Sábado, 31 de Agosto de 2013

Novidade Asa - Relatório do Interior, Paul Auster

 

Nome maior da literatura mundial, Paul Auster escreveu no notável Diário de Inverno as memórias do seu “eu” físico. Em Relatório do Interior, vai mais além ao explorar a sua mente, a sua memória e as influências que fizeram dele o homem que actualmente é.

Episódios marcantes da sua infância, adolescência e início de idade adulta, os livros, filmes e acontecimentos que acompanharam o seu crescimento e um vislumbre das primeiras tentativas de escrita pintam um retrato vívido do autor e do meio que o rodeava.

Do mundo pequeno e protegido da sua infância ao mundo grande que ainda hoje está a descobrir, Paul Auster revela-se corajosamente na sua mais profunda intimidade.

Nas livrarias a 10 de Setembro

publicado por marcia às 23:57
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Novidade D. Quixote - Mosquitos, William Faulkner

 

Uma surpresa maliciosamente deliciosa, o segun­do romance de Faulkner, originalmente publicado em 1927, apresenta-nos um colorido grupo de pas­sageiros num cruzeiro em Nova Orleães. A viagem torna-se numa verdadeira feira de vaidades, onde escritores e artistas diletantes, indivíduos insig­nificantes e entediantes parasitas passam o tempo a picar o próximo, sendo retratados por Faulkner tanto como mosquitos quanto como encantadores beija-flores. Uma sátira mordaz e bem-humorada sobre a condição humana que oferece um fasci­nante vislumbre de Faulkner enquanto jovem artista.

Nas livrarias a 10 de Setembro

publicado por marcia às 23:53
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Novidade D. Quixote - O Botequim da Liberdade, Fernando Dacosta

 

A última grande tertúlia de Lisboa – que marcou cultural e politicamente várias décadas portuguesas – teve lugar no Botequim, bar do Largo da Graça criado e projectado por Natália Correia.

Nele fizeram-se, desfizeram-se revoluções, governos, obras de arte, movimentos cívicos; por ele passaram presidentes da República, gover­nantes, embaixadores, militares, juízes, revolucionários, heróis, escritores, poetas, artistas, cientistas, assassinos, loucos, amantes em madrugadas de vertigem, de desmesura.

A magia do Botequim tornava-se, nas noites de festa, feérica. Como num iate de luxo, navegava-se delirantemente (é uma viagem assim que neste livro se propõe) em demanda de continentes venturosos, de ilhas de amores a encontrar.

O futuro foi ali, como em nenhuma outra parte do País, festivamente antecipado nunca houve, nem por certo haverá, nada igual entre nós.

Nas livrarias a 10 de Setembro

publicado por marcia às 23:47
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Novidade D. Quixote - O Tímido e as Mulheres, de Pepetela

 

O novo livro de Pepetela remete-nos para uma Luanda nos dias de hoje.

Acompanhamos Heitor, um escritor em início de carreira, o tímido.

Ouvimos a quente voz de Marisa, responsável por um programa de rádio de grande audiência, que a todos encanta e seduz.

Conhecemos Lucrécio, seu marido, uma mente brilhante aprisionada numa cadeira de rodas.

É este o trio que une as diversas histórias e personagens deste romance.

Com a sua habitual mestria, Pepetela volta a surpreender-nos, desenhando uma paisagem imparcial e objectiva da actual sociedade angolana, fruto de muitas mutações culturais e políticas derivadas da sua história recente.

Nas livrarias a 10 de Setembro

publicado por marcia às 23:42
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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013

Sextante Editora - Ficção - A grande obra de Dennis Lehane

 

Após Viver na noite, a Sextante Editora publica um dos grandes romances de Dennis Lehane, Mystic River. Este livro, que chega às livrarias no dia 30 de agosto, foi adaptado ao grande ecrã por Clint Eastwood, num filme muito bem recebido pelo público e pela crítica e protagonizado por Sean Penn, que com ele recebeu o Óscar para melhor ator.

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Quinta-feira, 29 de Agosto de 2013

Assírio & Alvim - Ficção portuguesa - A "obra maior" de Maria Velho da Costa

 

A Assírio & Alvim publica, a 30 de agosto, a grande obra de Maria Velho da Costa, Casas Pardas. Este livro cartografa Lisboa no final dos anos sessenta, em plena agonia do regime salazarista: crise política e social, rumores das guerras coloniais e dos tumultos estudantis.

Segundo Mário de Carvalho, «Casas Pardas é um maravilhoso torvelinho de linguagens, uma evocação concreta e exata de comportamentos sociais de várias classes no final do fascismo, uma revisitação dos lugares da literatura e da poesia (também nas suas vertentes populares), uma polifonia de falas genialmente captadas, uma subversão endiabrada dos processos narrativos e uma prática de jogos de linguagem que lembram o barroco, mas também os grandes efabuladores do século XVIII, como Fielding ou Sterne».

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Domingo, 25 de Agosto de 2013

A História de uma Serva - Margaret Atwood - Opinião

 

A descoberta de um autor que me satisfaz torna-me reincidente. Saber que há ainda tanto para conhecer alarga o alcance da descoberta e torna-a agradavelmente infinita. Assim me sinto, num percurso que apenas vai no início mas que tem muito para oferecer. Como se, com Margaret Atwood, tivesse aberto uma porta que oferece muitas outras para abrir. Desta vez abri a porta da distopia. O que nunca antes me interessou é agora algo a explorar atentamente.

“A distopia, também conhecida como antiutopia, é um conceito filosófico adotado por vários autores e expresso em suas criações ficcionais, nas quais eles retratam uma sociedade construída no sentido oposto ao da utopia, que por sua vez prevê um sistema perfeito, um estado ideal, onde vigora a máxima felicidade e a total concórdia entre seus cidadãos.

A literatura distópica também pode representar um regime utópico que na prática destoa da teoria. As comunidades regidas pela distopia normalmente apresentam governos totalitários, ditatoriais, os quais exercem um poder tirânico e um domínio ilimitado sobre o grupo social.” (Tirado daqui).

“A História de uma Serva” é um livro silencioso. Um silêncio opressivo imposto pelo medo, fruto de uma espécie de adaptação ou aceitação. Uma sociedade que se transforma, que coloca as mulheres no centro e valoriza as suas funções mais primitivas. Uma sociedade assente na procriação, mas em que só algumas são as escolhidas para essa função. Esse privilégio cabe a um número de mulheres cuja existência se reduz a assegurar a descendência da espécie e que, focadas nessa tarefa, deixam de poder agir por vontade própria. Treinadas e controladas por um sistema que tudo vê, as servas são uma inspiração bíblica, a meu ver uma desculpa que impõe a esta sociedade uma componente religiosa a cair no fanatismo.

As servas perdem o seu próprio nome para ganhar outro, um nome escolhido de uma forma extremamente redutora mas que é mais um ponto demonstrativo do brilhantismo e criatividade de Atwood. As razões são explicadas no final e não me sinto no direito de as revelar aqui. Além do mais achei que a leitura é francamente estimulante por ser pautada por constantes dúvidas e alguma revolta. Sentimentos que me impeliram a ler em todos (mesmo todos) os momentos em que era possível conciliar qualquer tarefa com um livro.

Estas escolhidas não podem ler, não podem ter acesso a nada que tenha letras e lhes possa estimular minimamente o pensamento. Querem-se cerebralmente mortas de modo a aceitar sem questionar as regras pelas quais se pautam os seus dias. Não escolhem as suas roupas, até porque o traje é uma forma de serem identificadas, não escolhem a comida, não podem ter nada de seu, não sabem onde estão as suas famílias nem os amigos, são formadas para esquecerem que houve uma outra vida e para se dedicarem em exclusivo à causa. São colocadas em lares de casais que não têm filhos e sobre elas cai a responsabilidade de engravidarem do homem (aqui chamado de Comandante), num ritual com contornos doentios. O objectivo e razão de máxima felicidade é darem um filho a este casal como se por ele tivesse sido concebido. Uma vez o objectivo concretizado a serva segue o seu percurso para outra casa, onde continua a exercer as suas funções de “útero ambulante”. Sempre sem nada de seu, sem qualquer direito à criança que eventualmente tenha dado à luz.

Um relato extremista e doentio que, esmiuçado, leva a inúmeras considerações e reflexões sobre a nossa sociedade. Quantos de nós não nos sentimos já (pelo menos) algumas vezes meros peões ao serviço de algo considerado superior e desconhecido, e por isso temível? Estamos ou não rodeados de fanáticos religiosos e seitas fundamentalistas que arrasam a condição feminina e reduzem as mulheres a servas, a quem impigem o dever e a honra de servir os seus senhores?

Quem nunca sentiu a felicidade da ignorância? A tranquilidade de desconhecer algo terrível, que obviamente se evapora e se transforma numa pesada consternação chamada tomada de consciência? Quem tem mais poder pisa onde sente fraqueza, e qual a melhor forma de exercer pressão e levar os seus intentos senão através do medo?

A História da Serva Defred é um convite à discussão, à análise da sombria mente humana na sua luta pelo poder. Com exemplos que podem estar ao virar de qualquer esquina. Que tenhamos consciência que não há pessoas melhores, que todos nos poderemos transformar em monstros uma vez reunidas as condições. E que as servas (e servos) também acordam e que, normalmente, o facto de existirem em número superior tende a trazer algumas vantagens. Mas para quem?

“Caminhamos, sedadas. O sol está descoberto, há tufos de nuvens brancas no céu, do tipo que lembra ovelhas sem cabeça. Por causa das nossas abas, dos nossos antolhos, é difícil olhar para cima, é difícil conseguir uma visão completa, do céu, seja do que for. Mas podemos fazê-lo, um pouco de cada vez, um movimento rápido da cabeça, para cima e para baixo, para o lado e para trás. Aprendemos a olhar o mundo em arquejos. “ (Pág. 42).

“Vivíamos, como de costume, ignorando. Ignorar não é o mesmo que ignorância, exige esforço da nossa parte.” (Pág. 69).

“Passado o primeiro choque, depois de uma pessoa começar a aceitar, o melhor era deixar-se ficar letárgica. Podíamos dizer a nós próprias que estávamos a poupar forças.” (Pág.86).

“A minha presença aqui é ilegal. É-nos proibido ficarmos a sós com os Comandantes. Servimos um propósito reprodutivo: não somos concubinas, gueixas ou cortesãs. Pelo contrário: fizeram-se todos os possíveis para nos retirarem dessa categoria. Não deve haver nada de recreativo em nós, não pode haver espaço para o desabrochar de desejos secretos; não podem ser concedidos favores especiais, nem por eles nem por nós, não pode haver pontos de partida para o amor. Somos úteros andantes, nada mais: veículos sagrados, cálices ambulatórios.” (Pág.157).

“Mas, a toda a volta, as paredes têm prateleiras. Estão cheias de livros. Livros, livros e mais livros, ali mesmo à vista, sem cadeados, sem caixas. Não admira que não possamos aqui entrar. É um oásis do proibido. Tento não ficar a olhar.” (Pág.158).

Sinopse

“Uma visão marcante da nossa sociedade radicalmente transformada por uma revolução teocrática. A História de Uma Serva tornou-se um dos livros mais influentes e mais lidos do nosso tempo. 
Extremistas religiosos de direita derrubaram o governo norte-americano e queimaram a Constituição. A América é agora Gileade, um estado policial e fundamentalista onde as mulheres férteis, conhecidas como Servas, são obrigadas a conceber filhos para a elite estéril. 
Defred é uma Serva na República de Gileade e acaba de ser transferida para a casa do enigmático Comandante e da sua ciumenta mulher. Pode ir uma vez por dia aos mercados, cujas tabuletas agora são imagens, porque as mulheres estão proibidas de ler. Tem de rezar para que o Comandante a engravide, já que, numa época de grande decréscimo do número de nascimentos, o valor de Defred reside na sua fertilidade, e o fracasso significa o exílio nas Colónias, perigosamente poluídas. Defred lembra-se de um tempo em que vivia com o marido e a filha e tinha um emprego, antes de perder tudo, incluindo o nome. Essas memórias misturam-se agora com ideias perigosas de rebelião e amor.”

Bertrand, 2013

publicado por marcia às 19:10
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Sábado, 24 de Agosto de 2013

Novidade D. Quixote - Índice Médio de Felicidade, de David Machado

 

Daniel tinha um plano, uma espécie de diário do futuro, escrito num caderno. Às vezes voltava atrás para corrigir pequenas coisas, mas, ainda assim, a vida parecia fácil – e a felicidade também. De repente, porém, tudo se complicou: Portugal entrou em colapso e Daniel perdeu o emprego, deixando de poder pagar a prestação da casa; a mulher, também desempregada, foi-se embora com os filhos à procura de melhores oportunidades; os seus dois melhores amigos encontram-se ausentes: um, Xavier, está trancado em casa há doze anos, obcecado com as estatísticas e profundamente deprimido com o facto de o site que criaram para as pessoas se entreajudarem se ter revelado um completo fracasso; o outro, Almodôvar, foi preso numa tentativa desesperada de remendar a vida. Quando pensa nos seus filhos e no filho de Almodôvar, Daniel procura perceber que tipo de esperança resta às gerações que se lhe seguem. E não quer desistir. Apesar dos escombros em que se transformou a sua vida, a sua vontade de refazer tudo parece inabalável. Porque, sem futuro, o presente não faz sentido.

Nas livrarias a 3 de Setembro

publicado por marcia às 15:33
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Novidade D. Quixote - Culpa, de Ferdinand Von Schirach

 

Um homem recebe no Natal uma dentadura nova, em vez de cumprir uma pena de prisão. Um rapaz é torturado quase até à morte em nome dos Illuminati. Os nove «cidadãos respeitáveis» de uma banda de metais destroem a vida de uma jovem, e nenhum deles tem de expiar o crime...

Ferdinand von Schirach transformou meros processos penais em literatura de qualidade, com uma intensidade penetrante, de uma forma discreta mas sempre assertiva, num estilo entre o lírico e o lacónico. São as questões intemporais como o bem e o mal, a culpa, a inocência e a responsabilidade que cada um de nós tem de assumir que se destacam.

Compassivo e revelando a mesma elegância e contenção que levou o livro de estreia de von Schirach, Crimes, às listas de best-sellers, Culpa é a impressionante segunda obra de um dos melhores novos talentos da literatura alemã.

Nas livrarias a 3 de Setembro

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Domingo, 18 de Agosto de 2013

O Assassino Cego - Margaret Atwood - Opinião

 

Margaret Atwood foi até há pouco tempo uma autora desconhecida para mim. A avalanche de livros editados diariamente, e o culto das novidades literárias por parte dos media, tendem a distrair a minha atenção, não só dos clássicos, mas também de excelentes livros já publicados há alguns anos.

Tenho tentado inverter esta tendência. Contudo, a divulgação massificada das novidades nem sempre é fácil de gerir para quem adora livros, e quer estar sempre a par do que se passa. A Roda dos Livros tem tido um papel fundamental nessa “libertação” que me proponho levar a cabo. Não quero deixar de saber o que há de novo no mercado editorial, nem conseguiria, mas cada vez mais quero conhecer o que já está escrito há alguns anos e que, acima de tudo, deixou marcas nos leitores.

E assim descobri Atwood. Ou melhor, “apresentaram-me” e eu decidi descobrir. Com apenas um livro lido sinto estar na presença de uma escritora brilhante que quero continuar a conhecer. Margaret Atwood conseguiu, em pouco tempo, bastante espaço na minha estante. Um livro lido e mais cinco para ler. A pesquisa sobre a autora deixou-me rendida e o fantástico preço de alguns dos seus livros fez o resto. As expetativas são elevadas e a vontade de ler imensa.

“O Assassino Cego” é um livro excecionalmente escrito e com uma estrutura bem imaginada. Surpreendente, envolvente e, acima de tudo, com uma excelente história para contar. Iris é uma octogenária peculiar, que enfrenta as habituais dificuldades físicas da idade avançada, e que surpreende com tiradas de humor sobre a sua própria condição, assim como sobre o meio envolvente que analisa com uma lucidez acutilante.

Iris “passeia” entre presente e passado e levou-me nessa viagem. Pelo presente, pelo passado, e também por alguns universos paralelos que me fizeram sentir ter um pé na ficção científica e outro no fantástico. Ler Atwood é, segundo a Renata Carvalho da Roda dos Livros, sempre um novo passeio pelo inesperado. A imaginação e criatividade da autora devem de alguma forma ir beber numa fonte inesgotável, na medida em que são tantos os livros editados, sobre tão variados temas e assentes em tão diversos conceitos, que sinto que serão precisos anos para descobrir tudo. Se pareço fascinada é porque realmente estou, e ávida de me deixar levar por distopias, utopias, histórias de época e o que mais houver.

O mistério assume um papel fundamental neste livro e na forma como faz prosseguir a leitura. Tive uma constante sensação que havia algo para desvendar mas não sabia o quê. O desejo de compreender, de encontrar o encaixe entre duas histórias contadas paralelamente e que sabia que se relacionavam apesar de não saber como, associado à sensação de descoberta iminente fez precipitar as páginas de forma compulsiva.

Iris conta a história da sua família. Escreve para si própria pois sabe que se o fizer para um público não será totalmente sincera, tenderá sempre a ocultar este ou aquele pormenor que poderá mostrar a verdade desconhecida das pessoas que ama e até mesmo de si própria. Um percurso de diversos anos que os fatores históricos obviamente influenciam. As flutuações entre riqueza e pobreza são pautadas pelas crises, guerras, doenças que afetaram a humanidade e que deixaram a família de Iris, outrora abastada, literalmente à beira da ruína. O seu casamento é encarado como uma tábua de salvação, e Iris submete-se a uma vida sem amor rodeada dos que nada lhe dizem, sempre com a terrível sensação de que, afinal se entregou a uma causa sem sentido. As coisas verdadeiramente importantes foram-se perdendo pelo caminho.

Mais do que uma história bem contada, “O Assassino Cego” é uma reflexão sobre a vida, sempre buscando temas tão polémicos como a condição da mulher através dos tempos e como, ainda hoje, as mulheres se submetem a papéis que vão para além das suas aparentes forças, se anulam ao lado de companheiros que não amam, desempenhando vidas infelizes que apenas a imaginação e o sonho podem (ocasionalmente) salvar.

Desafio-vos a conhecer Iris Chase Griffen.

“Voltando à tarefa em mãos. Em mãos é a expressão apropriada: por vezes, parece-me que é apenas a minha mão que escreve, e não o resto de mim: parece que a minha mão ganhou vida própria e continuaria a escrever mesmo que fosse separada do resto do corpo, como um fetiche egípcio embalsamado e enfeitiçado, ou como as patas de coelho secas que os homens costumam pendurar nos retrovisores dos carros para dar sorte. Apesar da artrite nos meus dedos, esta minha mão tem manifestado ultimamente uma quantidade invulgar de energia, como que atirando paus aos cães. Sem dúvida que tem escrito muitas coisas que não lhe seriam permitidas, se estivesse sujeita ao meu julgamento.“ (Pág. 454)

Sinopse

“Qual boneca russa, “O Assassino Cego” apresenta uma complexa estrutura narrativa em que se interligam as recordações de Iris Chase – uma anciã que conta a história da sua família ao longo do século XX, detendo-se em especial na relação desta com a sua irmã Laura (já morta) – com episódios escritos em registos tão distintos como romance ou a ficção científica.
No livro, chegada ao fim da vida, Iris Griffen começa a escrever a história secreta da sua família, evocando um mundo de prosperidade e miséria que se estende pelo período que separa as duas guerras mundiais. Mas o enigma central da história de Iris é a morte de Laura Chase, a sua irmã, também ela uma contadora de histórias. O único livro de Laura, um
best-seller intitulado O Assassino Cego, narra o amor clandestino entre uma jovem de sociedade e um radical a monte. Mas como terá morrido Laura? Acidente ou suicídio? Quem é esse anarquista que habita as páginas de O Assassino Cego? E qual é a relação entre a história de ficção científica, que ele conta à amante em troca de sexo, e a realidade?
O Assassino Cego é na verdade dois livros (pelo menos) e um labirinto de histórias que recorrem a uma multiplicidade de géneros literários, do romance à ficção científica, passando pelo jornalismo. Todos juntos, estes retalhos de narrativas vão dando contornos a uma história única: uma saga familiar que é também a História do mundo ocidental entre as duas Grandes Guerras e uma das histórias de amor mais complexas e inesquecíveis da literatura.”

Bertrand, 2009

publicado por marcia às 01:41
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