Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

Onze Tipos de Solidão - Richard Yates - Opinião

onzetiposdesolidao.jpg

Quando comecei a escrever sobre este livro de contos pensava dedicar um texto a cada uma das histórias. Escrevi umas linhas para o primeiro conto, e mais umas linhas para o segundo. Contudo a leitura ganhou fôlego e dediquei-me a lê-los de seguida, sem me preocupar com anotações e possíveis futuros textos.

A solidão é um tema que me toca particularmente, por ter tanto por onde pegar, literariamente falando. E Yates explora este tema de forma admirável.

Os onze contos não se relacionam, mas todos narram histórias de gente que, de alguma forma, está só. Da infância ao serviço militar, passando pelo casamento e pela doença, ficam as imagens (porque achei a narrativa muito visual) de Onze Tipos de Solidão que me agarraram pela escrita tão completa que utiliza, curiosamente, poucas palavras. Yates fez-me sentir mais, fez-me estar mais perto das personagens e das suas solidões, nestes contos com cerca de vinte páginas cada, do que muitos calhamaços com centenas delas.

Com um poder de síntese impressionante e uma clareza admirável, Yates já devia ter saltado para as minhas leituras obrigatórias há muito.

Sinopse

“A partir da vida de empregados de escritório em Nova Iorque; de um taxista que ambiciona a imortalidade; de jovens romancistas frustrados; de professores desprezados pelos alunos; de homens do subúrbio e das suas mulheres deprimidas e negligenciadas, de aperitivos e martinis e bares de jazz sem glamour nenhum, Richard Yates constrói um mosaico assombroso dos anos 1950, período em que o sonho americano começava finalmente a concretizar-se e, em simultâneo, a revelar um grande vazio.

Publicado a seguir ao romance que consagrou Richard Yates - Revolutionary Road - o conjunto de onze histórias - ilustrando cada uma delas uma vertente desses Onze Tipos de Solidão - cria, para lá do retrato, uma forte atmosfera de alienação e desconexão social.”

Quetzal, 2011

Tradução de Nuno Guerreiro Josué

publicado por marcia às 00:24
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

Concerto em Memória de um Anjo - Éric-Emmanuel Schmitt - Opinião

concertoemmemoriadeumanjo.jpg

Um livro com quatro histórias que se lê muito bem, mas que infelizmente me acrescentou pouco. Uma escrita simples, fluída e bem estruturada. Contos que me prenderam de modo contido. Apenas o primeiro, A Mulher Venenosa, me agradou verdadeiramente. Daí até ao final do livro, acompanhei com mediano interesse.

Faz boa companhia numa tarde de lazer, mas eu espero mais de um livro. Por isso ficou-me aquele sabor a “quero mais”. Contudo, penso que poderá agradar a muitos leitores. Fica a sugestão.

Sinopse

“Que relação existe entre uma mulher que envenena sucessivamente os seus maridos e um presidente da República apaixonado? Qual a ligação entre um simples e honesto marinheiro e um escroque internacional que vende bugigangas religiosas fabricadas na China? Por que milagre uma imagem de Santa Rita, padroeira das causas perdidas, assume o papel de guia misteriosa das suas existências? Todas estas personagens tiveram a possibilidade de se redimir, de escolhera luz em vez da sombra. A todas foi um dia oferecida a salvação. Algumas aceitaram-na, outras recusaram-na, outras ainda não souberam reconhecê-la. Quatro histórias com ligações entre si. Quatro histórias que atravessam o quede mais comum e mais extraordinário existe na nossa vida. Quatro histórias que exploram uma questão: somos livres ou estamos presos a um destino? Será que podemos mudar?”

Marcador, 2016

Tradução de Nuno Camarneiro

Uma leitura Roda dos Livros – Livros em Movimento

publicado por marcia às 13:36
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Domingo, 5 de Fevereiro de 2017

Desgraça - J. M. Coetzee - Encontro da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz

desgraca.jpg

Falar sobre livros com outros leitores pode ser quase tão bom como lê-los. Por isso gosto tanto de trocar ideias sobre leituras com os meus amigos leitores. Foi por isso, também, que nasceu a Roda dos Livros. Porque há mais leitores com a mesma vontade, e ainda bem.

Além da Roda participo numa Comunidade de Leitores que reúne em Lisboa uma vez por mês, com direito a discussão sobre o livro escolhido, jantar e encontro com o autor. No dia 28 de Janeiro fui pela primeira vez ao encontro da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, a cidade onde cresci. Já há algum tempo que queria conhecer esta comunidade, mas o encontro mensal nem sempre coincidia com as minhas deslocações à Figueira. Fui ao primeiro encontro de 2017, e espero que seja um prenúncio de que consiga ir a uma boa parte dos encontros do ano. O grupo já está formado há algum tempo e nem sempre é fácil ser novato nestas circunstâncias, contudo eu senti uma recepção calorosa que me deu logo vontade de ficar.

O livro escolhido foi o Desgraça, de J. M. Coetzee, que eu já tinha lido há uns treze anos. Na altura lembro-me de não ter gostado, apesar disso lembro-me de não ter conseguido parar de o ler. Reli o livro para este encontro tendo sempre presente a experiência contraditória de uma leitura que não agrada mas que não solta, e até agarra quem lê. Como já sabia ao que ía, não me foquei tanto na história, que recordava, e que nos leva para outro país, outro continente, outra realidade. Foquei-me na escrita, na estrutura do livro, na forma como o autor consegue, num livro relativamente pequeno, condensar tanto para pensar. E para falar, pois a discussão foi verdadeiramente envolvente, com uma série de pontos de vista que enriqueceram de sobremaneira a minha leitura inicial.

Sinopse

“Com cinquenta e dois anos, o professor David Lurie perde o emprego e os amigos depois de um romance com uma das suas alunas, refugiando-se na quinta da filha, Lucy. As tentativas de David para se relacionar com Lucy e com uma sociedade feita de novas complexidades raciais são perturbadas por uma tarde de violência que os vai modificar, a ele e à filha, de uma forma que ele jamais poderia prever. Neste romance perverso e, não obstante, terno, Coetzee diz, uma vez mais, verdades que penetram até ao osso.”

O encontro da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz é no último sábado de cada mês e a entrada é livre. Deixo o desafio a quem se quiser juntar ao grupo no dia 25 de Fevereiro.

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 Boas leituras a todos!

publicado por marcia às 18:30
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2017

Revista Inominável #6

Capa #6.jpg

A Inominável está de volta com um número cheio de coisas boas. Deixem-se levar aqui e acompanhem o blogue aqui.

Eu volto ao Anexo para vos contar tudo sobre a escolha da próxima leitura. Qualquer viciado em livros sabe que nem sempre é uma decisão fácil!

Boas leituras!

publicado por marcia às 18:17
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