Domingo, 5 de Junho de 2011

Um Mundo Sem Fim - Volume II - Ken Follett - Opinião

 

Na sequência da leitura do primeiro volume de “Um Mundo sem Fim” chego ao fim do segundo volume muito satisfeita com mais uma excelente criação de Ken Follet. No total dos dois volumes são mais de 1000 páginas de puro deleite literário, de um enredo que se adensa, muda de rumo, complica, simplifica e, acima de tudo, atrai e prende o leitor.

Continuamos a acompanhar a vida de Caris e Merthin. Apesar de haverem muitas mais (e interessantes) personagens, confesso-me rendida a este casal tão particular, tão à frente do seu tempo em pleno século XIV. A verdade é que toda a desenvoltura e particularidade se deve a Caris, personagem feminina bastante determinada, confiante no seu poder de mudar mentalidades e desafiar preconceitos. A vida de Caris é pautada por imensas dificuldades e entraves às suas ideias, claramente avançadas para a época. A título de exemplo vou citar a importância que ela dá à carreira em detrimento do casamento e dos filhos, continuamente adiados; interpreto esta personagem como uma abordagem precoce ao feminismo, numa época em que o papel da mulher na sociedade era perfeitamente secundário e mesmo inexistente no que tocava a decisões e/ou opiniões.

Caris é uma interessada pela medicina, mas obviamente só os homens têm hipótese de se dedicar aos estudos, e dentro destes apenas os pertencentes ao Clero. Numa época em que a Europa foi assolada pela Peste Negra as populações estão nas mãos dos membros com conhecimentos médicos que, sabemos hoje, são perfeitamente ridículos. Caris apela a outro género de abordagem como por exemplo segregar os pacientes para evitar contágio, manter o espaço asseado e suprimir algumas técnicas utilizadas que apenas funcionavam para fragilizar ainda mais os doentes. Sempre encarada com desconfiança, numa época em que tudo o que fosse diferente era de imediato considerado bruxaria, Caris consegue de facto impor algumas mudanças e salvar vidas. Uma fase em que sem dúvida a humanidade fez alguns avanços médicos, pautados pela necessidade de sobreviver. São aprofundados novos conhecimentos sobre doenças e formas de tratamento, bem como novos métodos de receber doentes; penso que possa haver um pequeno mote do que poderá vir a tornar-se a intervenção da iniciativa privada na saúde – dado os apoios que os comerciantes de Kingsbridge dão à construção de um novo Hospital.

Um livro do qual poderia falar horas dada a imensidão de temas que aborda e a profundidade a que explora as vidas das personagens, continuamente entrelaçadas no tempo e no espaço. De qualquer modo, e porque me é cada vez mais difícil encontrar adjectivos novos para os livros de Ken Follett que me agradam sempre tanto, vou apenas recomendar que leiam mais este livro brilhante.

Sinopse

“À semelhança de Os Pilares da Terra Ken Follett volta ao registo do romance histórico, numa obra dividida em duas partes graças às quase mil páginas que a compõem. A Presença publica agora o primeiro volume de Um Mundo Sem Fim, que se prevê repetir o sucesso de Os Pilares da Terra. O autor sentiu-se bastante motivado a escrever este novo livro já que desde Os Pilares da Terra, publicado em 1989, os leitores de todo o mundo clamavam insistentemente por uma sequela. Finalmente Follett inspirado e com coragem e determinação, sem esquecer uma enorme dedicação, lançou-se na escrita de Um Mundo Sem Fim, a continuação de Os Pilares da Terra, onde recorre a elementos comuns do primeiro livro e dá vida a descendentes de algumas personagens. Recuperando a mesma cidade Kingsbridge, o cenário é ambientado dois séculos mais tarde onde nos transporta até 1327. Aí iremos ao encontro de quatro crianças que presenciam a morte de dois homens por um cavaleiro. Três delas fogem com medo, ao passo que uma se mantém no local e ajuda o cavaleiro ferido a recompor-se e a esconder uma carta que contém informação secreta que não pode ser revelada enquanto ele for vivo. Estas crianças quando chegam à idade adulta viverão sempre na sombra daquelas mortes inexplicáveis que presenciaram naquele dia fatídico. Uma obra de fôlego com a marca assinalável e absolutamente incontornável de Ken Follett.”

Presença, 2011

publicado por marcia às 22:36
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