Domingo, 21 de Maio de 2017

O Desafio de superar o objectivo de uma campanha de crowdfunding

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A Colectânea de Contos Desafios da Europa, na qual participo com o Conto Gaveta de Mistérios, reuniu (e ultrapassou) os apoios necessários para publicação.

Agradeço, sensibilizada, aos 50 apoiantes deste projecto, por acreditarem no trabalho dos cinco contistas participantes:

Luísa Semedo - Céu de carvão, mar de aço;

João de Almeida - Caminho em chamas numa casa que gela;

Quita Miguel - Sob um céu de um outro Deus;

Márcia Balsas - Gaveta de Mistérios;

Márcia Costa - Sopro de cinzas;

Não posso deixar de referir o empenho dos meus amigos e amigas, e dos vários blogues literários, que participaram na divulgação da campanha de crowdfunding. O meu muito obrigado pelas vossas partilhas, e por não deixarem “adormecer” a vontade de ver estes contos em livro.

Estão todos no meu coração. Retribuo com o que de mais valioso tenho, a minha amizade.

Este projecto é uma parceria entre a Livros de Ontem e a Junta de Freguesia dos Olivais.

Imagem Livros de Ontem

publicado por marcia às 21:19
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A Páginas Tantas - Livros que se ouvem

Sou só eu que sinto fata de uma boa conversa na rádio? De programas interessantes, com temas actuais, espaços de discussão e reflexão?

Sou só eu que me farto das músicas comerciais, todas iguais, disponíveis nos horários que ando de carro, em que me apetecia mesmo escutar algo diferente?

Mas há quem se continue a juntar para conversar, para chegar a quem quiser estar do outro lado. Actualmente, procurando (que dado é só banalidade), podemos acompanhar podcasts bastante interessantes, nomeadamente sobre livros.

O A Páginas Tantas vai para o ar na Antena 1, à quarta-feira depois das onze da noite, e ao sábado depois da uma da manhã. Podem encontrar-se com a Inês Pedrosa, Patrícia Reis, Rita Ferro e Ana Daniela Soares, e ficar à escuta para uma troca de ideias sempre interessante.

Blogues Literários foi o tema abordado na semana passada e recomendo que ouçam com um caderno para anotar blogues a pesquisar. O meu planetamarcia foi referido, o que me deixou inchada de vaidade!

Sigam todos os episódios aqui.

publicado por marcia às 20:12
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Domingo, 14 de Maio de 2017

Segredos Imorais - Brian Freeman - Opinião

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Por vezes é preciso parar antes de continuar. A ler, entenda-se.

Tenho lido alguns livros fortes. Que mexem com emoções, que exigem uma concentração apurada e espírito crítico alerta. Não me queixo, gosto disso. Na verdade, pensar, argumentar e discutir motivam-me bastante. Mas (e porque há sempre um mas) acontece precisar de um intervalo, de ler um livro como quem vê uma série ao domingo à tarde, de relaxar e desejar apenas e só um pouco de entretenimento.

Nessas alturas passeio os dedos pela estante e sei que me apetece um policial. Gosto do suspense e da dúvida, de tentar descobrir o rasto do assassino, de ler empolgada páginas e páginas de seguida (quanto a este último ponto já depende do policial).

Segredos Imorais satisfez amplamente este meu desejo de emoções fortes controladas. Tem clichés q.b. (também sabem bem), mistério e reviravoltas. E não adivinhei o assassino, o que é uma fabulosa mais-valia. Para saberem do que se trata leiam a sinopse abaixo, antes que eu escorregue em algum spoiler. Parece demasiado reveladora, mas não é tanto assim.

Um livro que cumpriu o seu objectivo.

Sinopse

“Segredos Imorais é um policial americano que marca a estreia de Brian Freeman na publicação. Já comparado a gurus do género como Harlan Coben (autor editado em Portugal pela Presença), Dennis Lehane e Michael Connelly, o autor arrebatou a crítica internacional e conquistou o aplauso de leitores no mundo inteiro. Com base num caso real de uma rapariga desaparecida no Minnesota, amplamente divulgado nos meios de comunicação social, Freeman criou uma obra que utiliza como tema a sedução, encarnada por uma variedade de casais. Rachel nunca conseguiu perdoar a mãe da morte do pai e quando esta se volta a casar engendra um plano para a polícia chegar à conclusão de que o padrasto a matara. O detective Stride entra em acção e devido à complexidade do caso vê-se forçado a rever todas as teorias especulativas para avançar com a investigação. Uma leitura policial, com os ingredientes clássicos do género mas que é também uma obra sobre pessoas.”

Editorial Presença, 2006

Tradução de Lucinda Santos Silva

publicado por marcia às 20:10
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Casa das Letras - O Homem Domesticado, de Nuno Gomes Garcia

O Homem Domesticado.jpg

Desde o tempo em que Marine alcançou o poder, dando início a uma nova era, a sociedade foi-se progressivamente desumanizando: os conceitos de amor e de amizade deixaram de fazer sentido, os prazeres são malvistos e o sexo está proibido pelo novo regime totalitário, até porque a reprodução passou a ser padronizada e desenvolvida artificialmente em laboratórios.

As mulheres tornaram-se senhoras do mundo e submeteram os homens à condição de escravos – machos domesticados que, vivendo no medo e na ignorância, lavam, cozinham, obedecem, calam, saem à rua cobertos da cabeça aos pés.

Amores proibidos, subversão, crime, reeducação coerciva – tudo se combina magnificamente neste romance a um tempo sensual e cerebral: uma distopia à maneira de 1984, de George Orwell, que reflecte de forma lúcida e desafiante sobre as problemáticas que caracterizam a sociedade atual.

Nas livrarias a 16 de Maio

publicado por marcia às 10:00
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Segunda-feira, 8 de Maio de 2017

Colectânea “Os Desafios da Europa” - Para apoiar até 15 de Maio

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A uma semana do fim da campanha de crowdfunding, a Colectânea Os Desafios da Europa precisa do empurrãozinho final daqueles que desejam ler os contos sobre esta temática tão pertinente.

Numa época crucial e de mudança constante, há cinco vozes que querem ser escutadas. Há cinco autores que não se resignam à indiferença e ao comodismo, e cujos trabalhos representam cinco olhares sobre a actualidade.

 

Luísa Semedo - Céu de carvão, mar de aço

João de Almeida - Caminho em chamas numa casa que gela

Quita Miguel - Sob um céu de um outro Deus

Márcia Balsas - Gaveta de Mistérios

Márcia Costa - Sopro de cinzas

Reservem o vosso exemplar (ou escolham outra recompensa) e apoiem. O vosso gesto é crucial para que este livro não fique na gaveta.

Acreditem, como eu, quando escrevi o meu Conto, que é possível chegar sempre mais longe. Contudo, sei que é um caminho que não farei sozinha. Conto convosco!

É um orgulho pertencer a este painel.

Este projecto é uma parceria entre a Livros de Ontem e a Junta de Freguesia dos Olivais.

publicado por marcia às 08:00
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Sábado, 6 de Maio de 2017

Canção Doce - Leïla Slimani - Opinião

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Canção Doce já circulava, na versão francesa original, pelas sessões da Roda dos Livros. Como não ficar ansiosa pela edição portuguesa perante os comentários avassaladores de leitoras cujas opiniões tanto estimo? Não domino o Francês, mas a tradução da Tânia Ganho é sempre uma garantia para os leitores. Obviamente que o livro veio cá para casa assim que saíu, e nem passou pela estante.

Duas crianças morrem ao cuidado da ama com quem desenvolveram uma relação de extrema afeição. Louise, a ama dedicada, é contratada quando Myriam, a mãe, decide voltar a trabalhar. Louise afeiçoa-se às crianças e os dois irmãos (Mila e Paul) retribuem o amor da ama numa relação bonita e feliz. Louise permite que os pais se dediquem incansavelmente às suas profissões exigentes, assegurando a harmonia do lar. Estimada por toda a família, a ama chega a acompanhá-los nas férias.

Como se passa de um cenário de felicidade e segurança para a ruptura provocada pela morte? Leïla Slimani escava nas aparências de felicidade e traz para a superfície os medos, anseios e solidões, dissecando-os como causas da degradação humana na sociedade actual.

O percurso de Louise é uma espiral descendente de racionalidade. O amor à família que a contrata evolui para uma obsessão tal que a sua vida fora da casa de Myriam e Paul se resume a esperar pelo momento do regresso. As suas rotinas são cruciais e o receio do vazio que a possibilidade de deixar de ser necessária implica, levam-na a actos descompensados e paranoicos.

Uma leitura aterradora que tive de dosear com ponderação, sob pena de mergulhar na angústia. Mais do que as palavras e a escrita sublime de Slimani, ficam as reflexões a que este livro me obrigou e o inevitável receio de pertencer à sociedade tão bem caracterizada pela autora, com laivos de assustadora realidade.

Louise mata as crianças? Porquê? Antes de lerem o livro pensem se querem mesmo saber.

Eu recomendo, claro.

Sinopse

“Mãe de duas crianças pequenas, Myriam decide retomar a actividade profissional num escritório de advogados, apesar das reticências do marido. Depois de um minucioso processo de selecção de uma ama, o casal escolhe Louise. A ama rapidamente conquista o coração dos pequenos Adam e Mila e a admiração dos pais, tornando-se uma figura imprescindível na casa da jovem família.
O que Myriam e Paul não suspeitam - ou não querem ver - é que a sua pequena família é o único vínculo de Louise à normalidade. Pouco a pouco, o afecto e a atenção vão dando lugar a uma interdependência sufocante, com o cerco a apertar a cada dia, até desembocar num drama irremediável.
Com um olhar incisivo sobre esta pequena família, Leila Slimani aponta o foco para um palco maior: a sociedade moderna, com as suas concepções de amor, educação e família, das relações de poder e dos preconceitos de classe. Com uma escrita cirúrgica e tensa, eivada de um lirismo enigmático, o mistério instala-se desde a primeira página, um mistério que é tanto sobre as razões do drama como o das profundezas insondáveis da alma humana.”
 

PRÉMIO GONCOURT 2016, o mais importante prémio literário francês.

Tradução de Tânia Ganho

publicado por marcia às 13:59
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Segunda-feira, 1 de Maio de 2017

A Construção do Vazio - Patrícia Reis - Opinião

A Construção do Vazio.jpg

Poucos são os livros que me proporcionam uma total queda na história. Habitualmente os meus sentidos estão atentos a várias coisas, como o vocabulário, figuras de estilo, ritmo e encadeamento da narrativa, construção de personagens. Contudo, neste caso, alheei-me dessas observações. Bebi a história de Sofia em choque, aterrada e completamente envolvida nas poderosas descrições.

Todas essas coisas que aprecio durante uma leitura foram de certa forma esquecidas aqui, não que não existam ou não mereçam o meu escrutínio (ao contrário), mas porque dei a tal queda (ou salto sem rede ou bungee jumping) em cheio na vida de Sofia, a menina-tesoura que me fez esquecer que estava a ler um livro. Vivi a história sem relativizar e sem questionar, aceitando a crueldade descrita e sofrendo (muito) com ela. Parando muitas vezes para respirar. A análise ficou para depois. Depois de fechar a última página, mas ainda com a voz de Sofia na cabeça.

Senti-me tão atordoada pela história que tive de a viver de modo intenso. Demasiado intenso talvez, pois vi-me completamente enredada nas dores da personagem e, principalmente, na sua infância aterradora, que a condicionou à total descrença na sua própria felicidade. Como é viver com a certeza de não ser merecedora daquilo a que todos aspiram? É essa a dura viagem que este livro oferece.

Meditando um pouco sobre tudo isto, dado que já li o livro há algum tempo, e esperando que este modo de “cair” não signifique um retrocesso no meu sentido crítico, e sabendo (tendo a certeza, vá) que a escrita da Patrícia Reis continua irrepreensível (acho que até melhorou), A Construção do Vazio só pode significar um outro patamar. Para a autora sem dúvida. Para mim, como leitora, de certeza.

Uma experiência inesquecível. Talvez o meu livro preferido de Patrícia Reis. Uma chapada na cara (várias na verdade).

Sinopse

“A história de Sofia, uma menina-tesoura que sobrevive a uma relação de violência e abuso e cresce com a convicção de que a maldade supera tudo. 
Será possível atenuar a dor? 
Como se resiste ao fantasma real da infância? 
Que decisões partem dessa memória e podem limitar a vida? 
Sofia abriga-se na amizade de três homens, Eduardo, Jaime e Lourenço, e vive sem desejo, sem vontade, de construção em construção, sendo o vazio o objectivo final. 
Esta personagem surge pela primeira vez no livro Por Este Mundo Acima (2011) e faz parte do território ficcional da autora que, com A Construção do Vazio, termina um ciclo de três narrativas independentes iniciado em 2008, com o romance No Silêncio de Deus.”

D. Quixote, 2017

publicado por marcia às 11:47
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