos três. Talvez por o passado mais recente aguçar o meu interesse de outra forma, por não ser tão frequentemente palco de livros de ficção histórica, por me lembrar, ainda que observadora infantil, de uma parte do que aconteceu.

Aprendi algumas coisas. Nunca sabendo muito bem se a captar a essência da verdade ou a verdade para o Sr. Follett. Quando se escreve sobre política é-se isento? Quer ser-se isento? Não sei. Cada um sabe no que acredita. A mim convenceu-me.

Aguardei por esta leitura com ansiedade e expectativa e não me senti defraudada, o que é excelente. Foi de encontro ao que desejava, o que não é pouco. Envolvi-me de forma intensa e viciante. Triste sempre que tinha de fechar o livro, e constantemente a pensar na próxima vez que poderia ler uma quantidade decente de páginas de seguida.

Há, quanto a mim, um elemento principal. Não poderei referir-me como personagem, mas é em seu redor que é alimentada uma parte significativa da trama. Ou pelo menos a parte que mais me envolveu. É o Muro. De Berlim. É construído na primeira parte e marca o final do livro. E marca profundamente as vidas que separou. Li o final acompanhada pelas memórias das imagens televisivas da queda do muro. Dos trechos mais emocionantes e reais que li, assim o senti, e uma ou duas lágrimas não mo permitiram esconder.

Nunca ou raramente choro. O livro deve ser bom.

Sinopse

“Enquanto as decisões tomadas nos corredores do poder ameaçam extremar os antagonismos e originar uma guerra nuclear, as cinco famílias de diferentes nacionalidades que têm estado no centro desta trilogia O Século voltam a entrecruzar-se numa inesquecível narrativa de paixões e conflitos durante a Guerra Fria.
Quando Rebecca Hoffmann, uma professora que vive na Alemanha de Leste, descobre que anda a ser seguida pela polícia secreta, conclui que toda a sua vida é uma mentira. O seu irmão mais novo, Walli, entretanto, anseia por conseguir transpor o Muro de Berlim e ir para Londres, uma cidade onde uma nova vaga de bandas musicais está a contagiar as novas gerações. Nos Estados Unidos, Georges Jakes, um jovem advogado da administração Kennedy, é um ativo defensor do movimento dos Direitos Civis, tal como a jovem por quem está apaixonado, Maria. Juntos partem de Washington num autocarro em direção ao Sul, numa arriscada viagem de protesto contra a discriminação racial. Na Rússia, a ativista Tania Dvornik escapa milagrosamente à prisão por distribuir um jornal ilegal. Enquanto estas arriscadas ações decorrem, o irmão, Dimka Dvornik, torna-se uma figura em ascensão no seio do Partido Comunista, no Kremlin.
Nesta saga empolgante que agora se conclui, Ken Follett conduz-nos, em No Limiar da Eternidade, através de um mundo que pensávamos conhecer, mas que agora nunca mais nos parecerá o mesmo.”

Presença, 2014

publicado por marcia às 20:12
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4 comentários:
De Manuel Cardoso a 7 de Outubro de 2014 às 14:34
Faltam-me 70 páginas para terminar.Concordo em absoluto com o seu comentário.
A literatura é uma arte, não é uma ciência; isto acho que pode responder às duas questões que a Márcia deixa implícitas: pode um escritor ser isento? e A boa literatura é a que agrada aos leitores comuns ou aos críticos/cientistas da literatura?
Quanto à lagrimazita, o que em emocionou mais foi a cena do concerto encostado ao muro :)
De marcia a 7 de Outubro de 2014 às 21:14
Pois...o concerto foi muito emotivo mas segurei-me. Talvez por isso nao tenha resistido no fim...
De Miguel Ângelo a 16 de Outubro de 2014 às 23:18
Talvez tenha uma perspectiva um pouco diferente deste romance, pelo facto de ter lido os três volumes todos de seguida.
Tinha lido, num outro texto, uma referência ao “Inverno do mundo”, pelo que - curioso - tratei de ir ver o que era. Achei que não ia ler o segundo livro sem ler o primeiro. E, mais tarde, achei que não poderia ficar sem ler o terceiro. Assim, em pouco mais de dois meses, viajei pelo século XX: Vi o modo de vida das aldeias no início do desenvolvimento industrial, partilhei idealismos, assisti à ascensão e queda de totalitarismos, ouvi W.Churchill e senti os dramas da evolução social na segunda parte desse século. Umas vezes sorri, outras, fiquei comovido, mas foi – muitas vezes – como se estivesse lá.
Foi, para mim, sobretudo uma história de gente simples. No sentido em que cada uma das personagens foi moldada pelas circunstâncias em que viveu. Intervindo. Participando. Fazendo desse século – que já foi chamado do povo – apesar de toda a brutalidade, um século de esperança. Ainda que este não lhe esteja a dar continuidade.
Achei um espanto esta obra.
De Sandra Maria Machado Martins a 11 de Maio de 2015 às 08:19
Já tecido um comentário ,não foi publicado por não estar devidamente agregada ao sapo.pt,, mas enfim lá se faz um pequeno esforço pelo gigantesco trabalho de Ken Collet nesta trilogia.Foi algo suberbo do inicio ao fim , não houve momentos dos quais gostei mais ou menos ,estava tudo deleniado do inicio ao fim. Como na vida não há milagres ,há sim coincidências ,boas ou más.Gerações que se intercalam entre a politica e vida privada na paz e na guerra. Ken Follet construído um limiar que nos projecta para a eternidade. Muita luta , muitos motivos ainda deixam um futuro aberto a novas gerações,podem ter objectivos diferentes ,embora na minha opinião direitos já adquiridos estejam já a ser esquecidos ou nunca foram de forma alguma adquiridos no seu núcleo , as batalhas são as mesmas o cenário é que se vai alterando ,mordidos pelo gelo seremos todos os que julgam ter vista os gigantes em queda.

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