Quarta-feira, 22 de Março de 2017

D. Quixote - A Construção do Vazio, de Patrícia Reis

A Construção do Vazio.jpg

Sofia é uma menina-tesoura que sobrevive a uma relação de violência e abuso e cresce com a convicção de que a maldade supera tudo.

Será possível atenuar a dor?

Como se resiste ao fantasma real da infância?

Que decisões partem dessa memória e podem limitar a vida?

Sofia abriga-se na amizade de três homens, Eduardo, Jaime e Lourenço, e vive sem desejo, sem vontade, de construção em construção, sendo o vazio o objectivo final.

Esta personagem surge pela primeira vez no livro Por Este Mundo Acima (2011) e faz parte do território ficcional da autora que, com A Construção do Vazio, termina um ciclo de três narrativas independentes iniciado em 2008, com o romance No Silêncio de Deus.

Já nas livrarias!

publicado por marcia às 21:15
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Domingo, 19 de Março de 2017

Apresentação do livro "A Serpente do Essex" - 23 de Março, às 18h30

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Agradeço à Minotauro o convite para partilhar a minha leitura do livro A Serpente do Essex. No próximo dia 23 junto-me à Célia, à Cris e à Cristina para uma conversa sobre o primeiro lançamento desta nova chancela. Connosco estará e editora Sara Lutas.

Venham daí!

publicado por marcia às 12:37
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Minotauro - Rapariga em Guerra, de Sara Nović

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 A Minotauro soma e segue! Rapariga em Guerra é a sua segunda aposta.

Uma saga de guerra, um relato da passagem à idade adulta, uma história de amor e de memória, Rapariga em Guerra percorre todas estas facetas e revela-se um romance de estreia ao mesmo tempo perturbador e cheio de esperança, escrito com a força da verdade.
Zagreb, 1991. Ana Juric é uma menina de dez anos com um espírito descontraído, que vive com a sua família na capital da Croácia. Mas, nesse ano, a Jugoslávia é abalada pela guerra civil, destruindo a infância idílica de Ana. A paz do dia a dia é manchada pelo racionamento, pelos constantes raids aéreos e os jogos de futebol são substituídos pelo fogo das armas. Os vizinhos começam a desconfiar uns dos outros e a sensação de segurança começa a desvanecer-se. Quando a guerra lhe bate à porta, Ana tem de encontrar um novo caminho num mundo perigoso.
Nova Iorque, 2001. Ana é agora uma estudante universitária em Manhattan. Apesar de todas as tentativas para deixar o passado para trás, não consegue escapar às recordações de guerra e aos segredos que guarda até dos que lhe são mais próximos. Perseguida pelos acontecimentos que lhe roubaram a família para sempre, regressa à Croácia depois
de uma década de ausência, na esperança de fazer as pazes com o lugar a que um dia chamou casa. Enquanto enfrenta o passado, procura reconciliar-se com a história difícil do seu país e com os acontecimentos que lhe interromperam a infância, há tantos anos.
Avançando e recuando no tempo, este livro é um retrato franco e generoso de um país devastado pela guerra, mostrando-nos, com uma escrita brilhante, a impossibilidade de separar a história de um país e a história do indivíduo.
Sara Novic revela destemidamente o impacto da guerra numa menina e o seu legado em todos nós. É a estreia de uma escritora que olhou para o passado recente e encontrou uma história que ressoa ainda hoje.

publicado por marcia às 12:24
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Quinta-feira, 16 de Março de 2017

Minotauro - A Serpente do Essex, de Sarah Perry

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Partilho convosco a primeira aposta da Minotauro, uma nova chancela do Grupo Almedina. A Serpente do Essex está quase a chegar às livrarias.

Só para vos abrir o apetite:

Londres, 1893. Quando o marido de Cora Seaborne morre, a viúva inicia uma nova vida marcada ao mesmo tempo por alívio e tristeza.
Não teve um casamento feliz e ela própria nunca se adequou ao papel de mulher da sociedade. Acompanhada pelo filho, Francis - um rapaz curioso e obsessivo -, troca a cidade pelo campo de Essex, onde espera que o ar fresco e os grandes espaços lhe proporcionem o refúgio de que necessita.
Quando se instalam em Colchester, chegam-lhe aos ouvidos rumores de que a Serpente do Essex, conhecida por em tempos ter percorrido os pântanos na sua avidez de colher vidas humanas, regressou à aldeia de Aldwinter. Cora, naturalista amadora sem interesse por superstições ou questões religiosas, fica empolgada com a ideia de que aquilo que as pessoas da região tomam por uma criatura sobrenatural possa, na realidade, ser uma espécie ainda por descobrir. Quando decide iniciar a sua investigação é apresentada ao vigário de Aldwinter, William Ransome. Tal como Cora, Will sente uma desconfiança profunda em relação aos boatos, que considera um fenómeno de terror de caráter moral e um desvio da verdadeira fé. Enquanto Will procura tranquilizar os paroquianos, inicia-se entre ele e Cora uma relação intensa; apesar de os dois não concordarem a respeito de nada, são atraídos e afastados um do outro inexoravelmente, a ponto de isso modificar a vida de ambos de formas inesperadas.
Escrito com uma delicadeza e uma inteligência cheias de requinte, este romance é sobretudo uma celebração do amor e das muitas formas que ele pode assumir.

publicado por marcia às 08:00
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Sábado, 4 de Março de 2017

A Avó e a Neve Russa - João Reis - Opinião

aavoeaneverussa.jpg

Como não querer ler este livro? Um menino que nos fala (como um menino) da sua visão do mundo e dos planos para salvar a avó doente.

É um menino que, na verdade, já é um homenzinho. Que sabe tantas coisas, tantas, da História do mundo e das pessoas em seu redor. Sabe da solidão da doença e da certeza de que a avó, apesar da exposição aos ventos atómicos, não pode morrer. Nem que para isso, seja ele próprio a salvá-la.

Tinha alguns receios acerca desta leitura, nomeadamente que a verosimilhança (ou falta dela) atraiçoasse a ideia (brilhante) de colocar todas as palavras deste livro na boca de uma criança. Um trabalho de estofo, diria eu, manter o leitor crédulo no pequeno (de quem nunca sabemos o nome) que nos conta tantas coisas da história da sua própria família, e revela uma aprendizagem alargada e deliciosa de tantos acontecimentos mundiais.

O seu olhar sério sobre a escola, a vizinhança, tudo o que observa e o faz, não só pensar, mas colocar em causa ou interrogar-se sobre questões pertinentes que podem começar pela saúde debilitada da avó devido acidente nuclear de Chernobyl, mas que avançam sem controlo para reflexões sobre xenofobia (ou xenofilia num dos vários admiráveis equívocos), ou pelas mais variadas injustiças do mundo.

E sim, acreditei até à última página que este menino me falava, que os seus olhos me davam uma perspectiva infantil com a qual me deliciei tanto de felicidade como de tristeza, que quis ficar triste com a morte iminente da Babushka, mas que a crença do neto na cura me arrancava fé de onde eu não sabia que tinha. Uma fé que durou um livro. Pouco para alguns. Muito para mim. A escrita de João Reis tem a competência de fazer sonhar, infelizmente dentro de limites, mas sonhar. Tem o dom do sorriso, mesmo que misturado com a tristeza da racionalidade que não nos deixa, e que talvez por isso, permite uma beleza feita de tanta simplicidade.

Eu gostava que todos o lessem.

“Os avós paternos do Matt estiveram num acampamento de concentração dos Nazis do Senhor Hitler, e os seus pais eram ainda crianças pequeninas e ficaram escondidos em Varsóvia porque cabiam em todos os armários. A avó do Matt morreu num desses acampamentos de concentração do Senhor Hitler; comia pouco e ficou magra até morrer, e depois carbonizaram-na para que não ficasse a ocupar espaço e enviaram-na para as caldeiras, já que moravam muitas pessoas naqueles acampamentos e não havia o aquecimento que temos hoje em dia. O avô do Matt sobreviveu, porque fazia serviços no campo e falava alemão e algum francês, foi isso que o salvou. Deram-lhe comida suficiente para não comer de menos e ficar magro até morrer. Porém, ele acabou por se matar, ainda o Matt era uma criança; não aguentou a pressão da sociedade que cai sobre um sobrevivente e o esmaga, acordava a meio da noite em terrores vivos, a chorar.” Pág. 95/96;

“E as árvores envelhecem e mantêm-se de pé e aumentam o tronco, mas as pessoas encolhem e encolhem até desaparecerem pressionadas pela idade que têm em cima do corpo; porém, as árvores não se podem mexer e ficam presas à terra e não conseguem fugir, e nisso são parecidas com a Babushka, deitada na cama do hospital, tão pequena, pequenina, se não fosse pelos cabelos brancos quase seria um bebé da maternidade. Pobre Babushka: escapar aos ventos fulminantes para estar assim, arruinada numa cama, e só uma planta a pode ajudar, um cato.” Pág. 105;

Sinopse

“Babushka está doente. Esta russa idosa, emigrante no Canadá, sobreviveu ao acidente nuclear de Chernobyl. Esconde no peito a doença que a obriga a respirar a contratempo e lhe impõe uma tosse longa e larga e comprida e sem fim — um mal que a faz viver mergulhada nas memórias do seu passado luminoso, a neve pura da Rússia, recordação sob recordação.
Na fronteira com a realidade caminha o seu neto mais novo, de dez anos, um menino que não desiste de puxar o fio à meada e de tentar devolver a avó ao presente. Para ajudar Babushka, precisa de encontrar uma solução para os seus pulmões destruídos, sacos rasgados e quase vazios — mesmo que isso o obrigue a crescer de repente e partir em busca de uma planta milagrosa, o segredo que poderá salvar a família e completar a matriosca que só ele vê.
Narrado na primeira pessoa e escrito a partir da perspetiva de uma criança, A Avó e a Neve Russa é um livro feito da inocência e da coragem com que se veste o deslumbramento das infâncias. Romance simples e emotivo sobre a força da memória e da abnegação, relata a peregrinação de um neto através da esperança, do Canadá ao México, para encontrar a possibilidade de um final feliz.”

Elsinore, 2017

publicado por marcia às 16:59
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

Onze Tipos de Solidão - Richard Yates - Opinião

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Quando comecei a escrever sobre este livro de contos pensava dedicar um texto a cada uma das histórias. Escrevi umas linhas para o primeiro conto, e mais umas linhas para o segundo. Contudo a leitura ganhou fôlego e dediquei-me a lê-los de seguida, sem me preocupar com anotações e possíveis futuros textos.

A solidão é um tema que me toca particularmente, por ter tanto por onde pegar, literariamente falando. E Yates explora este tema de forma admirável.

Os onze contos não se relacionam, mas todos narram histórias de gente que, de alguma forma, está só. Da infância ao serviço militar, passando pelo casamento e pela doença, ficam as imagens (porque achei a narrativa muito visual) de Onze Tipos de Solidão que me agarraram pela escrita tão completa que utiliza, curiosamente, poucas palavras. Yates fez-me sentir mais, fez-me estar mais perto das personagens e das suas solidões, nestes contos com cerca de vinte páginas cada, do que muitos calhamaços com centenas delas.

Com um poder de síntese impressionante e uma clareza admirável, Yates já devia ter saltado para as minhas leituras obrigatórias há muito.

Sinopse

“A partir da vida de empregados de escritório em Nova Iorque; de um taxista que ambiciona a imortalidade; de jovens romancistas frustrados; de professores desprezados pelos alunos; de homens do subúrbio e das suas mulheres deprimidas e negligenciadas, de aperitivos e martinis e bares de jazz sem glamour nenhum, Richard Yates constrói um mosaico assombroso dos anos 1950, período em que o sonho americano começava finalmente a concretizar-se e, em simultâneo, a revelar um grande vazio.

Publicado a seguir ao romance que consagrou Richard Yates - Revolutionary Road - o conjunto de onze histórias - ilustrando cada uma delas uma vertente desses Onze Tipos de Solidão - cria, para lá do retrato, uma forte atmosfera de alienação e desconexão social.”

Quetzal, 2011

Tradução de Nuno Guerreiro Josué

publicado por marcia às 00:24
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

Concerto em Memória de um Anjo - Éric-Emmanuel Schmitt - Opinião

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Um livro com quatro histórias que se lê muito bem, mas que infelizmente me acrescentou pouco. Uma escrita simples, fluída e bem estruturada. Contos que me prenderam de modo contido. Apenas o primeiro, A Mulher Venenosa, me agradou verdadeiramente. Daí até ao final do livro, acompanhei com mediano interesse.

Faz boa companhia numa tarde de lazer, mas eu espero mais de um livro. Por isso ficou-me aquele sabor a “quero mais”. Contudo, penso que poderá agradar a muitos leitores. Fica a sugestão.

Sinopse

“Que relação existe entre uma mulher que envenena sucessivamente os seus maridos e um presidente da República apaixonado? Qual a ligação entre um simples e honesto marinheiro e um escroque internacional que vende bugigangas religiosas fabricadas na China? Por que milagre uma imagem de Santa Rita, padroeira das causas perdidas, assume o papel de guia misteriosa das suas existências? Todas estas personagens tiveram a possibilidade de se redimir, de escolhera luz em vez da sombra. A todas foi um dia oferecida a salvação. Algumas aceitaram-na, outras recusaram-na, outras ainda não souberam reconhecê-la. Quatro histórias com ligações entre si. Quatro histórias que atravessam o quede mais comum e mais extraordinário existe na nossa vida. Quatro histórias que exploram uma questão: somos livres ou estamos presos a um destino? Será que podemos mudar?”

Marcador, 2016

Tradução de Nuno Camarneiro

Uma leitura Roda dos Livros – Livros em Movimento

publicado por marcia às 13:36
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Domingo, 5 de Fevereiro de 2017

Desgraça - J. M. Coetzee - Encontro da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz

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Falar sobre livros com outros leitores pode ser quase tão bom como lê-los. Por isso gosto tanto de trocar ideias sobre leituras com os meus amigos leitores. Foi por isso, também, que nasceu a Roda dos Livros. Porque há mais leitores com a mesma vontade, e ainda bem.

Além da Roda participo numa Comunidade de Leitores que reúne em Lisboa uma vez por mês, com direito a discussão sobre o livro escolhido, jantar e encontro com o autor. No dia 28 de Janeiro fui pela primeira vez ao encontro da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, a cidade onde cresci. Já há algum tempo que queria conhecer esta comunidade, mas o encontro mensal nem sempre coincidia com as minhas deslocações à Figueira. Fui ao primeiro encontro de 2017, e espero que seja um prenúncio de que consiga ir a uma boa parte dos encontros do ano. O grupo já está formado há algum tempo e nem sempre é fácil ser novato nestas circunstâncias, contudo eu senti uma recepção calorosa que me deu logo vontade de ficar.

O livro escolhido foi o Desgraça, de J. M. Coetzee, que eu já tinha lido há uns treze anos. Na altura lembro-me de não ter gostado, apesar disso lembro-me de não ter conseguido parar de o ler. Reli o livro para este encontro tendo sempre presente a experiência contraditória de uma leitura que não agrada mas que não solta, e até agarra quem lê. Como já sabia ao que ía, não me foquei tanto na história, que recordava, e que nos leva para outro país, outro continente, outra realidade. Foquei-me na escrita, na estrutura do livro, na forma como o autor consegue, num livro relativamente pequeno, condensar tanto para pensar. E para falar, pois a discussão foi verdadeiramente envolvente, com uma série de pontos de vista que enriqueceram de sobremaneira a minha leitura inicial.

Sinopse

“Com cinquenta e dois anos, o professor David Lurie perde o emprego e os amigos depois de um romance com uma das suas alunas, refugiando-se na quinta da filha, Lucy. As tentativas de David para se relacionar com Lucy e com uma sociedade feita de novas complexidades raciais são perturbadas por uma tarde de violência que os vai modificar, a ele e à filha, de uma forma que ele jamais poderia prever. Neste romance perverso e, não obstante, terno, Coetzee diz, uma vez mais, verdades que penetram até ao osso.”

O encontro da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz é no último sábado de cada mês e a entrada é livre. Deixo o desafio a quem se quiser juntar ao grupo no dia 25 de Fevereiro.

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 Boas leituras a todos!

publicado por marcia às 18:30
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2017

Revista Inominável #6

Capa #6.jpg

A Inominável está de volta com um número cheio de coisas boas. Deixem-se levar aqui e acompanhem o blogue aqui.

Eu volto ao Anexo para vos contar tudo sobre a escolha da próxima leitura. Qualquer viciado em livros sabe que nem sempre é uma decisão fácil!

Boas leituras!

publicado por marcia às 18:17
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Domingo, 29 de Janeiro de 2017

É assim Que A Perdes - Junot Díaz - Opinião

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Eu passo, como leitora, muito tempo à espera daquele livro. O tal. O que faz esquecer tudo e preenche os meus pensamentos enquanto houver páginas para ler. Penso que é um desejo comum a todos os leitores, encontrar em todos os livros que lemos essa sensação de entrega e interesse avassaladores. Sabemos que são raros os livros que nos proporcionam tais sensações, e quantos mais livros lemos mais difícil é que um livro nos encha as medidas.

Muitas vezes penso, quando alguém me fala de um livro com grande entusiasmo, que será essa a tal leitura. Persigo, ambiciosa, nas frases do livro sugerido, as mesmas sensações. Quantas desilusões! As altas expectativas, os gostos distintos, tantas coisas que podem fazer um livro perfeito para uns e um leve encolher de ombros para outros.

É assim Que a Perdes é uma dessas extraordinárias surpresas. Uma narrativa que vai de encontro a tudo o que mais me agrada, que me envolveu totalmente pelas horas que as páginas duraram. E que bom que foi. Que frases extraordinárias, que modo de escrever sem medo, parecendo quase fácil deitar para o lado de cá tantos sentimentos. Eu gosto da crueza da escrita de Junot Díaz, das palavras duras, do calão que soa a natural na dor de quem está cheio de frio e solidões.

São nove contos. Todos sobre Yunior ou com ele relacionados. Quase todos sobre o amor, mesmo parecendo ele tão distante dessas coisas, quase imune aos sentimentos, mas fraco à frieza das relações ocasionais. Tem de se ser duro quando se deixa um país quente para o constante inverno, quando se é sempre um estranho, quando não se fala a língua, quando se é só. As mulheres, a mãe sempre triste, o pai ausente, o irmão doente. Crescer com a pressão da adaptação. Querer sempre dizer que não.

Para mim, extraordinário, mas tenho a certeza que não agradará a todos os leitores. Pouco consensual, possivelmente... o que me faz gostar ainda mais deste livro.

“É um começo, dizes em voz alta.

E é isto. Nos meses seguintes, atiras-te ao trabalho, porque isso te infunde uma espécie de esperança, uma espécie de graça – e porque no fundo do teu coração de mentiroso infiel sabes que às vezes um começo é tudo o que alguma vez teremos.” (Pág. 153).

Sinopse

“O novo livro de Junot Díaz, É assim Que A Perdes, é um conjunto de narrativas ligadas entre si sobre o amor — amor apaixonado, amor ilícito, amor em extinção, amor maternal — e contadas através da vida dos habitantes de New Jersey oriundos da República Dominicana e da sua luta para encontrar um ponto de encontro entre os seus dois mundos. O livro desvenda a inevitável fragilidade do coração humano. São histórias que nos recordam que a paixão pode triunfar sobre a experiência e que o amor, quando nos atinge, tem sempre algo de eterno.”

«[…]nunca relatos sobre as ruínas da paixão amorosa foram tão honestos, tão brutais, tão no osso, tão na pele.» José Mário Silva, Expresso

Relógio D’Água, 2013

 

publicado por marcia às 23:01
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